O governo federal descartou, nesta sexta-feira, o retorno do subsídio ao diesel no valor adicional de R$ 0,35 por litro, suspenso em julho. De acordo com o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a recente alta do petróleo no mercado internacional ainda não gerou impacto suficiente nos postos brasileiros que justifique a retomada da subvenção extra.
"Considerando nossa estratégia de suavização de preços, é preciso olhar o que está acontecendo no preço final ao consumidor", afirmou Moretti durante a apresentação do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas.
O ministro explicou que o governo optou por preservar a ajuda de R$ 1,12 por litro do combustível e desacelerar a retirada gradual do benefício diante da piora do cenário externo, embora o custo fiscal já seja elevado para a União.
Manutenção dos incentivos nos combustíveis
Apesar do veto ao adicional do diesel, a equipe econômica prorrogou por mais um mês a subvenção de R$ 0,44 por litro da gasolina. Somados, os apoios atuais representam um gasto mensal expressivo:
- Diesel: custo estimado em cerca de R$ 5,5 bilhões por mês com a ajuda de R$ 1,12.
- Gasolina: impacto fiscal calculado em R$ 1,3 bilhão mensais.
Pressão internacional e impacto fiscal
A retirada dos benefícios havia sido iniciada após o alívio das tensões no Oriente Médio, mas o recrudescimento dos conflitos voltou a pressionar as cotações internacionais do barril, que beiram os US$ 100.
Até junho, o Tesouro desembolsou R$ 14,55 bilhões em créditos extraordinários para mitigar as altas. Os repasses somaram R$ 7 bilhões em junho e preveem outro montante idêntico em julho, além de acordos de ICMS com os estados.
Apesar do aumento dos gastos, o governo projeta manter a meta fiscal de superávit primário em R$ 10,8 bilhões. A elevação de despesas é parcialmente compensada pelo imposto de 12% sobre a exportação de petróleo bruto.

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