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Segunda-feira, 17 de Agosto 2026
Notícias/Direitos Humanos

Preocupação com segurança e privacidade reduz posse de celular entre crianças, aponta IBGE

Dados da Pnad Contínua 2025 revelam que 55,2% das crianças de 10 a 13 anos possuíam o aparelho, marcando a primeira queda desde 2016.

Preocupação com segurança e privacidade reduz posse de celular entre crianças, aponta IBGE
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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A preocupação crescente com a segurança e privacidade dos jovens emergiu como o principal fator para a diminuição da posse de celular entre crianças e adolescentes no Brasil. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou, nesta quinta-feira (2), os dados do módulo temático sobre tecnologia da informação e comunicação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), indicando uma mudança significativa no comportamento dos responsáveis.

Em 2025, pela primeira vez desde o início da série histórica em 2016, a proporção de crianças com celular na faixa etária de 10 a 13 anos registrou uma queda. O levantamento do IBGE apontou que 55,2% dos brasileiros nesse grupo possuíam o aparelho, representando um recuo de 1,5 ponto percentual em comparação com o ano anterior, 2024.

Essa redução é atribuída, em grande parte, à crescente preocupação com privacidade e segurança. Dos responsáveis por crianças que ainda não possuem celular, 32% citaram este como o principal motivo, um aumento de 7,8 pontos percentuais em relação a 2024. Observa-se que essa proporção quase dobrou desde 2022, evidenciando uma tendência consolidada.

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Em 2022, o cenário era distinto: o custo elevado do aparelho era a principal razão para a ausência de celular entre os jovens, seguido pela percepção de falta de necessidade ou pelo uso do dispositivo de outra pessoa. A preocupação com segurança e privacidade ocupava apenas a quarta posição na lista de motivos.

Gustavo Fontes, analista do IBGE, ressalta que o grupo etário de 10 a 13 anos foi o único a apresentar diminuição na posse de celular em 2025. Para as demais faixas, o crescimento no uso se manteve, elevando a taxa geral de utilização para 89,8% da população.

"Observamos uma preocupação crescente com a segurança das crianças e sua exposição em redes sociais. Além disso, em 2025, houve restrições ao uso de celulares nas escolas", comenta Fontes.

A análise é reforçada por uma leve queda no acesso à internet para essa faixa etária, passando de 84,9% para 84,4%, independentemente do dispositivo. Entre as crianças sem conexão, a falta de necessidade é o motivo principal, mas a preocupação com privacidade e segurança figura como a segunda razão mais citada.

Este grupo foi, mais uma vez, o único a registrar declínio, enquanto adolescentes de 14 a 19 anos apresentaram estabilidade. No panorama geral, o uso da internet pela população brasileira cresceu de 89,2% para 90,5%.

Avanço tecnológico entre idosos

Em contraste com a tendência das crianças, a pesquisa também evidencia um notável avanço tecnológico entre os idosos. Em 2025, 74,5% dos brasileiros acima de 60 anos acessavam a internet, um aumento de 4,4 pontos percentuais em relação a 2024 e mais de 29 pontos desde 2019. A posse de celular por idosos também subiu, de 78,3% em 2024 para 80,3% em 2025.

A análise dos idosos que permanecem desconectados revela um cenário diferente do observado entre as crianças. Para este grupo, a principal barreira é a falta de conhecimento sobre como utilizar a internet e os dispositivos móveis.

Contudo, como pontua o analista Gustavo Fontes, a inserção da internet no cotidiano torna cada vez mais desafiador viver sem ela. "Muitos serviços são realizados online, criando um estímulo para que os idosos busquem essa inclusão digital", explica.

As múltiplas funcionalidades da rede também foram destacadas no estudo. Em 2025, 74,2% da população utilizava a internet para acessar serviços bancários ou financeiros, um crescimento de 14,4 pontos percentuais desde 2022. O acesso a serviços públicos online também teve um aumento expressivo, passando de 33,2% para 41,1% no mesmo intervalo.

Adicionalmente, em 2025, pela primeira vez, mais da metade da população conectada — 52,7%, contra 47,9% anteriormente — afirmou realizar compras ou encomendas de bens e serviços pela internet.

Das 12 funcionalidades avaliadas, "conversar por chamadas de voz ou vídeo" é a mais comum, praticada por 95,3% dos usuários de internet. Em seguida, aparecem "enviar mensagens de texto, voz e imagens por aplicativos", com 90,2%, e "assistir vídeos, incluindo programas, filmes e séries", com 89,3% da população.

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

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