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Quinta-feira, 20 de Agosto 2026
Notícias/Direitos Humanos

No Dia Nacional do Orgulho Lésbico, ativistas cobram saúde e igualdade no trabalho

Pesquisa aponta que oito em cada dez lésbicas sofrem violência no Brasil. Movimentos sociais exigem inclusão no SUS, trabalho digno e políticas públicas eficazes.

No Dia Nacional do Orgulho Lésbico, ativistas cobram saúde e igualdade no trabalho
© Fernando Frazão/Agência Brasil
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Nesta quarta-feira (19), data em que se celebra o Dia Nacional do Orgulho Lésbico, lideranças e movimentos sociais do Brasil cobram avanços urgentes em saúde, trabalho digno e no combate às violências. A mobilização busca visibilidade e o fortalecimento de direitos para garantir proteção a essa parcela da população que ainda enfrenta altos índices de discriminação.

Segundo o LesboCenso Nacional, mapeamento conduzido pela Liga Brasileira de Lésbicas e pela Associação Lésbica Feminista de Brasília (Coturno de Vênus), cerca de 80% das mulheres lésbicas enfrentam episódios diários de violência no país. O levantamento destaca a lesbofobia, o assédio moral e o assédio sexual como as agressões mais frequentes.

Para analisar o cenário atual de reivindicações, a assistente social Michele Seixas, coordenadora política da Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL), apontou a necessidade urgente de uma saúde pública integral e de igualdade de oportunidades no mercado de trabalho.

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Saúde

Michele defende um atendimento especializado no Sistema Único de Saúde (SUS), capaz de acolher as especificidades das mulheres lésbicas com profissionais devidamente capacitados. Segundo a especialista, o setor de saúde permanece como um gargalo histórico de invisibilidade e violação de direitos para essa população.

A coordenadora lamenta a influência de preconceitos e do fundamentalismo religioso no ambiente clínico, aliada à ausência de formação continuada. Embora alguns municípios ofereçam capacitação online, a adesão voluntária resulta em um número reduzido de participantes entre os profissionais da área.

Uma das reivindicações centrais é a obrigatoriedade do registro de orientação sexual durante a anamnese clínica. Assim como já ocorre com a autodeclaração de raça e cor, a medida é considerada fundamental para direcionar um cuidado médico adequado e humanizado.

Direitos reprodutivos

A ativista critica a atual Política de Planejamento Familiar no Brasil por ignorar as demandas de casais lésbicos. O movimento reivindica o acesso universal à dupla maternidade por meio de técnicas de reprodução assistida na rede pública.

Atualmente, o direito de constituir uma família costuma ficar restrito às mulheres com maior poder aquisitivo. Michele ressalta que o despreparo nos postos de saúde ainda é um grande obstáculo para quem busca orientação reprodutiva adequada.

Assistência social

Outra fragilidade apontada é o não reconhecimento das famílias lésbico-afetivas na Política Nacional de Assistência Social (PNAS). A falta de cadastramento oficial impede que esses arranjos familiares sejam contabilizados e beneficiados por programas sociais governamentais.

Mercado de trabalho

A discriminação também afeta diretamente o acesso a postos formais de trabalho. Michele Seixas, que atua na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), explica que a exclusão é ainda mais intensa para lésbicas que desafiam a feminilidade tradicional, conhecidas como desfeminilizadas ou desfem.

Relatos indicam que muitas mulheres precisam alterar sua apresentação pessoal durante processos seletivos para conseguir um emprego. Além disso, a combinação de lesbofobia e racismo agrava significativamente as barreiras enfrentadas por mulheres lésbicas negras no cotidiano corporativo.

Escassez de dados oficiais

A ausência de estatísticas governamentais dificulta a elaboração de políticas públicas eficazes para este público. As principais referências nacionais vêm de pesquisas independentes, como o Dossiê do Lesbocídio e as etapas do próprio Lesbocenso.

Avanços e canais de denúncia

Embora avanços gerais da comunidade LGBTQIA+ tenham sido conquistados — como o casamento igualitário e o direito à adoção —, a pauta lésbica ainda carece de marcos legislativos exclusivos. Para casos de violência, as denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, serviço gratuito e disponível 24 horas, ou pelo 190 em emergências.

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

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