Natural de Porto Alegre, Sheron Menezzes utilizou o seu destaque na Portela para muito mais do que apenas sambar. No enredo "O mistério do príncipe do Bará", que narra a chegada do Príncipe Custódio ao Rio Grande do Sul, a atriz encarnou um papel fundamental: a denúncia das contradições de uma sociedade que, historicamente, tentou apagar a contribuição e a presença do povo negro na formação do estado.
A Fantasia: "Contradição Fundadora"
A indumentária de Sheron foi desenhada pelo carnavalesco André Rodrigues como um manifesto visual.
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O Conceito: A peça explorou o contraste entre a riqueza da elite gaúcha do início do século XX e a realidade da população negra, que vivia sob o peso do racismo estrutural enquanto fundamentava as bases culturais e religiosas do Sul.
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Crítica Social: Elementos da fantasia faziam alusão à invisibilidade. Partes do figurino pareciam "escondidas" ou "apagadas", simbolizando como a história oficial muitas vezes ignora os heróis negros, como o próprio Príncipe Custódio.
"É preciso falar sobre o que foi escondido"
Em entrevista antes de entrar na Sapucaí, Sheron destacou a importância de levar este tema para o maior palco do mundo.
"Como gaúcha e mulher negra, este desfile tem um peso dobrado. Estamos aqui para dizer que o Sul também é negro, que a nossa coroa foi erguida com muito suor e que a história precisa de ser contada na íntegra, com todas as suas contradições", afirmou a atriz.
A performance de Sheron foi marcada por uma dramaticidade que prendeu a atenção dos jurados e do público. Ao unir a sua trajetória pessoal com a crítica social proposta pela Portela, a atriz consolidou-se como uma das figuras mais relevantes do Carnaval 2026, transformando o seu desfile num ato de resistência e educação histórica.

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