Em um cenário onde a fé e a ancestralidade enfrentam barreiras crescentes de violência, a informação torna-se a ferramenta de defesa mais poderosa. Aproveitando o Abril Verde — mês instituído por lei no estado do Rio de Janeiro para ações contra o racismo religioso — a organização de mulheres negras CRIOLA lança a segunda edição da cartilha "Terreiros em Luta: Caminhos para o Enfrentamento ao Racismo Religioso".
O guia chega em um momento crítico. Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, as denúncias de ataques contra terreiros dispararam 67% em apenas um ano, saltando de 1.418 casos em 2023 para 2.472 em 2024.
Um guia prático para a resistência
A cartilha não é apenas informativa, mas um instrumento estratégico. Ela foi pensada para capacitar lideranças de matriz africana e instituições da sociedade civil, oferecendo:
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Mapeamento de leis atualizadas;
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Canais de denúncia eficazes;
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Orientações jurídicas específicas para crimes de racismo;
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Estratégias de incidência em âmbitos nacional e internacional.
Racismo Religioso: Mais que Intolerância
Desde 2023, o Brasil deu um passo legislativo importante: o racismo religioso passou a ser enquadrado como crime de racismo, tornando-se inafiançável e imprescritível. Para Maiah Lunas, diretora executiva de CRIOLA, essa distinção é vital.
"É fundamental compreender que o racismo religioso vai além da intolerância, pois está diretamente ligado à discriminação histórica contra as religiões de matriz africana. O enfrentamento passa pelo fortalecimento das comunidades e pela ampliação do acesso à informação sobre seus direitos", destaca Lunas.
A diretora ainda ressalta que as mulheres negras e a população LGBTQIAPN+ são os alvos mais frequentes dessas violações, o que reforça a necessidade de um olhar interseccional sobre o problema.
O que configura o crime?
O racismo religioso manifesta-se de diversas formas, muitas vezes orquestradas por grupos armados ou milícias. A cartilha detalha essas práticas:
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Agressões físicas e verbais contra adeptos;
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Depredação e invasão de espaços sagrados;
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Proibição de paramentos e símbolos religiosos;
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Ataques em redes sociais e ambientes escolares.
Parcerias e Acesso
A obra é fruto de uma construção coletiva, realizada em parceria com o Ilê Axé Omiojuarô (RJ) e o Ilê Axé Omi Ogun Siwajú (BA), com apoio do Instituto de Raça, Igualdade e Direitos Humanos e órgãos estaduais.
A cartilha "Terreiros em Luta" será disponibilizada em formato digital com distribuição gratuita, visando alcançar o maior número possível de comunidades em território nacional.
Sobre CRIOLA
Fundada em 1992, CRIOLA é uma organização conduzida por mulheres negras que atua na defesa de direitos e na erradicação do racismo patriarcal. A instituição trabalha para garantir a democracia, a justiça e o conceito de Bem Viver para meninas e mulheres negras, cis e trans.
Serviço:
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Onde encontrar: Disponível no site oficial da organização CRIOLA.
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Custo: Gratuito.

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