Aguarde, carregando...

Sexta-feira, 31 de Julho 2026
Notícias/Política

Encontro entre Lula e Trump teve respeito mútuo, afirma Durigan

O ministro da Fazenda detalhou, no programa Na Mesa com Datena da TV Brasil, os pontos da conversa de três horas entre os líderes brasileiro e americano ocorrida na semana anterior.

Encontro entre Lula e Trump teve respeito mútuo, afirma Durigan
© Valter Campanato/Agência Brasil
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou o diálogo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Donald Trump, dos Estados Unidos, ocorrido na semana anterior em Washington, como um evento pautado por “deferência” e estima recíproca.

O encontro, que se estendeu por três horas, abordou temas cruciais como o intercâmbio comercial bilateral, a luta contra o crime organizado transnacional e a prospecção de minerais de importância estratégica.

Durante uma entrevista concedida ao programa Na Mesa com Datena, da TV Brasil, exibida nesta terça-feira (12), Durigan, presente no encontro, revelou que o bate-papo inicial foi descontraído e centrou-se nas histórias de vida dos dois chefes de Estado.

Publicidade

Leia Também:

Conforme Durigan, Trump manifestou espanto ao ouvir sobre a infância de Lula, particularmente a respeito da declaração do presidente brasileiro de ter consumido pão pela primeira vez aos sete anos. O ex-presidente americano também ficou admirado com a ausência de um diploma universitário de Lula e, apesar disso, sua capacidade de expandir a rede federal de ensino superior em suas gestões.

A detenção de Lula foi outro ponto de pauta. Durigan relatou que Trump reagiu com surpresa ao saber que o líder brasileiro declinou opções legais, como a prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, em sua busca por comprovar plenamente sua inocência.

O ministro informou que tanto Lula quanto Trump se emocionaram profundamente após o presidente brasileiro compartilhar a experiência de seus quase dois anos de cárcere.

"A discussão foi extremamente aberta e fiquei bastante impressionado com o grau de deferência demonstrado pelo presidente Trump em relação ao presidente Lula", afirmou o ministro a Datena.

Durigan expressou a percepção de que a admiração de Trump por Lula se intensificou após a reunião.

O ministro acrescentou que a pauta do encontro contemplou também diálogos informais sobre assuntos pessoais e familiares, visando criar um ambiente de maior proximidade antes de adentrar nas discussões de Estado.

Debates comerciais

A agenda econômica constituiu um dos pilares centrais do encontro. O governo do Brasil refutou veementemente a ideia de que os Estados Unidos estariam em desvantagem comercial na sua relação com o país sul-americano.

"Dados da gestão Trump indicaram que o déficit comercial brasileiro com os Estados Unidos alcançou US$ 30 bilhões em 2025", relembrou Durigan.

Contudo, Durigan explicou que o Brasil argumentou que a aquisição de serviços, tecnologia e produtos americanos em grande volume reverte em benefício para a economia dos Estados Unidos.

"O Brasil não deve ser penalizado com a imposição de tarifas, visto que nossa moeda está fluindo para os Estados Unidos", declarou.

A tese defendida pelo Brasil foi a de que o país não deveria ser alvo de sanções tarifárias análogas às aplicadas à China, uma vez que o intercâmbio comercial se mostra vantajoso para a nação norte-americana.

Combate ao crime organizado

A segurança pública e a erradicação do crime organizado transnacional representaram outro ponto fundamental da discussão.

Lula sugeriu um incremento na cooperação bilateral para a identificação de ativos financeiros vinculados a grupos criminosos, com foco especial em operações de lavagem de dinheiro efetuadas em paraísos fiscais e por meio de estruturas corporativas nos Estados Unidos, a exemplo do estado de Delaware.

"Empresas brasileiras com dívidas estão alocando recursos em Delaware, um reconhecido paraíso fiscal", pontuou Durigan.

O governo brasileiro também expôs informações que indicam que uma parcela significativa das armas ilegais confiscadas no Brasil tem sua procedência em solo norte-americano.

"A maioria das armas apreendidas em território brasileiro é originária dos Estados Unidos", declarou o ministro.

Questão das drogas sintéticas

De acordo com Durigan, a crescente disseminação de drogas sintéticas também foi incluída na pauta do encontro bilateral.

"As drogas sintéticas chegam ao Brasil vindas dos Estados Unidos; nosso objetivo é auxiliar na prevenção desse tráfico", afirmou.

Um resultado tangível da reunião foi o acordo para a integração entre a Receita Federal do Brasil e a alfândega americana, visando o intercâmbio de informações de inteligência e o monitoramento financeiro.

"A estratégia eficaz reside em estrangular a estrutura que financia o crime", argumentou Durigan, ao advogar por um modelo fundamentado na inteligência financeira e na colaboração internacional.

Minerais estratégicos

A exploração de minerais de importância estratégica ocupou lugar de destaque nas deliberações. O governo brasileiro expôs aos representantes americanos sua visão para elementos cruciais à indústria tecnológica e à transição energética, como nióbio, grafeno e terras raras.

"No Brasil, buscamos assegurar a estabilidade jurídica para um setor de interesse global: os minerais críticos", declarou Durigan.

Conforme membros do governo, Lula enfatizou que o Brasil não tem a intenção de replicar um padrão histórico focado exclusivamente na exportação de matérias-primas.

"O princípio fundamental é a soberania, seguido pelo estímulo à industrialização em nível local", afirmou o ministro.

Durigan mencionou ainda que Lula traçou um paralelo entre a defesa da autonomia econômica do Brasil e a retórica nacionalista frequentemente empregada por Trump.

"Se a sua premissa é ‘América em primeiro lugar’, eu estou aqui para reiterar que o Brasil está em primeiro lugar", narrou o ministro, referindo-se à manifestação do presidente brasileiro.

Lula também ressaltou que a nação não deseja reviver ciclos históricos de exploração econômica desacompanhada de desenvolvimento interno.

"Não pretendemos reproduzir um modelo histórico de extrair tudo daqui para depois importar produtos industrializados. Meu desejo é fomentar a industrialização no Brasil", complementou o presidente.

"Não queremos reincidir em padrões históricos observados com a exploração do ouro ou da cana-de-açúcar.”

Conflitos globais

O conflito no Oriente Médio e as incertezas econômicas em escala global também foram temas abordados na conversação entre os dois chefes de Estado.

Conforme Durigan, Lula expressou apreensão quanto às repercussões geopolíticas e econômicas dos embates internacionais sobre o Brasil.

"A questão de como nos preparamos e salvaguardamos o Brasil diante de cenários de guerra é o que mais me preocupa", declarou o ministro, ao transmitir a postura do presidente.

Ambiente informal

Apesar da seriedade das discussões estratégicas, membros da comitiva mencionaram instantes de leveza ao longo do encontro.

Durigan narrou que, durante o almoço oficial, Trump chegou a manifestar seu descontentamento aos garçons pela inclusão de frutas na salada que lhe foi servida.

"Ele afirmou: ‘Não aprecio frutas na minha salada’, e os pratos precisaram ser reorganizados", relatou o ministro.

O governo brasileiro interpretou que o clima afável favoreceu a abertura de caminhos para futuras negociações comerciais, diplomáticas e estratégicas entre as duas nações.

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR