O Ministério da Saúde, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), planeja expandir ainda este ano os serviços de teleatendimento dedicados a indivíduos que enfrentam problemas de dependência em jogos de apostas.
A medida visa intensificar o suporte gratuito e acessível a essa população crescente.
A Agência Brasil confirmou que a estratégia de teleatendimento vigente será fortalecida pela Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS).
Esta agência será responsável por contratar empresas especializadas, garantindo a ampliação da assistência gratuita a jogadores compulsivos.
Lançado em março deste ano, o serviço especializado em jogos de apostas é fruto de uma parceria com o renomado Hospital Sírio-Libanês.
Em apenas três meses de operação, a iniciativa já registra um expressivo número de 6.912 usuários cadastrados.
A expansão do teleatendimento demandará investimentos de aproximadamente R$ 70 milhões até o final do ano.
Este montante faz parte de um plano abrangente de ações, implementado pelo Ministério da Saúde este ano, que visa à prevenção, qualificação profissional e ao aumento do acesso da população aos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps).
O objetivo é aprimorar a assistência a pessoas com problemas decorrentes de jogos de apostas.
Adicionalmente, a pasta destinará R$ 6 milhões para financiar uma pesquisa nacional inédita. O estudo buscará compreender como os jogos e apostas impactam a saúde dos brasileiros.
A pesquisa tem como meta identificar os grupos mais vulneráveis e os principais riscos associados a essa prática.
Com base nos dados coletados, o governo federal terá subsídios para desenvolver e implementar políticas públicas e ações de atendimento e prevenção mais eficazes no âmbito do SUS.
Recursos
Uma parcela dos recursos essenciais para a execução do plano provém dos R$ 45,7 milhões (em valores não corrigidos) recebidos pela pasta em 2025.
Este montante corresponde à destinação social das apostas esportivas, conhecidas como "bets".
O valor total transferido ao Ministério da Saúde no ano anterior representa 1% do Produto da Arrecadação de tributos. Esses tributos são pagos tanto pelas empresas de apostas quanto pelos próprios apostadores.
Em 2025, o Produto da Arrecadação totalizou R$ 4,5 bilhões, sendo distribuído entre diversas áreas.
A saúde recebeu 1%, educação 10%, turismo 28%, esportes 36%, segurança pública 13,6%, seguridade social 10% e outras destinações 1,4%, seguindo os percentuais definidos pela Lei nº 14.790, de 2023.
A legislação vigente estabelece que a totalidade dos recursos do Produto da Arrecadação destinados ao Ministério da Saúde deve ser empregada em ações de prevenção, controle e mitigação dos danos sociais resultantes da prática de jogos.
Ao ser questionado pela Agência Brasil sobre a suficiência dos R$ 45,7 milhões para cobrir os custos adicionais do SUS decorrentes da crescente demanda por atendimentos a pessoas com problemas de jogos, o ministério informou que não é possível mensurar o custo específico desses atendimentos.
Isso se deve ao fato de que tais serviços são prestados em conjunto com outras ações de média e alta complexidade da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), que somaram aproximadamente R$ 2,5 bilhões apenas em 2025.
Contudo, o ministério garantiu que “a destinação social constitui uma fonte de financiamento significativa, que é complementada por recursos do orçamento próprio da pasta”.
Como acessar
Para acessar o serviço de teleatendimento em saúde mental oferecido pelo SUS, o cidadão deve primeiramente realizar o cadastro através do aplicativo Meu SUS Digital.
Em seguida, para utilizar o serviço, é necessário baixar o aplicativo, disponível gratuitamente para Android, iOS ou em versão web, e criar uma conta Gov.br ou utilizar uma já existente.
O Meu SUS Digital também disponibiliza material informativo abrangente sobre sinais de alerta, estratégias de prevenção e o impacto dos jogos na saúde mental.
A plataforma oferece um autoteste validado por especialistas. Caso o usuário, ao preencher o questionário, obtenha um resultado que indique risco moderado ou elevado, será automaticamente direcionado para o teleatendimento.
Para situações de menor risco, o indivíduo receberá orientação para buscar apoio qualificado em Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou em Unidades Básicas de Saúde (UBS).
A Ouvidoria do SUS também possui capacitação para fornecer orientações sobre a temática. Seus profissionais atendem pelo telefone 136, via teleatendimento, formulário, WhatsApp ou chatbot no site do Ministério da Saúde.
É importante ressaltar que todas as informações tratadas seguem rigorosamente as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
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Cartilha
A Organização Mundial da Saúde (OMS) categoriza os problemas relacionados a jogos de apostas como um comportamento potencialmente danoso à saúde mental.
Há uma associação direta com ansiedade, depressão, outros comportamentos compulsivos e um risco elevado de suicídio e autolesão.
No Brasil, o SUS registrou um aumento de 104% no número de atendimentos para casos de jogo patológico e mania de jogo e aposta entre janeiro de 2018 e maio de 2025.
Das 10.553 ocorrências atendidas nesse período, 4.316 foram em caráter ambulatorial e 6.237 na Atenção Primária à Saúde.
Observa-se uma alta prevalência entre homens e indivíduos na faixa etária de 20 a 49 anos, embora o aumento de casos envolvendo jovens esteja gerando preocupação entre os especialistas.
A gravidade do problema já motivou diversas iniciativas públicas. Em dezembro de 2025, por exemplo, o governo federal implementou a Plataforma Centralizada de Autoexclusão.
Esta ferramenta permite que os interessados bloqueiem seu próprio acesso a todos os sites de apostas legalmente autorizados a operar no país.
Até o final de maio, a ferramenta já havia sido utilizada por mais de meio milhão de pessoas.
Em janeiro deste ano, o Ministério da Saúde lançou o "Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas".
O objetivo do material é oferecer orientação para o acolhimento, acompanhamento e tratamento de indivíduos impactados por jogos e apostas. O guia está disponível para acesso no site oficial do ministério.
Nesta sexta-feira (19), o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou o Decreto nº 13.033. Este decreto tem como finalidade intensificar o combate ao mercado ilegal de apostas.
Entre as medidas previstas, o texto estabelece que os recursos confiscados de "bets" ilegais poderão ser empregados no enfrentamento ao crime organizado.

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