O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Finep apresentaram, no Rio de Janeiro, o Programa Tecnova 2026/2027, que disponibiliza R$ 360 milhões para que pequenas empresas de todo o país acelerem a inovação tecnológica. Os recursos, provenientes do FNDCT, buscam fomentar a criação de novos produtos e processos no mercado nacional.
Nesta quarta edição, o projeto prevê a contratação de até 713 empreendimentos que apresentem receita bruta anual de até R$ 16 milhões. Caso as contrapartidas dos estados sejam somadas, o montante total investido pode alcançar a marca de R$ 588 milhões.
A gestão dessas verbas será realizada de forma descentralizada por entidades estaduais, incluindo as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) e o Sebrae. Esse modelo garante que o suporte financeiro chegue de maneira eficiente às bases produtivas locais.
As organizações interessadas podem submeter suas propostas através do portal oficial da Finep até o dia 3 de agosto de 2026. Após a aprovação, as empresas terão um prazo de até 60 meses para concluir a execução de seus projetos.
A ministra Luciana Santos enfatizou que, pela primeira vez na história, o programa alcançará as 27 unidades da federação. Segundo ela, a descentralização da inovação é fundamental para fortalecer a soberania tecnológica e gerar novos postos de trabalho qualificados.
Para o presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, a cooperação com agentes regionais é vital para modernizar a indústria. Ele ressaltou que o Tecnova atua justamente na transição entre a produção de conhecimento acadêmico e sua aplicação prática na economia.
Indicadores e monitoramento de P&D
Além do fomento, o MCTI revelou a criação da rede Cientistas de Dados pelo Brasil, focada em unificar informações sobre pesquisa e desenvolvimento (P&D). A meta é criar um padrão nacional para o acompanhamento desses dados estratégicos.
Dados recentes apontam que o Brasil investiu R$ 166,4 bilhões em P&D em 2024, somando aportes públicos e privados. O valor representa uma recuperação de 18% frente ao ano de 2021, que registrou o menor volume de recursos da última década.
Atualmente, o país destina cerca de 1,23% do seu PIB para a área, divididos quase igualmente entre governo (0,62%) e setor privado (0,61%). Embora o índice total seja inferior ao de potências como Israel e Coreia do Sul, o investimento estatal brasileiro é competitivo.
Ao analisar apenas o gasto público, o Brasil (0,62%) se aproxima de nações desenvolvidas como os Estados Unidos (0,66%) e a França (0,72%). O desafio permanece na ampliação da participação do setor privado para elevar o patamar global de competitividade tecnológica.

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