O setor de serviços brasileiro apresentou uma recuperação em abril, com um crescimento de 1,2% em relação a março, marcando a primeira expansão mensal consecutiva em um período de seis meses. Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que essa alta interrompe uma sequência de retrações, sendo a mais recente de 1,1% em março.
No acumulado dos últimos 12 meses, o setor de serviços mantém uma trajetória de expansão, registrando um avanço de 2,9%. Comparado a abril de 2025, o crescimento foi de 1,9%. Essas informações são parte da Pesquisa Mensal de Serviços, que monitora diversas atividades econômicas.
A última vez que o setor registrou uma alta mensal foi em outubro de 2025, com um aumento de 0,3%. O resultado de abril deste ano representa a maior variação positiva desde outubro de 2024, quando o setor expandiu 1,3%.
Rodrigo Lobo, analista do IBGE, ressalta que, embora abril tenha trazido um resultado positivo, o setor ainda opera próximo ao seu pico histórico, atingido em outubro de 2025. Ele pondera que ainda não é possível afirmar uma mudança definitiva na tendência de desempenho.
“O setor de serviços se mantém operando em patamar elevado, apenas 0,3% abaixo do topo da série, alcançado em outubro de 2025, mas sem uma trajetória muito bem definida, seja ascendente ou descendente.”
Análise por atividades
A pesquisa do IBGE abrange 166 tipos de serviços, agrupados em cinco grandes categorias. Em abril, todas essas categorias apresentaram resultados positivos na comparação com março. O segmento de transportes, armazenagem e correios se destacou com uma influência positiva de 0,9%.
Os demais grupos registraram:
- Serviços prestados às famílias: 1,4%
- Informação e comunicação: 0,5%
- Serviços profissionais e administrativos: 0,4%
- Outros serviços: 2,2%
O setor de transportes, armazenagem e correios tem um peso significativo, representando mais de um terço (36,4%) do total do setor de serviços no Brasil.
Impacto do transporte aéreo
O desempenho positivo do setor de transportes foi impulsionado, em grande parte, pelo segmento de transporte aéreo de passageiros, que apresentou um avanço de 7%. Essa recuperação ocorre após dois meses consecutivos de queda, com uma perda acumulada de 16,6% entre fevereiro e março.
Segundo o gerente da pesquisa, a queda nos preços das passagens aéreas em abril, após aumentos significativos em fevereiro e março, foi um fator determinante para esse resultado. Em abril, houve uma retração de 14,45% no preço desse serviço, conforme o IPCA.
No transporte aéreo, o volume de passageiros subiu 2,6% em abril em relação a março. Em contrapartida, o volume de transporte de cargas registrou uma retração de 0,9% no mesmo período.
Atividades turísticas em alta
A Pesquisa Mensal de Serviços também monitora o índice de atividades turísticas (Iatur), que cresceu 4,1% em abril na comparação mensal. No acumulado de 12 meses, o Iatur avança 2,7%.
Com essa alta, as atividades turísticas estão agora 11,2% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020), embora ainda 2,2% abaixo do pico histórico registrado em dezembro de 2024.
O Iatur engloba 22 atividades ligadas ao turismo, como hotelaria, agências de viagens e transporte aéreo de passageiros, e abrange dados de 17 estados e do Distrito Federal.

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