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Quinta-feira, 13 de Agosto 2026
Notícias/Direitos Humanos

Trabalhadores planejam mais tempo com a família após aprovação da PEC que altera a escala 6x1

A proposta, que visa garantir dois dias de descanso semanal remunerado, foi chancelada pela Câmara dos Deputados e aguarda análise do Senado.

Trabalhadores planejam mais tempo com a família após aprovação da PEC que altera a escala 6x1
© Fernando Frazão/Agência Brasil
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A esperança de dedicar mais tempo com a família e para projetos pessoais impulsiona trabalhadores brasileiros após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho, conhecida como escala 6x1, pela Câmara dos Deputados. Embora a medida ainda necessite da chancela do Senado para entrar em vigor, a perspectiva de ter dois dias de descanso remunerado semanalmente já mobiliza planos de lazer e cuidado, como o da atendente de lanchonete Gessiane Roberto Vianna, que sonha em levar as filhas à praia.

Gessiane, de 28 anos, que trabalha de segunda a sábado no centro do Rio de Janeiro, expressa grande satisfação com a decisão dos deputados, tomada na noite da última quarta-feira (27). A aprovação desta PEC é vista como um passo crucial para uma melhor qualidade de vida, aguardando agora a validação final do Senado.

Para entender melhor os impactos da proposta, confira os detalhes da PEC que acaba com a escala 6x1: mais tempo livre e mesmo salário.

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A rotina atual de Gessiane a impede de participar ativamente da vida escolar das filhas, de 12 e 7 anos. "É minha mãe que dá café da manhã, que leva para a escola, que busca, porque eu não tenho tempo", lamenta a atendente, evidenciando o sacrifício pessoal imposto pela jornada.

Além das 44 horas semanais de trabalho, Gessiane dedica mais duas horas diárias ao transporte, intensificando sua ausência no ambiente familiar. Essa carga horária exaustiva limita drasticamente suas interações com as crianças.

"As meninas me cobram, me pedem para ir à praia, para sair com elas, ir a qualquer canto, mas eu nunca consigo", desabafa, revelando a frustração de não poder atender aos simples desejos de lazer de suas filhas.

Ainda que o processo legislativo para o fim da escala 6x1 dependa da conclusão no Congresso Nacional, a expectativa por dois dias de descanso semanal já inspira novos planos entre os trabalhadores. O balconista Emerson Santos, de 43 anos, por exemplo, almeja respirar o ar puro da Floresta da Tijuca ao lado do filho de 13 anos.

"Meu filho pede para irmos juntos. Esse é o nosso momento de lazer: subir a montanha, pegar uma cachoeira. Mas é raro", relata Emerson, que trabalha em uma farmácia na zona sul do Rio.

Ele pretende intensificar esses passeios com a chegada das duas folgas, um benefício que, segundo ele, já é realidade para diversas outras categorias profissionais.

Saiba como votaram os deputados na PEC que acaba com a escala 6x1.

Impacto na família

O desejo por mais tempo em família é recíproco. Victor Pacheco, gerente de uma loja de calçados e bolsas no centro do Rio, de 23 anos, trabalha de segunda a sábado e sente alívio pela mãe, de 50 anos, que também cumpre a escala 6x1 em uma fábrica de biscoitos.

"Ela mora em Duque de Caxias e sai de casa às 9h da manhã para chegar duas horas depois em Madureira. Quando volta, correndo o risco de perder o último ônibus, é quase meia-noite", descreve Victor sobre a extenuante jornada da mãe. "É uma correria enorme", completa.

Apesar dos desafios, mãe e filho se esforçam para se encontrar nos raros domingos em que suas folgas coincidem. "Sábado, a gente trabalha. No domingo, quando a minha folga e a dela batem, a gente, de vez em quando, se organiza para se ver. Tem que ser bem planejado", explica Victor.

Juliana de Mello*, de 21 anos, atendente de um quiosque de sorvete com jornada de segunda a sábado, também luta contra o tempo. Mãe de um bebê de 1 ano e 10 meses, ela anseia por mais tempo para as necessidades básicas da criança.

"Ela quase ligou para a dona da loja, hoje, para saber como iria funcionar a nova escala", brinca uma colega de trabalho, ilustrando a ansiedade pela mudança.

"Quero levar ao pediatra, levar para vacinar, coisas simples, ver crescer", relata Juliana à Agência Brasil. "A nossa expectativa é de que comece logo", complementa a jovem mãe, que busca mais presença na vida do filho.

Além do convívio familiar, a nova folga também representa uma oportunidade para aprimoramento profissional. Stephanie Gonzaga, atendente de banca de jornal, de 34 anos, planeja dedicar-se aos estudos.

"Se tiver mais uma folga, eu posso focar no meu curso técnico de enfermagem", afirma. "Para estudar, tem que ter tempo e cabeça, né? Se você está muito cansada acaba abdicando de algo", argumenta, destacando a importância do descanso para a concentração nos estudos.

A exaustão da escala 6x1

Em São Paulo, a celebração pela possível alteração da escala 6x1 também é palpável. Flávio Antunes, funcionário de uma papelaria na zona sul da capital, expressa seu entusiasmo: "Eu, particularmente, queria muito o fim da 6x1. Quero ter mais tempo para meu filho e minha esposa", revela.

A vigilante Celma Araújo, que trabalha na zona oeste de São Paulo, acompanhou a votação no Congresso e também comemorou. Embora a mudança não a afete diretamente, ela vê a medida como um grande benefício para seu marido e filho, que atualmente cumprem a jornada 6x1.

"Eles trabalham na 6x1 e reclamam muito. Não podem ficar com a família, não podem ir a um evento, nada", explica Celma, ressaltando o impacto negativo da escala na vida social e familiar de seus entes queridos.

Everton França, porteiro na zona norte de São Paulo, é um exemplo de trabalhador que abandonou uma profissão devido à rigidez da escala 6x1. Metalúrgico de formação, ele deixou a área por considerá-la "muito puxada".

"Achei bom o fim da escala [6x1], porque vai abrir novas oportunidades. O pessoal que saiu dos empregos antigos devido à escala mais forte, vai poder voltar", avalia França com otimismo.

Ele próprio considera retornar à sua antiga profissão: "Eu sou metalúrgico e saí porque a escala era muito puxada. Agora, com a 5x2, já estou pensando em ser metalúrgico de novo", conclui, ilustrando o potencial de reaquecimento de setores com a flexibilização das jornadas.

*Nome fictício para preservar a identidade da entrevistada.

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

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