A poucas horas do desfile, o desembargador federal Ricardo Perlingeiro, do TRF2, indeferiu um pedido de liminar que tentava impedir a escola de samba Académicos de Niterói de fazer referências ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ação popular, movida por uma ex-assessora parlamentar, alegava que o enredo configurava promoção pessoal de autoridade pública através de verbas federais.
O enredo em questão, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, marca a estreia da agremiação no Grupo Especial do Rio de Janeiro após a vitória na Série Ouro em 2025.
Os argumentos da decisão
Na sua fundamentação, o magistrado destacou que a proibição do desfile representaria um "dano irreversível" à liberdade de expressão e ao pensamento político, pilares do Estado Democrático de Direito. O desembargador Perlingeiro pontuou ainda que o pedido foi apresentado em regime de plantão judicial, quando o tema já era de conhecimento público há meses, não justificando a urgência de última hora.
A autora da ação questionava o repasse de R$ 12 milhões da Embratur para a LIESA, argumentando que os recursos públicos não deveriam ser utilizados para "exaltação biográfica". No entanto, a justiça entendeu que eventuais irregularidades financeiras podem ser apuradas e reparadas posteriormente, sem a necessidade de censurar a manifestação artística da escola de samba.
Académicos de Niterói segue na Avenida
Com a decisão, a Académicos de Niterói mantém o seu cronograma oficial. A escola pretende levar para a Sapucaí uma narrativa focada nas origens do operariado brasileiro e na trajetória política de Lula, utilizando simbolismos que prometem emocionar o público e gerar debate político e social.
A LIESA já havia retificado informações sobre os repasses, confirmando a legalidade da transferência de verbas para a promoção do turismo e da cultura no estado do Rio de Janeiro. A expectativa agora volta-se para a performance da escola, que será avaliada pelos jurados sob o olhar atento de apoiadores e críticos do atual governo.

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