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Quinta-feira, 13 de Agosto 2026
Notícias/Direitos Humanos

Titulação de terra quilombola no Marajó marca avanço histórico, comemoram lideranças

Em evento com Lula, Incra anuncia reconhecimento de novos territórios, incluindo Porto Leocádio em Goiás.

Titulação de terra quilombola no Marajó marca avanço histórico, comemoram lideranças
© Lula Marques/Agência Brasil.
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Na última quinta-feira (11), em um evento histórico no Distrito Federal, o presidente Lula concedeu a tão aguardada titulação de terra quilombola a diversas comunidades, incluindo uma inédita no Marajó, Pará. A notícia foi recebida com grande celebração por lideranças como Carlene Printes, coordenadora estadual das associações quilombolas do Pará, durante o encontro nacional de mulheres quilombolas. Este reconhecimento representa um marco crucial para a segurança e o acesso a políticas públicas dessas populações.

A emoção tomou conta de Carlene Printes, que subiu ao palco para abraçar o presidente Lula, demonstrando a alegria de um momento há muito esperado. O encontro, que reúne mais de 600 mulheres quilombolas no Distrito Federal, estende-se até o domingo (14), reforçando a importância da agenda.

Em entrevista à Agência Brasil, Carlene Printes expressou a surpresa e a satisfação da comunidade. "Fomos positivamente surpreendidos com três decretos de territórios que aguardávamos há muitos anos, e que agora se concretizam neste feito histórico", declarou.

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Ela enfatizou a relevância da medida para a região do Marajó, que nunca havia recebido uma titulação. "Nunca tivemos um título no Marajó. Vivemos sob constantes ameaças de arrozeiros, fazendeiros e mineradoras. A titulação é o que nos confere, no mínimo, a segurança necessária", ressaltou a liderança.

Proteção e esperança para as comunidades

Carlene vê a titulação de terra como um sopro de esperança vital para o povo. Ela explicou que a medida "impacta diretamente na proteção dos nossos povos", pois abre portas para o acesso a políticas públicas essenciais e fortalece a segurança das famílias.

Hilário Moraes, representante da comunidade de Santa Luzia, localizada no Marajó, também presente no evento, demonstrou grande euforia com a conquista.

"Este decreto, entregue hoje pelo presidente Lula, é uma resposta e um ato de reparação histórica. Ainda estou sem acreditar", afirmou Moraes, emocionado.

Ele relatou que sua comunidade enfrenta ameaças constantes e variadas. "De todos os 'eiros': sojeiros, arrozeiros, grileiros, madeireiros", desabafou, referindo-se aos diversos grupos que pressionam os territórios.

A comunidade de Santa Luzia é composta por 19 famílias e ocupa um território de 526 hectares. "É uma comunidade que vive da agricultura familiar, com grande dependência da floresta, e que a trata com muito respeito. Somos nós que mais protegemos o bioma da Amazônia", explicou Hilário Moraes.

A liderança quilombola destacou que o mero reconhecimento do território, sem a efetiva demarcação da terra, não era suficiente para garantir o acesso às políticas públicas necessárias.

"Esperávamos este título como quem aguarda um diamante sendo lapidado. Ele representa o caminho para que mais titulações cheguem, não só na Ilha do Marajó, mas em todo o estado e na Amazônia", concluiu, vislumbrando um futuro de mais conquistas.

Expansão da titulação pelo Brasil

A comunidade de Invernada dos Negros, localizada em Campos Novos, Santa Catarina, foi outra importante beneficiada pela ação. Adriana Ferreira da Silva, liderança que recebeu o título de terra, dedicou a conquista em homenagem a mulheres vítimas de violência, como a notável Mãe Bernadete.

"Estamos felizes pelas políticas públicas que finalmente nos alcançaram. Não somos mulheres apenas para ficar dentro de casa; somos para estar no mundo. O mundo é nosso", celebrou Adriana, reforçando o papel ativo das mulheres quilombolas.

Os territórios quilombolas são definidos como espaços, rurais ou urbanos, habitados por comunidades negras descendentes de pessoas escravizadas durante o período colonial brasileiro. As áreas recém-tituladas concluem um extenso processo de regularização, totalizando 11,6 mil hectares e beneficiando diretamente 1.780 famílias.

Ações do Incra e novos reconhecimentos

Adicionalmente, durante o mesmo evento, o Incra divulgou a publicação de uma portaria que reconhece o território Porto Leocádio, em Goiás. Esta medida beneficiará 20 famílias em uma área de 1,5 mil hectares.

Foram também anunciados cinco novos Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTIDs), cobrindo os territórios de Brejão dos Aipins (Piauí), Baía Formosa (Rio de Janeiro), Sapatu (São Paulo), Sítio Grossos (Rio Grande do Norte) e Engenho da Cruz (Bahia). Estes relatórios contemplam cerca de 800 famílias e aproximadamente 22 mil hectares.

O RTID consiste em um relatório detalhado de caráter histórico e antropológico, que documenta a ocupação e estabelece os marcos territoriais das áreas tradicionalmente habitadas por famílias quilombolas.

A seguir, detalhamos a distribuição dos 18 títulos quilombolas concedidos, organizados por território:

  • Kalunga do Mimoso (Arraias e Paranã/TO): quatro títulos concedidos, beneficiando 250 famílias em 4.211 hectares;
  • Kalunga (Cavalcante, Monte Alegre e Teresina de Goiás/GO): dois títulos para 888 famílias, abrangendo 6.221 hectares;
  • Invernada dos Negros (Abdon Batista e Campos Novos/SC): cinco títulos para 84 famílias em 111 hectares;
  • Charco/Juçaral (São Vicente Férrer/MA): três títulos para 137 famílias em 690 hectares;
  • Mel da Pedreira (Macapá/AP): um título para 14 famílias em 127 hectares;
  • Nova Batalhinha (Bom Jesus da Lapa/BA): um título para 20 famílias em 67 hectares;
  • Mata de São Benedito (Itapecuru-Mirim/MA): um título para 35 famílias em 194 hectares;
  • Piqui/Santa Maria dos Pretos (Itapecuru-Mirim/MA): um título para 352 famílias em 51 hectares.
FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

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