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Segunda-feira, 24 de Agosto 2026
Notícias/Economia

Contas externas do Brasil registram déficit de US$ 1,765 bilhão em abril, impulsionado por investimentos diretos

Apesar do saldo negativo nas contas externas, o financiamento por capitais de longo prazo, especialmente os investimentos diretos no país (IDP), assegura a qualidade dos fluxos financeiros.

Contas externas do Brasil registram déficit de US$ 1,765 bilhão em abril, impulsionado por investimentos diretos
© Valter Campanato/Agência Brasil
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As contas externas do Brasil apresentaram um déficit de US$ 1,765 bilhão em abril, conforme divulgado nesta terça-feira (24) pelo Banco Central (BC). Este resultado, ligeiramente superior ao de abril de 2025 (US$ 1,636 bilhão), reflete as transações correntes, que englobam a compra e venda de bens, serviços e transferências de renda com outras nações. Contudo, o cenário é mitigado pela robusta entrada de investimentos diretos no país.

Com a elevação do saldo negativo no mês passado, o acumulado das transações correntes nos 12 meses encerrados em abril atingiu US$ 64,333 bilhões, o equivalente a 2,66% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Comparativamente, houve uma redução no déficit em relação ao mesmo período finalizado em abril de 2025, quando o resultado em 12 meses foi de US$ 73,919 bilhões, ou 3,46% do PIB, indicando uma melhora na tendência.

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Em abril deste ano, o superávit da balança comercial de bens cresceu US$ 2,8 bilhões. No entanto, esse avanço foi contrabalanceado por aumentos nos déficits de renda primária (US$ 1,8 bilhão) e de serviços (US$ 1 bilhão), além de uma leve redução no superávit de renda secundária, que caiu pouco mais de US$ 100 milhões.

Investimentos

O Banco Central avalia que as transações correntes exibem um panorama bastante sólido. Apesar do aumento pontual em abril, o déficit em 12 meses tem mostrado uma tendência de redução desde setembro de 2025.

O saldo negativo das contas externas encontra financiamento em capitais de longo prazo, notadamente por meio dos investimentos diretos no país (IDP), que se destacam pela qualidade de seus fluxos e estoques.

Em abril deste ano, o IDP totalizou US$ 8,912 bilhões, cifra significativamente maior do que os US$ 5,371 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.

Quando uma nação apresenta déficit nas transações correntes, torna-se essencial cobrir essa lacuna com investimentos ou empréstimos externos. O IDP é considerado a modalidade de financiamento mais vantajosa, pois os recursos são direcionados ao setor produtivo e, tipicamente, configuram-se como aplicações de longo prazo.

Nos 12 meses até abril, os investimentos diretos alcançaram US$ 79,201 bilhões (3,28% do PIB), superando os US$ 75,660 bilhões (3,18% do PIB) do mês anterior e os US$ 72,691 bilhões (3,40% do PIB) do período encerrado em abril de 2025.

No que tange aos investimentos em carteira no mercado doméstico, houve uma entrada líquida de US$ 621 milhões no último mês, resultado do ingresso de US$ 1,098 bilhão em ações e fundos de investimentos, compensado pela retirada de US$ 477 milhões em títulos de dívida.

Ao longo dos 12 meses findos em abril, esses investimentos somaram ingressos líquidos de US$ 28,5 bilhões.

As reservas internacionais do país atingiram US$ 366,9 bilhões em abril, representando um acréscimo de US$ 4,911 bilhões em comparação com o mês anterior.

Transações correntes em detalhe

Em abril deste ano, as exportações de bens somaram US$ 34,282 bilhões, um aumento de 13,9% em relação ao mesmo mês de 2025. As importações, por sua vez, atingiram US$ 24,574 bilhões, registrando alta de 6,2% na comparação anual.

Com esses números, a balança comercial encerrou o mês passado com um superávit de US$ 9,707 bilhões, valor superior ao saldo positivo de US$ 6,957 bilhões observado em abril de 2025.

O déficit na conta de serviços, que inclui itens como viagens, transporte, aluguel de equipamentos e propriedade intelectual, alcançou US$ 5,044 bilhões em abril, ante US$ 4,091 bilhões no mesmo mês do ano anterior.

Entre os principais pontos da conta de serviços, destacam-se:

  • Aumento de 26% nas despesas líquidas de telecomunicação, computação e informações, resultando em um déficit de US$ 839 milhões. Essas despesas estão vinculadas a operações via plataformas digitais, como serviços de streaming e venda de softwares.
  • Elevação de 16,1% nos gastos com aluguel de equipamentos, totalizando US$ 1,130 bilhão. Esta rubrica contabiliza o aluguel de itens como maquinários, plataformas e aeronaves pagos a empresas estrangeiras, indicando um ritmo de investimentos e modernização no mercado interno.
  • Crescimento de 66,4% nas despesas líquidas de viagens internacionais, que somaram US$ 1,456 bilhão. Enquanto os gastos de estrangeiros no Brasil permaneceram estáveis (US$ 837 milhões), as despesas de brasileiros no exterior aumentaram 34,8% (US$ 2,293 bilhões).

No mês passado, o déficit em renda primária, que abrange o pagamento de lucros e dividendos de empresas, juros e salários, chegou a US$ 6,801 bilhões, um aumento de 35,5% em comparação com os US$ 5,018 bilhões registrados em abril de 2025.

Historicamente, essa conta é deficitária, uma vez que o volume de investimentos de estrangeiros no Brasil, com consequente remessa de lucros para o exterior, supera o de brasileiros investindo fora do país.

A conta de renda secundária, que representa transferências geradas em uma economia e distribuídas para outra (como doações e remessas de dólares sem contrapartida de serviços ou bens), registrou um superávit de US$ 374 milhões em abril, contra um saldo positivo de US$ 516 milhões no mesmo mês de 2025.

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

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