O clima de tensão que tomou conta dos corredores da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) nesta semana pode estar prestes a ganhar um novo capítulo. Após promover uma "limpa" com o desligamento de centenas de ocupantes de cargos comissionados, o presidente da Casa, Rodrigo Delaroli, iniciou conversas de bastidores para avaliar a reversão de parte dessas demissões.
A movimentação ocorre após uma forte reação da base aliada e de lideranças partidárias, que viram nas exonerações em massa uma ameaça direta à estabilidade política e aos acordos firmados para o ano legislativo de 2026.
🏛️ O Peso da Caneta e a Pressão dos Gabinetes
As demissões, que atingiram diversos setores administrativos e gabinetes estratégicos, foram inicialmente vistas como uma demonstração de força e uma tentativa de "enxugar" a máquina. No entanto, o custo político foi imediato:
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Apelo dos Deputados: Ao longo das últimas 48 horas, Delaroli foi alvo de intensas romarias de parlamentares em seu gabinete. O argumento central é que muitas das exonerações atingiram quadros técnicos essenciais para o funcionamento das comissões e da articulação política.
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Cargos em Jogo: A avaliação agora foca nos cargos de indicação política (comissionados). Deputados influentes teriam condicionado o apoio a projetos de interesse do governo e da presidência à "devolução" de nomes estratégicos.
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O "Meio-Termo": Interlocutores afirmam que Delaroli não deve revogar todas as demissões — o que pareceria fraqueza —, mas sim abrir uma "janela de recondução" para casos específicos, mediante novos critérios de produtividade.
⚖️ Impacto na Governabilidade
A postura de Delaroli é um equilibrismo delicado. De um lado, há a necessidade de mostrar austeridade e controle sobre o orçamento da Alerj em um ano eleitoral. De outro, a necessidade prática de manter os deputados satisfeitos para evitar derrotas em plenário.
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Orçamento 2026: A Casa precisa votar pautas econômicas sensíveis nos próximos meses, e a insatisfação geral poderia travar a pauta.
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Relação com o Palácio Guanabara: O governador [Nome do Governador Atual] acompanha de perto o desenrolar, já que a estabilidade na Alerj é fundamental para a gestão estadual.
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Transparência: Órgãos de controle e a sociedade civil têm questionado os critérios tanto para as demissões quanto para as possíveis recontratações.
💬 O que dizem os bastidores
"O recado foi dado, agora é hora de organizar a casa", afirmou um deputado da base que preferiu não se identificar. Para muitos, a "chacoalhada" serviu para Delaroli reafirmar quem detém o controle do Diário Oficial, mas a reversão parcial seria o gesto de paz necessário para o retorno das atividades legislativas.

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