Aguarde, carregando...

Terça-feira, 18 de Agosto 2026
Notícias/Direitos Humanos

Caso Henry: Monique Medeiros alega suspeita de ter sido dopada no dia da morte do filho

Professora, ré no processo do assassinato de Henry Borel, prestou depoimento no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e detalhou a relação com Dr. Jairinho.

Caso Henry: Monique Medeiros alega suspeita de ter sido dopada no dia da morte do filho
© Tomaz Silva/Agência Brasil
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

A professora Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, declarou nesta terça-feira (2) que suspeita ter sido dopada na data em que seu filho foi assassinado, em março de 2021. Ré no processo que apura o crime, ela apresentou seu depoimento no nono dia do júri, realizado no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ).

Monique e o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, são os principais acusados pela morte da criança. Conforme o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), Jairinho teria torturado o enteado, enquanto Monique teria sido omissa em seu dever de proteger o filho.

Júri do caso Henry Borel entra na reta final

Durante o depoimento, Monique Medeiros afirmou não acreditar que o padrasto da criança seria capaz de cometer agressões contra Henry. Contudo, a ré expressou que, com os elementos atuais, acredita que Jairinho pode ter sido o responsável pela morte do menino.

Publicidade

Leia Também:

“Pode ser muita burrice, mas em nenhum momento pensei que ele pudesse fazer qualquer tipo de agressão ao meu filho”, disse Monique, em resposta a questionamentos da juíza Elizabeth Machado Louro, que preside a sessão no 2º Tribunal do Júri.

No início de sua fala, Monique descreveu a relação de Jairinho com ela e o filho como positiva. No entanto, ela admitiu que o então namorado possuía traços de ciúmes e que, aproximadamente um mês após o início do relacionamento, sofreu uma tentativa de enforcamento por parte de Jairinho, em uma "crise de ciúme mais grave".

O relacionamento começou em outubro, e em janeiro Monique passou a morar com Jairinho. A ré relatou que, no final de janeiro, Henry mencionou ao pai, Leniel Borel, ter recebido um "abraço forte do tio".

Este episódio motivou Leniel a conversar com o padrasto, solicitando que o gesto não se repetisse. Monique informou que, por solicitação de Leniel, passou a evitar que a criança ficasse sozinha com Jairo.

Relatos de agressões

Monique Medeiros mencionou que, em uma ocasião, mesmo com ela presente em casa, Henry a procurou para relatar que Jairinho lhe havia dado uma "banda" (rasteira) e uma "moca" (soco na cabeça).

Ao confrontar Jairo sobre o ocorrido, segundo Monique, o então vereador negou, alegando que era apenas uma brincadeira e que segurou o menino para evitar que ele caísse. A ré relatou ainda que o padrasto a acusou de mimar o menino e disse que ele "viraria veadinho".

Monique afirmou que Jairinho prometeu que o comportamento não se repetiria. De acordo com a mãe, esse incidente marcou um distanciamento entre a criança e Jairo.

Em diversos momentos, Monique demonstrou emoção durante o depoimento. Ela refutou a alegação da babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, de que teria sido avisada sobre uma agressão de Jairinho a Henry no dia 2 de fevereiro. A babá prestou depoimento no júri no último domingo (31).

“Ela falou que contou no mesmo dia, é mentira! Se tivesse contato, eu nunca deixaria os dois juntos", declarou Monique no júri.

Conversa com a babá

Monique apresentou sua versão sobre a troca de mensagens em 12 de fevereiro com a babá, referente à suspeita de novas agressões por parte de Jairinho. Ela relatou ter ficado surpresa ao saber que o namorado chegou em casa antes do previsto e afirmou ter tomado medidas para evitar que ele ficasse sozinho com Henry.

Ao receber mensagens da babá informando que o menino estava no quarto com Jairinho, Monique disse ter ficado "apavorada", temendo que Jairinho pudesse ter sido excessivamente rígido com a criança.

“Em nenhum momento achei que meu filho tinha sido agredido. Não queria que ele se comunicasse da forma rígida que ele era”.

