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Terça-feira, 25 de Agosto 2026
Notícias/Direitos Humanos

Estudo da ACT Promoção da Saúde revela táticas de blackwashing e o antirracismo de aparência em empresas

Pesquisadores detalham como corporações instrumentalizam a causa antirracista para disfarçar a busca por lucro, definindo o blackwashing como uma estratégia corporativa.

Estudo da ACT Promoção da Saúde revela táticas de blackwashing e o antirracismo de aparência em empresas
© Imagem Joédson Alves/Agência Brasil
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Pesquisadores da organização não governamental (ONG) ACT Promoção da Saúde publicaram recentemente um estudo aprofundado que desvenda o conceito de blackwashing, uma tática utilizada por empresas para alavancar suas marcas e lucrar, instrumentalizando a causa antirracista. O levantamento questiona o verdadeiro engajamento corporativo na pauta racial.

Com 133 páginas, o documento, disponível no site da ONG, cataloga diversas práticas de comunicação e marketing empregadas por companhias que adotam uma "aparência antirracista".

O que é blackwashing

O termo blackwashing, que pode ser traduzido como "lavagem racial", refere-se à prática de mascarar ou "maquiar" a diversidade racial. Ele se assemelha a conceitos como greenwashing, relacionado à sustentabilidade ambiental, e pinkwashing, que aborda a pauta LGBTQIA+.

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De acordo com os pesquisadores, blackwashing é uma "tática corporativa que instrumentaliza a causa antirracista para disfarçar a busca implacável por lucro".

Essa abordagem é criticada por apresentar um engajamento superficial com as pautas de justiça racial, sem, contudo, abordar as iniquidades raciais de forma estrutural.

Os pesquisadores mapearam oito variedades de blackwashing:

  • Divulgação seletiva: Comunicação corporativa que enfatiza apenas melhorias em questões raciais, omitindo áreas de estagnação ou piora. É uma forma de "antirracismo de aparência".
  • Políticas e reivindicações vazias: Implementação de políticas que prometem transformação radical nas relações raciais, mas possuem baixo poder de execução ou potencial limitado para alterar o status quo.
  • Certificações duvidosas: Uso de selos de terceiros para promover produtos ou empresas como benéficos para pessoas negras, sem comprovação robusta.
  • Apoio e parceria com ONGs cooptadas: Associação com organizações atuantes na pauta racial para legitimar esforços corporativos em equidade, muitas vezes sem impacto real.
  • Programas voluntários sem eficiência: Criação de programas e códigos de conduta para equidade racial no ambiente de trabalho, mas com mecanismos de aplicação frágeis.
  • Narrativas e discursos enganosos: Campanhas de marketing que posicionam a corporação como antirracista, independentemente de seu histórico real na área.
  • Marcas enganosas: Utilização estratégica de logos, influenciadores e vozes para sugerir que a marca possui um compromisso antirracista.
  • Acessar e influenciar a formulação de políticas: Intervenção em espaços de decisão sobre políticas de equidade racial, saúde e direitos da população negra.

Sem representatividade no topo

O estudo, ao evidenciar a representatividade racial como mera fachada em algumas empresas, corrobora seus achados com dados de um levantamento do Instituto Ethos, que analisou as 1.100 maiores companhias do Brasil.

A pesquisa aponta para a persistente baixa representatividade de pessoas negras, especialmente mulheres, em cargos de liderança.

Apesar de 55,5% da população brasileira se identificar como preta ou parda, este grupo ocupa menos de 6% dos assentos em conselhos corporativos e menos de 14% dos cargos executivos e de diretoria.

O relatório também critica a falta de transparência, indicando que muitas organizações promovem iniciativas de diversidade sem, contudo, divulgar dados claros sobre a composição racial de seus quadros de liderança.

Os autores do estudo enfatizam que o blackwashing "não é um desvio de percurso, mas uma peça de engrenagem que mantém a desigualdade racial funcional à acumulação".

Para os pesquisadores, o combate a essa prática exige mais do que meras denúncias isoladas ou apelos éticos.

Eles argumentam que "requer a construção de respostas capazes de incidir sobre a arquitetura que o torna possível".

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

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