Nesta sexta-feira (3), uma ação conjunta contra o desvio de combustível na Baixada Fluminense resultou na desarticulação de um complexo esquema de furto de gasolina e derivados em Duque de Caxias. A operação culminou no fechamento de um ponto clandestino, conhecido como "biqueira", e na prisão em flagrante de seis indivíduos envolvidos na fraude.
A iniciativa, parte da Operação Foco, contou com a participação de agentes do Gabinete de Segurança Institucional do Rio (GSI-RJ), da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Delfaz), demonstrando uma abordagem integrada no combate a esse tipo de crime.
A fiscalização resultou na apreensão de um volume significativo: 12.200 litros de combustíveis armazenados sem regulamentação. Entre os produtos ilícitos estavam 5.000 litros de gasolina comum, 1.000 litros de gasolina aditivada, 2.300 litros de etanol, 1.000 litros de diesel S500 e 2.900 litros de diesel S10.
O galpão que servia de base para a "biqueira" foi prontamente interditado pela ANP e pela Polícia Civil. No local, foram encontrados e apreendidos R$ 22.750 em dinheiro.
Esse montante em espécie destinava-se ao pagamento de caminhoneiros envolvidos no esquema de desvio de combustível, que subtraíam parte da carga transportada. Além disso, as equipes identificaram dois caminhões-tanque associados à fraude, sendo um estacionado no galpão e outro interceptado enquanto saía do local.
Como funcionava o esquema de fraude
As investigações preliminares revelam que a fraude tinha início nas próprias distribuidoras. Os caminhões partiam das bases com lacres que não correspondiam às notas fiscais. No trajeto, os motoristas desviavam cerca de 20 litros de cada um dos oito compartimentos do tanque.
O combustível furtado era então descarregado na "biqueira", com os motoristas recebendo R$ 70 a cada 20 litros. Posteriormente, os compartimentos eram selados com os lacres corretos, que batiam com a documentação da carga, tornando a detecção da fraude um desafio para transportadoras e clientes.
O produto desviado era comercializado de forma ilegal no ponto clandestino por preços significativamente abaixo dos praticados no mercado regular. Essa prática não apenas prejudica distribuidoras e transportadoras, mas também acarreta consideráveis perdas na arrecadação tributária do Estado.
O secretário do GSI-RJ, Roberto Lizandro Leão, enfatizou os perigos e impactos negativos dessa atividade ilegal. "Postos clandestinos de combustíveis causam prejuízos aos cofres públicos, estimulam a concorrência desleal e representam riscos à segurança da população, principalmente pela comercialização de produtos sem qualquer controle de qualidade", declarou Leão.
A Operação Foco reforça seu compromisso contínuo, atuando de forma permanente e integrada com diversas entidades estaduais e federais. Seu objetivo é combater crimes no setor de combustíveis, visando fortalecer a luta contra a sonegação fiscal, o mercado clandestino e as organizações criminosas que exploram essa cadeia produtiva.

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