A economia brasileira apresentou perda de fôlego e o PIB do segundo trimestre registrou alta de apenas 0,3%, segundo estimativa divulgada nesta segunda-feira (17) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado foi influenciado por um recuo de 1,1% em junho, refletindo os impactos dos juros altos e do endividamento sobre a atividade econômica nacional.
A estimativa faz parte do Monitor do PIB, levantamento mensal elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV). O indicador calcula a evolução do Produto Interno Bruto com base no desempenho de setores essenciais, como agropecuária, indústria, comércio e serviços.
Apesar da desaceleração em relação ao primeiro trimestre, quando a expansão alcançou 1%, o indicador acumula uma taxa positiva de 1,8% nos últimos 12 meses. O resultado oficial do período será apresentado pelo IBGE no dia 1º de setembro.
Perda de ritmo nas principais atividades
De acordo com a economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa na FGV, o desaceleramento afetou os três principais setores produtivos: agropecuária, indústria e serviços. Apenas o consumo das famílias manteve a trajetória de expansão observada no início do ano.
“Essa manutenção do crescimento do consumo deveu-se, principalmente, ao bom desempenho do consumo de serviços e de produtos duráveis”, destacou a pesquisadora. No período de abril a junho, as despesas das famílias cresceram 2,6% frente ao trimestre anterior.
Mesmo diante do ritmo mais brando, Trece enfatizou que o resultado representa o 20º período consecutivo de expansão. Segundo ela, o dado confirma a resiliência da economia em meio a um cenário marcado por desafios internos e externos.
Juros altos e contexto internacional
O ambiente macroeconômico segue pressionado pela alta nos preços do petróleo, provocada pelos conflitos no Oriente Médio, além das taxas de juros elevadas no Brasil. Atualmente, a taxa Selic está fixada em 14% ao ano, após um corte recente de 0,25 ponto percentual pelo Copom.
Esse patamar elevado busca conter a inflação ao encarecer o crédito, o que tende a desestimular novos investimentos produtivos e a frear o consumo geral da população brasileira.
Sinais de arrefecimento e projeções
No setor externo, as exportações avançaram 4,5% e as importações subiram 5,7% no segundo trimestre. Por sua vez, a taxa de investimento ficou em 18,5%, apresentando leve recuo em relação aos 18,6% registrados nos primeiros três meses de 2026.
Em valores correntes, o PIB acumulado no primeiro semestre totaliza R$ 6,557 trilhões. Em paralelo, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) apontou queda de 0,6% em junho, estimando crescimento de 0,2% para o trimestre.
Para o fechamento de 2026, os analistas do mercado financeiro ouvidos pelo relatório Focus preveem alta de 1,98% na economia. Já a projeção do Ministério da Fazenda é um pouco mais otimista, estimando avanço de 2,3%.

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