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Terça-feira, 25 de Agosto 2026
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Preço da gasolina recua em maio impulsionado pela concorrência do etanol e subvenção governamental

Combustível foi o principal fator de descompressão inflacionária, conforme dados do IPCA divulgados pelo IBGE.

Preço da gasolina recua em maio impulsionado pela concorrência do etanol e subvenção governamental
© Rovena Rosa/Agência Brasil
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Em maio, o preço da gasolina registrou uma queda significativa de 1,46% nos postos brasileiros, atuando como o principal vetor de alívio para a inflação oficial do país. Essa redução foi impulsionada por dois fatores cruciais: a acirrada concorrência com o etanol e a implementação de uma política de subvenção governamental. Conforme os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 12 de maio, a deflação do combustível teve um impacto de -0,08 ponto percentual no indicador mensal.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio fechou em 0,58%, um dado apresentado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última sexta-feira (12).

A retração nos valores da gasolina exerceu uma influência notável, contribuindo com um impacto de -0,08 ponto percentual (p.p.) no IPCA mensal.

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Este recuo nos preços da gasolina contrasta com os dois meses anteriores de alta, período marcado por disrupções na cadeia internacional de petróleo. Tais elevações foram consequências diretas do conflito no Oriente Médio, que impactou os custos de derivados como a gasolina e o óleo diesel globalmente.

Após registrar aumentos de 4,59% em março e 1,86% em abril, o preço da gasolina inverteu a tendência, apresentando uma queda de 1,46% em maio.

Fernando Gonçalves, analista do IBGE, destacou que o etanol apresentou uma redução de 6,2% em seu preço em maio, posicionando-se como o segundo item com maior contribuição para a desaceleração do IPCA. Ele atribuiu essa queda a uma maior disponibilidade do produto no mercado.

Gonçalves detalhou que a maior rentabilidade do etanol incentivou os produtores a direcionarem uma parcela maior da safra de cana-de-açúcar para a fabricação do combustível, em vez de açúcar.

O aumento da oferta de etanol no mercado naturalmente levou à diminuição de seu preço de venda. "Com o etanol mais acessível, a gasolina, pela dinâmica da concorrência, também tende a ter seus preços reduzidos", complementou o analista.

A predominância de veículos flex no Brasil oferece aos motoristas a flexibilidade de optar entre gasolina e etanol no momento do abastecimento, intensificando a pressão competitiva entre os dois combustíveis.

A influência da subvenção governamental

Outro fator determinante para a redução do preço da gasolina foi a política de subvenção implementada pelo governo, que consiste em um mecanismo de reembolso destinado a produtores e importadores do combustível.

Essa iniciativa governamental visa mitigar o impacto da volatilidade dos custos dos derivados de petróleo, prevenindo um choque inflacionário no mercado doméstico.

Atualmente fixada em R$ 0,44 por litro, a subvenção representa o montante que o governo repassa aos agentes do mercado, com a condição de que esse "desconto" seja transferido diretamente aos consumidores finais.

Essencialmente, a medida funciona como uma devolução parcial, por parte do governo, dos tributos federais incidentes sobre os combustíveis — como o Programa de Integração Social (PIS), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) — a refinarias e importadores.

Essa política foi fundamental para absorver grande parte de um reajuste de R$ 0,48 anunciado recentemente pela Petrobras, a principal produtora de gasolina no Brasil. Desse aumento, apenas R$ 0,04 foi efetivamente repassado aos consumidores.

O cenário do óleo diesel

A política de subvenção se estendeu igualmente ao óleo diesel, combustível amplamente utilizado por veículos de transporte de carga e passageiros. Em maio, o IBGE registrou uma queda de 2,34% no preço do diesel, colocando-o como o quarto produto de maior influência deflacionária no IPCA.

Nos meses anteriores, o diesel havia experimentado fortes elevações: 13,9% em março, o primeiro mês do conflito no Oriente Médio, e 4,46% em abril.

Para o diesel, a subvenção alcançou R$ 1,52 por litro para importadores e R$ 1,12 por litro para produtores em maio, valores que demonstram o esforço governamental para estabilizar seus preços.

Impacto do frete nos alimentos

Entre os nove grupos de produtos e serviços analisados pelo IBGE, o setor de transportes – que engloba os combustíveis – foi o único a registrar deflação em maio, com uma média de -0,46%, indicando uma redução geral de custos.

Contudo, mesmo com a deflação nos transportes, o custo do frete continuou a exercer pressão, contribuindo para a alta de 1,33% nos preços dos alimentos e bebidas. Este grupo foi o maior vetor de inflação no IPCA de maio, com um impacto de 0,29 p.p.

"Embora o frete tenha apresentado uma queda, ele ainda representa um custo significativo que onera os preços dos alimentos", observou o analista Fernando Gonçalves.

Conflito no Oriente Médio e a volatilidade do petróleo

O conflito iniciado no último fim de semana de fevereiro, envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, gerou desdobramentos como ataques a nações vizinhas produtoras de petróleo. Uma consequência crítica foi o bloqueio do Estreito de Ormuz, ao sul do Irã, uma rota marítima vital que conecta os golfos Pérsico e de Omã. Antes da escalada bélica, aproximadamente 20% da produção global de petróleo e gás natural transitava por essa passagem.

Essa turbulência na cadeia logística global resultou em uma redução da oferta de óleo cru e seus derivados, culminando em uma acentuada elevação dos preços. O barril de Brent, benchmark internacional, disparou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 100, com picos que se aproximaram dos US$ 120.

Sendo o petróleo uma commodity negociada em mercados internacionais, a valorização global repercutiu diretamente no Brasil, impactando os custos mesmo sendo o país um produtor.

No que tange ao óleo diesel, a dependência externa do Brasil é notável, pois o país não é autossuficiente e necessita importar aproximadamente 30% de seu consumo total.

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

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