Durante uma troca de mensagens, ela insistiu para que a babá interviesse e levasse Henry para a brinquedoteca ou para o shopping onde ela se encontrava.

Em uma das mensagens, a babá informou que o garoto havia saído do quarto e que "estava bem". Em mensagens subsequentes, recebeu a informação de que o menino reclamava de dor no joelho e na cabeça. Monique chegou a receber um vídeo do menino, mas afirmou não ter percebido que ele mancasse.

“Hoje acredito que houve, sim, alguma coisa com o meu filho dentro do quarto”.

Em outra mensagem, a babá relatou que o menino disse ter levado uma "banda" e um chute, e que foi alertado para não contar à mãe, sob pena de Jairinho "ir pegá-lo".

Pouco tempo depois, o próprio menino participou de uma chamada de vídeo com a mãe, na qual relatou que "o tio tinha brigado com ele" e que ele atrapalhava o relacionamento do casal.

Monique relatou que, antes de deixar o shopping, comprou câmeras de vigilância com a intenção de instalá-las no apartamento.

A professora acrescentou que, no dia seguinte, ela e o padrasto levaram o garoto a um hospital, onde um raio-x constatou que não havia lesões no joelho.

Apagamento de mensagens

Em outro ponto do depoimento, Monique Medeiros garantiu que não instruiu a babá Thayná a apagar mensagens de celular entre as duas.

“Eu tenho prova de que não mandei ela apagar as mensagens. Por que eu mandaria apagar, se eu tinha os prints no meu telefone?”, declarou no júri.

Segundo Monique, a ordem partiu da família de Jairinho. Ela contextualizou que diversos familiares da babá eram empregados da família de Jairinho, citando como exemplo um tio que seria motorista do Coronel Jairo, pai do então vereador.

Dia da morte

Na madrugada de 8 de março de 2021, data do crime, Monique Medeiros contou que Henry dormia no quarto do casal, enquanto ela e Jairinho se recolheram a outro cômodo. Ela suspeita que o então namorado lhe administrou medicação para dormir, prática que, segundo ela, já havia presenciado em outras ocasiões.

De acordo com Monique, Jairinho realizava essa prática "para que ela não conversasse com outros homens enquanto ele estava dormindo".

Monique narrou ter sido acordada por Jairinho por volta das 3h40. Ele teria relatado ter ouvido um barulho e, ao verificar o quarto, encontrado o menino no chão, recolocando-o na cama. Jairinho repetia que Henry não estava respirando adequadamente.

O casal dirigiu-se ao hospital. Lá, o então vereador insistia na versão de ter ouvido um barulho. No hospital, Monique inicialmente endossou a versão do namorado, mas, em seu depoimento, admitiu à juíza que não havia ouvido nada.

Ausência de marcas visíveis

No hospital, Monique descreveu o início de um "pesadelo", referindo-se a duas horas e meia de manobras de ressuscitação. Ela relatou que o menino chegou ao hospital com o corpo "branquinho", sem marcas ou lesões aparentes.

“Na minha cabeça, como não tinha nenhum sinal, então, só podia ser uma queda da cama”.

Durante o depoimento, a mãe de Henry Borel afirmou que, na época, não havia conhecimento público sobre outras denúncias de agressão a crianças por parte de Jairinho.

Na quinta-feira anterior, duas ex-namoradas de Jairinho prestaram depoimento, confirmando denúncias de agressão contra duas crianças.

Monique Medeiros declarou que, poucos dias antes de sua prisão e da de Jairinho, em 7 de abril de 2021, confrontou o ex-companheiro.

“Eu realmente dei alguns tapas no rosto dele e falei ‘você matou meu filho’”. Em resposta, ele teria pego uma bíblia e jurado nunca ter agredido o filho dela.

Ela atribuiu a Jairinho o arremesso de seus celulares pela janela quando investigadores foram ao apartamento do casal. "Eu estava dormindo".

Questionada pela juíza Elizabeth Machado Louro se Jairinho é o responsável pela morte de Henry Borel, Monique Medeiros respondeu: "acho que pode ter sido".

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR