O elevado patamar das taxas de juros é um dos principais responsáveis pelo endividamento das famílias brasileiras, segundo avaliação do ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos. Ele pontuou que a conjuntura atual promove uma "sugestão de recursos dos trabalhadores" pelo sistema financeiro, algo que não pode ser solucionado unicamente por meio de ações de educação financeira.
Em declarações concedidas nesta terça-feira (12) ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Boulos argumentou que, sem uma redução substancial dos juros cobrados da população, programas como o Desenrola Brasil, destinados a auxiliar famílias a sanar suas dívidas, precisarão ser implementados com maior frequência.
"Educação financeira é sempre benéfica, mas não tem validade quando os juros chegam a 15% ao ano. Nesse cenário, nenhuma educação financeira é capaz de resolver", afirmou o ministro.
O ministro defende que a taxa de juros não deve ser reduzida "a conta-gotas". "Se for assim, os juros só atingirão um nível razoável daqui a 20 anos. Essa taxa de juros é inaceitável e carece de qualquer parâmetro ou justificativa", acrescentou.
Boulos recordou que diversas nações com risco-país superior ao do Brasil praticam taxas de juros significativamente menores. "Isso beneficia apenas os bancos, que se apropriam de recursos de trabalhadores e empresas no país".
Durante a entrevista, Boulos comparou a taxa de inadimplência média para modalidades de crédito similares no Brasil e na Espanha, que seriam de 4,2% e 3,5%, respectivamente. Em seguida, o ministro contestou a justificativa para que a taxa cobrada no Brasil para essa linha específica seja de 65%, enquanto na Espanha é de 3%.
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Limitações do programa
O ministro ressaltou que o Desenrola Brasil tem contribuído para atenuar o endividamento, com projeção de descontos médios de 65% nas dívidas e taxas de juros mais baixas na renegociação. Em apenas uma semana, o programa já havia registrado R$ 1 bilhão em acordos, segundo ele.
Apesar dos resultados, Boulos alertou que a iniciativa não soluciona o problema em sua raiz. "Lula instituiu isso para aliviar a pressão sobre as famílias. Contudo, se os juros não diminuírem, teremos que realizar novas edições do programa", declarou.
Bets, dívidas e lavagem de dinheiro
Ao final da entrevista, o ministro correlacionou o aumento das apostas online com o agravamento do endividamento familiar. Adicionalmente, ele indicou que há fortes indícios de que as casas de apostas estão sendo utilizadas para lavagem de dinheiro por grupos criminosos.
"As casas de apostas se tornaram uma epidemia. Não adianta proibir cassinos no Brasil se o cassino está presente no quarto do seu filho, fechado", disse.
O ministro também apontou que as plataformas de apostas estão sendo empregadas para fins ilícitos. "Diversas operações da Polícia Federal indicam seu envolvimento com lavagem de dinheiro".
Boulos criticou, ainda, a carga tributária aplicada a esses sites de apostas. "As casas de apostas conseguiram realizar lobby no Congresso para evitar a tributação, e hoje recolhem apenas 12% de imposto, enquanto profissionais como jornalistas pagam 27,5% de Imposto de Renda. Isso é um absurdo", concluiu.

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