A Unidos da Tijuca prepara-se para transformar a Marquês de Sapucaí num manifesto literário. Com um enredo dedicado a Carolina Maria de Jesus, a escola do Borel pretende resgatar a trajetória da mulher que, entre a recolha de papel e a sobrevivência na favela, se tornou uma das autoras brasileiras mais lidas e traduzidas no mundo.
O encontro de gerações: Carolina e Conceição
O desfile ganha uma camada extra de importância com a confirmação da presença de Conceição Evaristo. A criadora do conceito de "escrevivência" desfilará num lugar de honra, simbolizando o legado deixado por Carolina para as escritoras contemporâneas.
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A Representação: Conceição ocupará um setor da escola que destaca a continuidade do pensamento negro brasileiro, provando que a voz de Carolina não foi silenciada pelo tempo.
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Impacto Cultural: Este encontro na Avenida é visto como um ato político de reconhecimento da intelectualidade negra dentro da maior festa popular do país.
Para além do "Quarto de Despejo"
A proposta da Tijuca é fugir da visão puramente sofrida da pobreza. O desfile pretende focar na Carolina escritora, poeta e compositora.
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Visual da Escola: Esperam-se carros alegóricos que utilizem o papel e a tinta como elementos de luxo, transformando o "lixo" recolhido por Carolina em coroas de sabedoria.
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Samba de Raiz: O samba-enredo promete ser um dos mais densos da noite, com letras que evocam a superação através do conhecimento e da denúncia social contida nas páginas de Carolina.
Para os dirigentes da escola, ter Conceição Evaristo a validar esta homenagem é o selo de qualidade que a Tijuca procurava para este Carnaval. "Não estamos apenas a desfilar; estamos a escrever uma página nova na história da Sapucaí", afirmou a direção de carnaval.

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