Nesta quinta-feira (13), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, criticou a pressão exercida por instituições não bancárias para acessar o Fundo Garantidor de Crédito. Durante evento comemorativo de 30 anos da entidade, o executivo afirmou que empresas de pequeno e médio porte tentam captar recursos no varejo sob a proteção do mecanismo, mesmo sem possuir ativos compatíveis para a operação.
Segundo Galípolo, a prática deve ser inibida e coibida pelos órgãos reguladores. Ele destacou que a autoridade monetária vem atuando em conjunto com a entidade para implementar uma sucessão de medidas de proteção ao mercado.
Assimetria regulatória e proteção do sistema
O principal gargalo apontado pelo presidente da autarquia é a assimetria regulatória. Ao buscarem atuar como bancos, essas intermediárias disputam investidores oferecendo prazos maiores e menor exigência de garantias, mas submetem-se a regras de captação mais flexíveis.
Galípolo lembrou que o modelo de negócios bancário envolve captar recursos a custos mais baixos do que os emprestados. Contudo, devido a riscos de inadimplência e crises de liquidez, os bancos continuam falíveis, tornando a proteção das garantias indispensável para conter corridas bancárias.
Histórico do FGC e o caso Banco Master
A declaração ocorreu durante as celebrações dos 30 anos do mecanismo de proteção, criado em 16 de novembro de 1995 para proteger pequenos poupadores. O fundo é financiado por contribuições das próprias instituições financeiras associadas.
Recentemente, a entidade desempenhou papel decisivo ao ressarcir clientes impactados pelas fraudes no Banco Master, desembolsando cerca de R$ 40,6 bilhões para cobrir 1,6 milhão de credores. O episódio levou à aprovação de um plano emergencial para recompor o caixa do fundo.
Atualmente, as regras preveem ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada instituição financeira, respeitando o teto global de R$ 1 milhão a cada período de quatro anos.
Além do debate regulatório, o evento marcou a abertura da exposição que conta as três décadas de história da instituição. A mostra permanecerá aberta na sede da B3, em São Paulo, até 30 de setembro.

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