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Terça-feira, 25 de Agosto 2026
Notícias/Economia

Banco Central eleva projeção de crescimento do PIB para 2% em 2026

A autarquia, em seu Relatório de Política Monetária, destaca a surpresa positiva no PIB do primeiro trimestre e as melhores perspectivas para setores-chave, apesar dos desafios da inflação.

Banco Central eleva projeção de crescimento do PIB para 2% em 2026
© Marcello Casal JrAgência Brasil
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O Banco Central (BC) revisou para cima sua expectativa de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2026, elevando a projeção de 1,6% para 2%. A decisão foi anunciada no Relatório de Política Monetária, divulgado nesta quinta-feira (25), e reflete uma performance econômica surpreendentemente positiva no primeiro trimestre, impulsionada por setores como a agropecuária e a indústria extrativa, apesar das pressões persistentes sobre a inflação.

No primeiro trimestre de 2026, a economia nacional registrou um crescimento notável de 1,1% em comparação com o trimestre anterior, o último de 2025. Esse avanço foi generalizado, com expansão observada nos três principais segmentos: agropecuária, indústria e serviços.

Diante desse cenário favorável, o BC ajustou para cima as estimativas para todos os setores. A demanda interna também teve suas projeções elevadas, abrangendo tanto o consumo das famílias quanto os investimentos empresariais.

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O relatório do Banco Central aponta que "a revisão também reflete a expectativa de maior dinamismo da demanda interna e dos setores mais sensíveis ao ciclo econômico, em grande parte associada a estímulos de natureza fiscal e creditícia".

No entanto, a autarquia ressalva que "em sentido oposto, a expectativa de trajetória mais elevada para as taxas de juros tende a mitigar esse impulso", indicando um contraponto aos fatores de crescimento.

O Relatório de Política Monetária do BC é o documento que detalha as diretrizes do Comitê de Política Monetária (Copom) para a definição da taxa básica de juros, a Selic. Ele também oferece uma análise aprofundada da evolução econômica recente e das projeções futuras, com foco especial nas expectativas de inflação. A Selic é a principal ferramenta do BC para manter o controle inflacionário.

Entre junho de 2025 e março deste ano, a taxa Selic permaneceu em 15% ao ano, o patamar mais alto em quase duas décadas. O Copom iniciou um ciclo de cortes em março, impulsionado por uma desaceleração da inflação.

Contudo, o conflito no Oriente Médio, que resultou no aumento dos preços de combustíveis e alimentos, impôs desafios à redução mais acelerada da taxa de juros.

Na sua reunião mais recente, realizada na semana passada, o colegiado optou, por unanimidade, por um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, fixando-a em 14,25% ao ano. Esta foi a terceira redução consecutiva, mesmo em meio às tensões geopolíticas.

A autoridade monetária mantém a cautela, ponderando que "permanecem as incertezas sobre os efeitos dos conflitos no ambiente doméstico".

O BC explicou que, "embora seus efeitos mais evidentes sobre a economia brasileira até o momento tenham se concentrado nos preços [especialmente combustíveis e alimentos], o conflito no Oriente Médio também eleva a incerteza em torno das projeções de crescimento".

Em 2025, a economia brasileira registrou um crescimento de 2,3%, marcando o quinto ano consecutivo de expansão. Todos os setores contribuíram para este resultado, com destaque para a agropecuária.

Inflação: Pressões e projeções

Em maio, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), atingiu 0,58%, com os preços dos alimentos exercendo forte pressão. O IPCA acumulado em 12 meses alcançou 4,72%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já ultrapassando o limite superior da meta de inflação.

A meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, situando-se, portanto, entre 1,5% e 4,5%.

No seu Relatório de Política Monetária, o Banco Central projeta que a inflação deverá continuar em elevação até o final de 2026, permanecendo acima do limite superior da meta por mais de dois trimestres consecutivos, para então começar a diminuir em 2027.

A probabilidade de a inflação exceder o teto da meta (4,5%) em 2026 aumentou significativamente, passando de 30% para 79% em relação ao relatório anterior, divulgado em março.

Para o horizonte relevante da política monetária, atualmente o quarto trimestre de 2027, a inflação projetada é de 3,7%.

O BC informou que as projeções de inflação para o horizonte relevante tiveram um aumento considerável de 0,5 ponto percentual desde março.

Entre os fatores que impulsionam essas projeções mais altas, o Banco Central destaca "a surpresa altista com a realização do IPCA; a estimativa mais alta para o hiato do produto (capacidade ociosa da economia); o aumento nos preços do petróleo, de seus derivados e de commodities em geral; e o aumento das expectativas de inflação".

Contrariamente, "a trajetória mais alta considerada para a taxa Selic e a apreciação cambial contribuíram para atenuar esse aumento", complementou a autarquia.

Crédito: Expectativas e revisões

A projeção para o crescimento do saldo de crédito, tanto para pessoas físicas quanto para empresas em 2026, foi mantida em 9%. Uma revisão para baixo na expectativa de crescimento do crédito livre foi compensada por um maior crescimento projetado para o crédito direcionado.

No segmento de crédito livre, as instituições financeiras possuem autonomia para emprestar os recursos captados no mercado e definir as taxas de juros. Já o crédito direcionado, cujas regras são estabelecidas pelo governo, é predominantemente destinado aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito.

O crescimento esperado para o crédito com recursos livres foi reduzido em 0,3 ponto percentual, para 7,8%, refletindo revisões para baixo no segmento de pessoas jurídicas e para cima no de pessoas físicas.

Para as famílias, o desempenho considera a introdução de novos programas governamentais, como o Move Brasil para motoristas de aplicativos e taxistas, e iniciativas que visam reduzir o endividamento, como o Novo Desenrola Brasil. Para as empresas, a projeção diminuiu em função da trajetória esperada para fatores-chave como as taxas de juros e de câmbio.

Por outro lado, a projeção para o crédito direcionado aumentou em 0,5 ponto percentual, alcançando 10,7%. Este ajuste está concentrado no financiamento às empresas, com ênfase no programa Desenrola para Micro e Pequenas Empresas, que flexibilizou as condições de contratação e expandiu os limites de endividamento no Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe).

Apesar do aumento, a projeção atualizada ainda indica uma desaceleração do crédito pelo segundo ano consecutivo. O saldo total de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) cresceu 10,3% em 2025, um patamar inferior aos 11,5% registrados em 2024.

O Banco Central esclarece que "a desaceleração esperada segue consistente com o cenário prospectivo para a atividade econômica doméstica e com os efeitos correntes e defasados da política monetária, em conjuntura de endividamento e comprometimento de renda elevados".

Contas externas: Déficit menor e fluxo de investimentos

A projeção de déficit em transações correntes, que abrange a movimentação de mercadorias, serviços e transferências de renda com outros países, foi revisada para baixo. O valor passou de US$ 58 bilhões para US$ 56 bilhões (equivalente a 2,1% do PIB) em 2026.

Essa redução do déficit é majoritariamente explicada pelo aumento do saldo comercial, impulsionado principalmente pela elevação do preço do petróleo.

A expectativa de um valor maior para as exportações decorre da combinação de um volume esperado crescente e, sobretudo, da perspectiva de preços mais elevados.

O Banco Central detalha: "Em termos de quantum, espera-se crescimento maior em produtos básicos, em linha com a expectativa para a produção agrícola. Já nos preços, destaca-se o aumento em soja, carne bovina e, especialmente, petróleo, seguindo a dinâmica dos preços internacionais".

O valor das importações também foi revisto para cima, refletindo principalmente o aumento nos preços, em particular dos combustíveis.

Este déficit externo será financiado por capitais de longo prazo, com destaque para os investimentos diretos no país (IDP). A projeção para o fluxo líquido de entrada de IDP é de US$ 75 bilhões (2,8% do PIB), um aumento em relação aos US$ 70 bilhões previstos no relatório anterior.

No entanto, o relatório adverte que "o cenário projetado para as contas externas, contudo, segue sujeito a riscos acima do usual, em razão das repercussões do conflito no Oriente Médio".

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

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