Nesta quinta-feira (9), o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou uma operação que resultou na prisão de seis pessoas suspeitas de um esquema de corrupção envolvendo o desvio de R$ 86,28 milhões. Entre os detidos está o presidente do Instituto Rio Metrópole (IRM), Davi Perini Vermelho, em uma ação que apura irregularidades em contratos públicos na capital e em cidades fluminenses.
Conhecido como "Didê", o atual gestor do IRM já presidiu a Câmara de Vereadores de São João de Meriti. Além das prisões, os agentes cumpriram nove mandados de busca e apreensão em endereços localizados no Rio de Janeiro, São Gonçalo e Teresópolis.
Entenda a dinâmica do desvio de recursos
Segundo as investigações do MPRJ, a autarquia estadual, que deveria coordenar projetos de habitação, tecnologia e saneamento, foi utilizada para escoar verbas públicas. No total, 11 indivíduos foram denunciados por crimes como lavagem de dinheiro, fraude em licitações e organização criminosa.
A denúncia aponta que o grupo utilizou contratos firmados pelo IRM entre 2022 e 2026 para viabilizar as fraudes. O dinheiro era repassado a empresas contratadas que, posteriormente, transferiam os valores para o Instituto Bio, uma organização não governamental sem estrutura operacional.
Saques em dinheiro e lavagem de capitais
O montante chegava à conta pessoal de Caroline Soares Barros, presidente da ONG e fiscal de contratos do IRM. Para evitar o rastreamento bancário, os valores eram sacados em espécie e transportados com auxílio de uma empresa de escolta armada privada.
A investigação ganhou força em janeiro, quando Caroline foi flagrada portando R$ 500 mil em espécie após um saque em Teresópolis. O MPRJ também solicitou a suspensão dos contratos com as empresas Engeconsult e R. Peotta, que receberam dezenas de milhões da autarquia.
Envolvimento de agentes públicos e familiares
Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor do IRM e pai do deputado estadual Alexandre Knoploch, é apontado como o articulador do direcionamento das licitações. O parlamentar manifestou-se via redes sociais, afirmando estar surpreso e aguardando a apuração dos fatos.
Outro denunciado é o delegado Franquis Dias Nepomuceno, que controlaria o grupo de escolta, e o procurador Marcelo Lopes da Silva. Este último é acusado de fornecer o suporte jurídico necessário para validar as contratações irregulares e aditivos contratuais.
Bloqueio de ativos e posicionamento do governo
A Justiça determinou o afastamento dos cargos e o bloqueio de bens dos envolvidos até o limite do prejuízo causado. Além disso, o MPRJ pleiteia uma indenização de R$ 200 milhões por danos morais coletivos contra o patrimônio público.
Em nota, o governo do Rio de Janeiro esclareceu que a operação é fruto de uma auditoria interna da Controladoria Geral do Estado (CGE). Os relatórios foram enviados ao Ministério Público assim que as inconsistências foram detectadas pelos órgãos de controle.
Atualmente, o estado é gerido interinamente pelo desembargador Ricardo Couto. A mudança ocorreu após a cassação de Cláudio Castro pelo TSE por abusos cometidos no pleito de 2022, deixando o comando do Executivo sob responsabilidade do Tribunal de Justiça.

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