A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio de seu boletim InfoGripe divulgado nesta quinta-feira (9), aponta para uma tendência de queda nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível nacional. No entanto, nove capitais brasileiras ainda exibem crescimento da doença, com destaque para a Influenza B, que segue em ascensão em estados da Região Centro-Sul.
Influenza B em alta em regiões específicas
O boletim detalha que os casos graves associados à Influenza B continuam a aumentar no Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Em contrapartida, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo demonstram sinais de estabilização ou início de declínio na incidência da síndrome.
Capitais sob observação
Até a Semana Epidemiológica 26, nove das 27 capitais brasileiras apresentaram níveis de atividade de SRAG classificados como alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, com crescimento observado na tendência de longo prazo. São elas: Belo Horizonte, Boa Vista, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, Manaus, Palmas, Porto Alegre e Rio Branco.
Outras 11 capitais, incluindo Aracaju, Belém, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, João Pessoa, Macapá, Maceió, Rio de Janeiro, Salvador e São Luís, registram incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem crescimento sustentado nas últimas seis semanas.
Grupos mais afetados
A análise da Fiocruz revela que o aumento de casos em Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre está concentrado principalmente em crianças com menos de 2 a 4 anos. Em Rio Branco, o crescimento abrange crianças e adolescentes de 2 a 14 anos. Já em Belo Horizonte, Florianópolis, Manaus e Rio Branco, observa-se também um aumento entre idosos.
A pesquisadora Tatiana Portella, do InfoGripe, enfatiza que, apesar da redução geral dos casos, a circulação de vírus respiratórios permanece elevada em diversas partes do país. Ela reforça a importância da vacinação contra a influenza para grupos prioritários, visando a redução de hospitalizações e mortes.
Portella também aconselha que indivíduos com sintomas respiratórios evitem contato com pessoas mais vulneráveis, como idosos e crianças pequenas, e utilizem máscara ao apresentar manifestações da doença.
Composição viral e mortalidade
Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, os vírus respiratórios mais frequentes em casos com resultado laboratorial positivo foram o vírus sincicial respiratório (VSR), com 55,9%, seguido por rinovírus (23,3%), Influenza A (12,7%) e Influenza B (8,4%). O Sars-CoV-2, causador da covid-19, representou 2,2%.
Em relação aos óbitos, a Influenza A foi a principal causa (33,1%), seguida por rinovírus (26,3%), VSR (21,7%), Influenza B (15,4%) e covid-19 (6,9%).
Panorama geral de SRAG no Brasil
Desde o início do ano, o Brasil registrou 109.347 casos de SRAG. Desses, 51,7% tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 34,5% foram negativos e 7,5% aguardam confirmação.
O boletim indica que, nacionalmente, os casos de SRAG estão em queda ou estabilizados entre pessoas de 2 a 49 anos e idosos com 65 anos ou mais. Uma leve elevação é observada na faixa etária de 50 a 64 anos, enquanto crianças menores de 2 anos apresentam estabilização.
A Fiocruz reitera que a incidência semanal da síndrome é mais alta em crianças pequenas, majoritariamente devido ao VSR. A mortalidade continua concentrada entre idosos, com a Influenza A como principal agente etiológico. Casos de SRAG associados à covid-19 permanecem em baixos níveis em todas as faixas etárias.

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