Uma pesquisa do Instituto Locomotiva divulgada nesta terça-feira apontou que a escala 6x1 é prejudicial para a saúde mental de 67% dos trabalhadores no Brasil. O levantamento surge em meio ao avanço das discussões no Congresso Nacional sobre a mudança no regime laboral atual, que exige seis dias de expediente para apenas um de descanso.
A proposta de emenda à Constituição que debate o tema teve progresso ao ser aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Além dos prejuízos psicológicos, o estudo destaca que o modelo atual compromete a saúde física de 62% dos entrevistados.
De acordo com o presidente do instituto, Renato Meirelles, o grande obstáculo enfrentado pela população é a escassez de tempo livre. Ele ressalta que a rotina sobrecarrega aspectos centrais do bem-estar, afetando o descanso e a convivência familiar. A pesquisa ouviu 1.030 pessoas em todo o país, em parceria com a QuestionPro.
Impactos no descanso e no convívio familiar
O estudo indica que 69% dos participantes veem prejuízos na convivência com a família, enquanto 61% apontam impactos diretos na qualidade do sono. Além disso, 71% relatam dificuldades para manter hábitos saudáveis e 78% afirmam ser quase impossível descansar de fato nessa rotina.
A sensação de cansaço contínuo foi citada por 83% dos pesquisados. Entre os profissionais que atuam sob esse regime, 85% afirmam que precisam sacrificar saúde e lazer para garantir renda — taxa que chega a 89% entre as mulheres.
Tramitação do projeto de mudança na jornada
A PEC 221 de 2019, em tramitação no Congresso, propõe a obrigatoriedade de dois dias de folga semanal remunerada, sem redução nos salários. A proposta reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais com uma transição prevista de 14 meses.
Apesar da tramitação, o debate parlamentar segue dividido. Os congressistas analisam levantamentos com visões divergentes sobre os possíveis reflexos da alteração na inflação e no Produto Interno Bruto (PIB).

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se