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Segunda-feira, 14 de Setembro 2026
Direitos Humanos

Mulheres e negros avançam em cargos públicos, mas desigualdade persiste no topo

Pesquisas do Ipea, em parceria com Movimento Pessoas à Frente e Fundação Lemann, revelam aumento da diversidade, porém com sub-representação no alto escalão.

Mulheres e negros avançam em cargos públicos, mas desigualdade persiste no topo
© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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Apesar do aumento na representatividade de mulheres e pessoas negras em posições de liderança no serviço público brasileiro, a desigualdade de gênero e raça no alto escalão ainda é uma realidade marcante. Dados recentes indicam que, entre 1999 e 2025, homens ocuparam 75% dos cargos de direção e pessoas brancas, 78%, enquanto pretos e pardos representaram cerca de 3% e 14%, respectivamente. Essas informações integram uma série de três estudos sobre lideranças públicas no Brasil, conduzidos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em colaboração com o Movimento Pessoas à Frente e a Fundação Lemann.

Os pesquisadores divulgaram os resultados nesta terça-feira (16), ressaltando que, embora haja um avanço notável, especialmente para as mulheres que hoje respondem por quase 40% dos cargos de chefia, a diversidade ainda não espelha a composição da sociedade brasileira.

A concentração de maior diversidade é observada em ministérios como o da Igualdade Racial e o das Mulheres. Os estudos também apontam que a contratação de profissionais externos ao serviço público tem sido um vetor importante para aumentar a representatividade, com mulheres e negros sendo mais frequentes entre esses recrutados. Esse modelo de contratação, majoritário até por volta de 2004, sofreu um declínio devido a legislações que passaram a exigir percentuais mínimos de servidores de carreira em posições de chefia.

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A pesquisa também desmistifica a ideia de que indicações políticas seriam o principal caminho para ascender a cargos de alta gestão no setor público. Um dos estudos, "As Várias Faces da Burocracia Dirigente: Perfil da Alta Liderança na Administração Federal Brasileira", revela que, no período de 1999 a 2025, 63% dos ocupantes de cargos de alto escalão eram servidores públicos concursados. Desses, 75% possuíam experiência prévia no setor, 86% tinham ensino superior completo e apenas 10% possuíam pós-graduação.

Um segundo estudo, "Perda ou Circulação de Lideranças? Trajetórias dos Dirigentes Públicos Brasileiros na RAIS, 2009-2023", analisou a permanência em órgãos e cargos específicos, constatando que 57% dos vínculos duram até dois anos. Contudo, a trajetória de liderança se estende além: 79% dos dirigentes continuam em posições de liderança em outros órgãos após dois anos, e 80% dos que deixam um cargo de chefia permanecem no setor público no ano seguinte.

Um fenômeno notável identificado é o "efeito bumerangue", onde 44% dos dirigentes federais retornam ao mesmo órgão público após deixá-lo. Os estudos interpretam essa dinâmica como uma circulação de lideranças dentro do próprio Estado, contribuindo para o acúmulo de experiência e a profissionalização da gestão.

Felix Lopez, coordenador-geral da pesquisa e autor do terceiro estudo, "Mobilidade Vertical e Trajetória dos Dirigentes na Burocracia do Executivo Federal", destacou a relevância dos achados para a compreensão da governança pública.

Lopez explicou que os resultados indicam uma realidade mais complexa do que o senso comum sugere, onde há uma convergência entre as demandas políticas e o funcionamento estatal no topo da burocracia federal. Ele contrapõe as visões simplistas de cargos como meras trocas políticas ou de uma burocracia puramente técnica, afirmando que a realidade é multifacetada.

As versões completas dos estudos serão publicadas em breve em uma edição especial do Boletim de Análise Político-Institucional (Bapi) do Ipea, focada em Dirigentes Públicos e Liderança Democrática no Brasil.

Luseni Aquino, diretora do Ipea, ressaltou que as análises se inserem em um debate mais amplo sobre lideranças e capacidades estatais, enfatizando o papel crucial das pessoas e lideranças na administração pública, tanto para a sustentação da máquina quanto como agentes de inovação e transformação do Estado.

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

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