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Terça-feira, 18 de Agosto 2026
Notícias/Saúde

Desconhecimento sobre a prevenção do câncer atinge um quarto dos brasileiros

Instituto Nacional de Câncer (Inca) projeta 781 mil novos casos anuais de câncer até 2028, com aumento de 10,9% impulsionado por hábitos e envelhecimento.

Desconhecimento sobre a prevenção do câncer atinge um quarto dos brasileiros
© Paulo Pinto/Agência Brasil
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Um novo relatório divulgado nesta quarta-feira (3), intitulado "Mais Dados Mais Saúde - Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer", revela que um quarto dos brasileiros ignora a possibilidade de prevenção do câncer. Este dado alarmante sublinha a lacuna de conhecimento sobre os fatores de risco associados à doença no país.

A pesquisa aprofundou-se na compreensão de como a sociedade brasileira percebe e se comporta em relação a importantes fatores de risco para o desenvolvimento do câncer, incluindo o tabagismo, o consumo de álcool, a ingestão de alimentos ultraprocessados e o sedentarismo.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que o Brasil registrará 781 mil novos casos de câncer anualmente no triênio 2026-2028. Este número representa um acréscimo de 10,9% comparado ao período anterior, reflexo do envelhecimento populacional e da prevalência de determinados hábitos de vida.

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Sendo a primeira edição com alcance nacional, o estudo analisa o conhecimento e as práticas dos brasileiros em relação à prevenção do câncer. A iniciativa foi conduzida pelas organizações Umane e Vital Strategies, contando com o suporte do Instituto Devive e a colaboração técnica do Inca, e envolveu 6,5 mil entrevistas em todas as unidades federativas do Brasil.

Percepção dos fatores de risco

Embora hábitos como o tabagismo e a exposição solar desprotegida sejam amplamente reconhecidos como perigosos, outros fatores de risco para o câncer ainda carecem de percepção adequada. O sedentarismo, por exemplo, ocupa as últimas posições na lista de preocupações, com menos da metade dos brasileiros (48,3%) associando a falta de atividade física ao desenvolvimento da doença.

Luciana Grucci Moreira, Chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca, aponta para uma evolução positiva na percepção da população brasileira em comparação com estudos internacionais.

O tabagismo exemplifica essa melhora, com 90,5% dos adultos brasileiros cientes de que fumar provoca câncer. A herança genética (89,4%) e a exposição solar excessiva (88,3%) são os outros dois fatores de risco com maior índice de reconhecimento.

Contudo, a percepção é menor para outros elementos, como bebidas alcoólicas (71,3%), embutidos como presunto e salsicha (70,7%), e alimentos ultraprocessados, incluindo macarrão instantâneo, salgadinhos e sorvete (65,6%), que ainda não são plenamente associados ao risco de câncer.

A especialista atribui as variações nos níveis de percepção à eficácia das políticas públicas e campanhas informativas, citando como exemplo as ações bem-sucedidas contra o tabagismo nas últimas décadas.

"Um conjunto robusto de políticas públicas e campanhas de comunicação, como advertências em embalagens, impostos que encarecem o tabaco e a restrição de ambientes para fumar, foram cruciais para o tabaco", compara Luciana Grucci Moreira.

Para expandir o conhecimento da população, é fundamental replicar estratégias semelhantes para os demais fatores de risco identificados.

O relatório também destaca o desconhecimento sobre o papel protetor do aleitamento materno contra o câncer de mama; quatro em cada dez entrevistados ignoravam essa informação.

"Mulheres que amamentam desfrutam de uma proteção significativamente maior contra o câncer de mama em comparação com aquelas que não tiveram essa oportunidade", explica a especialista.

Obesidade e hábitos alimentares

O sobrepeso e a obesidade são reconhecidos como fatores de risco para o câncer por apenas 54,1% da população. Similarmente, o consumo de bebidas adoçadas (55,3%), a baixa ingestão de frutas e verduras (53,3%), e o sedentarismo (48,3%) apresentam baixos índices de associação com a doença. A carne vermelha, por sua vez, é ligada ao aumento do risco por menos de três em cada dez brasileiros (27,5%).

