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Belford Roxo, Baixada Fluminense — Há mais de duas décadas, O terreiro de Candomblé transformou-se em um verdadeiro baluarte de direitos humanos, justiça social e resistência contra o racismo e a intolerância religiosa. A Associação Kwe Omi Osoguiãn, fundada em 13 de junho de 2008 por um grupo familiar, nasceu como casa de matriz africana, com o propósito inicial de oferecer orientação espiritual e cuidado às pessoas. O que o fundador, Eduardo Rodrigues — Doté Eduardo de Osoguiãn, presidente da instituição — ainda não sabia, é que esse caminho se expandiria muito além dos muros do terreiro.
Ao longo dos anos, a casa se transformou em uma organização privada sem fins lucrativos, dedicada à defesa de direitos sociais, ao fortalecimento de vínculos familiares e ao apoio educacional, desenvolvendo atividades que vão desde a saúde e assistência alimentar até cultura, esporte, meio ambiente e geração de trabalho e renda. Hoje, a associação atende territórios em diversos municípios do estado do Rio de Janeiro, com foco especial em Duque de Caxias, Belford Roxo, Nova Iguaçu e regiões adjacentes, levando ações a pessoas em situação de extrema vulnerabilidade social.
Uma conquista de resistência: a formalização em 2024
A trajetória da Kwe Omi Osoguiãn é também uma história de luta contra o racismo estrutural. Apesar de mais de 20 anos de atuação, a associação só conseguiu se formalizar em 27 de dezembro de 2024, com o registro no CNPJ nº 58.582.575/0001-40. O processo não foi fácil: barreiras impostas por instituições do Governo Federal tentaram impedir que a entidade existisse legalmente. Mas, como ressaltam seus dirigentes: "existimos, resistimos, alcançamos vidas e mudamos trajetórias". A formalização representa muito mais do que um registro legal: é um ato de afirmação de direitos, de combate à discriminação e de reconhecimento do papel fundamental das organizações de matriz africana na construção de uma sociedade mais justa.
Ações que transformam realidades: saúde, solidariedade e cidadania
A associação mantém uma agenda permanente de ações que colocam os direitos humanos em prática, levando proteção, dignidade e esperança à população:
- Campanhas de Vacinação: Realizadas trimestralmente em parceria com o NAVIR e a Secretaria de Assistência Social dos municípios, levando imunização gratuita e orientação a crianças, adultos e idosos, com atendimento humanizado e foco na prevenção.
- Ações Solidárias Anuais: Páscoa Solidária e Natal Solidária — eventos que levam alegria, alimentos, presentes e convivência a famílias que, frequentemente, não têm acesso a essas celebrações. Mais do que doações, são momentos de afeto, fortalecimento da autoestima e reafirmação do direito à dignidade.
- Festa da Comunidade (outubro): Momento de integração, cultura, lazer e partilha de alimentos, que valoriza as famílias e promove a inclusão social e o sentimento de pertencimento.
- Roda de Conversa: Diálogo, Cidadania e Transformação: Encontros mensais que formam um espaço democrático e seguro de debate sobre temas como direitos humanos, combate ao racismo, intolerância religiosa, igualdade racial, diversidade e inclusão social. As demandas da comunidade são ouvidas, encaminhadas aos poderes públicos e transformadas em luta coletiva por justiça.
Cultura afro como ferramenta de resistência e direito
A valorização da cultura brasileira de raiz africana é um dos pilares da associação, materializada em projetos que unem arte, memória e transformação social:
- Projeto Dançando para Iluminar: Criado em 16 de dezembro de 2017 por Doté Eduardo de Osoguiãn, reúne dança, canto e atuação para valorizar a cultura afro-brasileira e difundir uma mensagem de resistência contra o racismo e a intolerância religiosa. Já se apresentou em espaços como o Via Music Hall (Prêmio Atabaque de Ouro), escolas de samba Inocentes de Belford Roxo e Portela, Casa da Cultura de Belford Roxo, Câmara Municipal de Duque de Caxias, além de escolas e eventos públicos.
- Projeto MOV-MENT-AÇÃO: Aprender para Empreender: Oferece oficinas gratuitas de teatro, dança, artesanato, culinária secular e ancestral e percussão. Voltado a pessoas em vulnerabilidade social, valoriza especialmente mulheres, jovens, adultos e idosos frequentemente invisibilizados. A iniciativa desperta talentos, fortalece a autoestima, preserva saberes tradicionais e abre caminhos para a autonomia e a geração de renda.
O direito sagrado à alimentação: contra a fome, com dignidade
Um dos eixos mais urgentes da atuação da Kwe Omi Osoguiãn é a garantia do direito humano à alimentação adequada, por meio do projeto Kwe-indàná Gil Cuca — Povo de Axé Contra Fome, idealizado e dirigido pelo Babalorixá Eduardo Rodrigues (Doté). À frente da cozinha solidária está o Mestre Gil Cuca, cozinheiro sênior de aviação, que alia técnica e afeto à missão.O projeto opera com rigorosos padrões de higiene e segurança alimentar, preparando refeições com cuidado e qualidade. Entre as ações estão:
- Entrega de cestas básicas;
- Distribuição de quentinhas para moradores de rua e pessoas em situação de vulnerabilidade;
- Ação Mesa Farta e Colorida: Com distribuição de frutas, legumes e verduras in natura, garantindo alimentação saudável e nutritiva.
A iniciativa hoje beneficia mais de 300 famílias cadastradas, sustentada por doações de empresários, da própria comunidade do terreiro e pelo apoio do programa Mesa Brasil, do Governo Federal. A missão é clara: ninguém deve passar fome.
Direitos humanos em cada ação
A trajetória da Associação Kwe Omi Osoguiãn demonstra, na prática, o que significam os direitos humanos: garantia de saúde, alimentação, cultura, respeito à religião, combate ao racismo e igualdade de oportunidades. A entidade prova que as raízes ancestrais e a fé não se separam da cidadania e da justiça social — ao contrário, são força motriz de transformação.A luta continua: contra a fome, contra todo tipo de racismo estrutural, pela garantia de direitos e pela existência plena de um povo que resiste, que cria e que cuida de sua comunidade. Como dizem seus membros: existir é também resistir, e cuidar do outro é lutar por direitos humanos.
Dados da Associação
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Nome | Associação Kwe Omi Osoguiãn |
| Fundação (origem) | 13 de junho de 2008 |
| Formalização legal | 27 de dezembro de 2024 |
| CNPJ | 58.582.575/0001-40 |
| Fundador / Presidente | Babalorixá Doté Eduardo de Osoguiãn (Eduardo Rodrigues) |
| Área de atuação | Duque de Caxias, Belford Roxo, Nova Iguaçu e adjacências — RJ |
| Natureza | Organização privada, sem fins lucrativos |
| Eixos de ação | Direitos sociais, saúde, alimentação, cultura afro, educação, geração de renda, meio ambiente, esporte, assistência a vulneráveis |
| Projetos principais | Dançando para Iluminar, MOV-MENT-AÇÃO, Kwe-indàná Gil Cuca (Povo de Axé Contra Fome), Roda de Conversa, campanhas de vacinação, ações solidárias |
Como Apoiar a Associação Kwe Omi Osoguiãn
Ajude a manter vivas as ações de solidariedade, cultura e direitos humanos realizadas pela Associação Kwe Omi Osoguiãn. Sua contribuição é fundamental para continuarmos transformando vidas na nossa comunidade.
- Contato: (21) 99237-1499
- CNPJ: 58.582.575/0001-40
- Chave Pix (Banco Itaú): 58.582.575/0001-40
Este conteúdo foi produzido com apoio do Programa Orire de Apoio às Mídias Independentes
2026, iniciativa do Instituto Orire voltada ao fortalecimento do jornalismo independente e da
produção de informação de interesse público.

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