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Terça-feira, 25 de Agosto 2026
Notícias/Economia

Dívida Pública Federal atinge mais de R$ 9 trilhões em maio, impulsionada pela Taxa Selic

Tesouro Nacional revela que o endividamento cresceu 2,66%, com destaque para o aumento da Dívida Pública Federal externa.

Dívida Pública Federal atinge mais de R$ 9 trilhões em maio, impulsionada pela Taxa Selic
© José Cruz/Agência Brasil
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A Dívida Pública Federal (DPF) ultrapassou a marca de R$ 9 trilhões em maio, impulsionada significativamente pela intensa emissão de títulos atrelados à Taxa Selic. Conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta sexta-feira (26), o montante total da DPF registrou um aumento de 2,66% em relação a abril, saltando de R$ 8,798 trilhões para R$ 9,033 trilhões no último mês.

Este patamar de endividamento segue a tendência de alta observada em agosto do ano anterior, quando o indicador já havia superado R$ 8 trilhões. Contudo, o Tesouro Nacional ressalta que o atual volume da dívida pública permanece dentro das projeções. O Plano Anual de Financiamento (PAF), divulgado em janeiro, estima que o estoque da DPF deve situar-se entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões até o final de 2026.

Especificamente, a Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) apresentou um crescimento de 2,72%, elevando-se de R$ 8,462 trilhões em abril para R$ 8,692 trilhões em maio. Esse incremento resultou de uma emissão líquida de R$ 135,61 bilhões em títulos pelo Tesouro Nacional no período, predominantemente em papéis indexados à Taxa Selic. Além disso, a apropriação de juros no valor de R$ 94,17 bilhões contribuiu para essa elevação.

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A apropriação de juros representa o reconhecimento mensal, por parte do governo, da correção dos juros incidentes sobre os títulos, incorporando esse valor ao estoque da Dívida Pública. Com a Taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia, fixada em 14,25% ao ano, esse mecanismo exerce uma pressão considerável sobre o endividamento federal.

Em maio, o Tesouro Nacional efetuou a emissão de R$ 166,23 bilhões em títulos da DPMFi, um volume inédito desde o começo da série histórica. Esse recorde foi atribuído, principalmente, à rolagem de títulos atrelados à Selic que venceram em março, somada à oferta de novos papéis para atender à demanda dos investidores no mês.

Os resgates de títulos, por sua vez, totalizaram R$ 30,62 bilhões em maio, um valor considerado baixo para o perfil de operações do Tesouro Nacional. Essa particularidade deve-se ao fato de que, historicamente, o segundo mês de cada trimestre apresenta um volume menor de vencimentos de títulos.

A Dívida Pública Federal externa (DPFe) também registrou um aumento, de 1,28%, passando de R$ 335,88 bilhões em abril para R$ 340,49 bilhões em maio. A valorização de 1,37% do dólar no período foi o principal elemento que impulsionou essa elevação.

Colchão da Dívida Pública

Após um período de quedas nos meses anteriores, o 'colchão da dívida pública', que serve como uma reserva financeira estratégica para momentos de instabilidade ou alta concentração de vencimentos, apresentou recuperação. Essa reserva expandiu-se de R$ 1,091 trilhão em abril para R$ 1,211 trilhão em maio, alcançando seu maior patamar desde novembro de 2025. O Tesouro Nacional atribui essa elevação ao volume de emissões que superou os resgates no mês.

Atualmente, o montante do colchão é suficiente para cobrir 9,14 meses de vencimentos da Dívida Pública. Para os próximos 12 meses, a previsão é de vencimento de R$ 1,804 trilhão em títulos federais.

Composição da Dívida Pública Federal

A intensa emissão de títulos indexados à Taxa Selic impactou a composição da DPF, resultando nas seguintes variações entre abril e maio:

  • Títulos vinculados a Selic: 48,59% para 48,99%;
  • Títulos corrigidos pela inflação: 26,76% para 26,26%;
  • Títulos prefixados: 20,85% para 21%;
  • Títulos vinculados ao câmbio: 3,8% para 3,75%.

O Plano Anual de Financiamento (PAF) projeta que, ao final do ano, a composição dos títulos se manterá nos seguintes intervalos:

  • Títulos vinculados a Selic: 46% a 50%;
  • Títulos corrigidos pela inflação: 23% a 27%;
  • Títulos prefixados: 21% a 25%;
  • Títulos vinculados ao câmbio: 3% a 7%.

Os títulos prefixados, cujas taxas são estabelecidas no momento da emissão, geralmente conferem maior previsibilidade à gestão da Dívida Pública. Contudo, em cenários de instabilidade no mercado financeiro, a emissão desses papéis tende a diminuir, uma vez que os investidores demandam juros mais elevados, o que poderia comprometer a administração da dívida governamental.

Por outro lado, os títulos atrelados à Taxa Selic continuam a despertar grande interesse entre os investidores, impulsionados pelas elevadas taxas de juros definidas pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A dívida cambial, por sua vez, engloba tanto os antigos títulos da dívida interna corrigidos em dólar quanto a própria dívida externa.

Prazo médio da Dívida Pública Federal

O prazo médio da DPF registrou uma leve redução, passando de 4,12 para 4,07 anos. O Tesouro Nacional disponibiliza essa estimativa apenas em anos, não em meses. Este indicador representa o tempo médio que o governo leva para refinanciar sua Dívida Pública, sendo que prazos mais longos geralmente sinalizam maior confiança dos investidores na capacidade do Estado de cumprir suas obrigações financeiras.

Detentores da Dívida Pública Federal

A distribuição dos detentores da Dívida Pública Federal interna apresentou a seguinte configuração:

  • Instituições financeiras: 31,54% do estoque;
  • Fundos de pensão: 22,92%;
  • Fundos de investimentos: 21,74%;
  • Não-residentes (estrangeiros): 10,14%
  • Demais grupos: 13,67%.

Em decorrência das tensões no mercado financeiro global em maio, exacerbadas pela guerra no Oriente Médio, a participação de investidores não residentes (estrangeiros) na Dívida Pública interna diminuiu para 10,14%, comparado aos 10,38% registrados em abril. Uma maior fatia de estrangeiros na dívida interna é usualmente interpretada como um sinal de confiança no cenário econômico brasileiro.

A Dívida Pública Federal representa o instrumento pelo qual o governo capta recursos junto a investidores para financiar seus compromissos financeiros. Em contrapartida, o Estado se compromete a reembolsar esses valores após determinado período, acrescidos de uma correção que pode ser atrelada à Taxa Selic, à inflação, ao câmbio do dólar ou ser estabelecida de forma prefixada.

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

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