"É crucial lembrar que a informação não é o único determinante das escolhas alimentares. Fatores como acesso, renda, preço e marketing também influenciam. Precisamos de políticas públicas abrangentes para não apenas elevar a percepção, mas também facilitar escolhas mais saudáveis para a população", argumenta a Chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca.

A especialista enfatiza a urgência de políticas públicas que abordem fatores de risco ambientais e comportamentais, como a promoção da atividade física e da alimentação equilibrada, para a prevenção do câncer.

"Não basta apenas dizer ‘faça atividade física’. A infraestrutura urbana, com ruas seguras e iluminadas, é fundamental para que as pessoas possam se exercitar. As políticas públicas devem criar condições para escolhas mais saudáveis em relação a todos esses fatores de risco", detalha.

Hábitos e intenção de mudança

O estudo também explorou os hábitos da população ligados aos fatores de risco para o câncer, incluindo o consumo de embutidos, ultraprocessados, carne vermelha e bebidas adoçadas, além de investigar a intenção de reduzir tais hábitos.

Aproximadamente 45% dos entrevistados consomem ultraprocessados e tentaram diminuir a ingestão, enquanto 33% não os consomem e 15% consomem sem intenção de mudança. Quanto a refrigerantes e bebidas adoçadas, cerca de 53% buscam reduzir o consumo, 27% não os ingerem e 15% não planejam reduzir.

No que tange à carne vermelha, a maior parcela (cerca de 45%) consome sem intenção de reduzir, seguida por 40% que consomem e tentam diminuir. O não consumo é menos comum, atingindo cerca de 10% da população.

Em um contraste positivo, 86,3% da população consome frutas, legumes e verduras. Entre os que não os consomem, 8,3% expressaram intenção de iniciar este hábito saudável.

Jovens e o desafio da prevenção

O relatório aponta que jovens com até 24 anos são os que mais consomem alimentos associados a fatores de risco para o câncer sem intenção de redução. Este grupo representa 32,3% para ultraprocessados, 24,4% para bebidas adoçadas, 29,5% para embutidos e 49,1% para carne vermelha.

Em relação às bebidas alcoólicas, ligadas a pelo menos oito tipos de câncer, 50,1% da população não as consome, enquanto 32,5% dos consumidores tentaram reduzir o hábito. Jovens de até 24 anos constituem a maior parcela (16,9%) entre os que bebem sem intenção de reduzir, superando as faixas etárias de 25 a 59 anos (8,7%) e acima de 60 anos (7,1%).

Sedentarismo e renda

Quanto ao sedentarismo, 52,2% dos entrevistados praticam atividade física, e 39% desejam iniciar. A pesquisa revela que indivíduos com maior renda demonstram maior conhecimento sobre a relevância da atividade física na prevenção do câncer. Apenas 45% dos que ganham até R$ 2 mil reconhecem o sedentarismo como fator de risco, contrastando com 59,6% entre aqueles com renda igual ou superior a R$ 10 mil.

Sobre o peso corporal, 48,8% consideram-se saudáveis. Dos que admitem excesso de peso, 31% estão agindo para mudar, mas essa proporção diminui para 22,9% entre os com renda inferior a R$ 2 mil, em comparação com mais de 40% entre os que recebem acima de R$ 3 mil.

Estratégias para conscientização e prevenção

Para Luciana Moreira, gestora do Inca, os resultados do estudo são cruciais para direcionar e planejar as próximas etapas na disseminação de informações qualificadas à população.

"Se a população ainda não reconhece que carnes processadas elevam o risco de câncer, isso indica a necessidade urgente de investir em estratégias de comunicação eficazes, especialmente para quem atua na prevenção e formulação de políticas públicas", declara.

Luciana Sardinha, da Vital Strategies, ressalta o impacto positivo do estudo ao despertar o interesse público sobre o tema. "Ao dar visibilidade a esses resultados, a pesquisa direciona a atenção da população para os fatores de risco do câncer", conclui.

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

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