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Quarta-feira, 05 de Agosto 2026
Notícias/Justiça

Julgamento do caso Henry no Rio de Janeiro entra para a história como o mais longo

Sessão no 2º Tribunal do Júri já supera a duração do processo de Flordelis e se aproxima da fase final, com depoimentos dos réus previstos para esta terça-feira.

Julgamento do caso Henry no Rio de Janeiro entra para a história como o mais longo
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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O julgamento do caso Henry Borel, que acontece no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, atingiu nesta segunda-feira (1º) seu oitavo dia consecutivo, consolidando-se como o mais extenso da história do Tribunal do Júri no estado. O processo, que busca apurar as responsabilidades pela morte do menino Henry, de 4 anos, em março de 2021, já ultrapassou a duração do caso da ex-deputada federal Flordelis.

Em novembro de 2022, a ex-parlamentar foi condenada a mais de 50 anos de prisão pelo assassinato de seu ex-marido, o pastor Anderson do Carmo, em um processo que até então detinha o recorde de duração.

Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e Monique Medeiros da Costa e Silva são os réus neste processo. Eles respondem pela morte de Henry, filho de Monique, ocorrida em março de 2021.

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Na época do incidente, Jairinho exercia seu quinto mandato como vereador e era padrasto de Henry. A acusação do Ministério Público sustenta que a criança faleceu em decorrência de agressões perpetradas por Jairinho, enquanto Monique teria agido com omissão.

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Depoimento do perito do IML

Até o início da tarde desta segunda-feira, o perito Leonardo Huber Tauil, convocado pela defesa de Jairo, prestava depoimento. Tauil foi o responsável por assinar o laudo cadavérico do menino Henry no Instituto Médico Legal (IML) e é a 21ª pessoa a ser ouvida pelos jurados.

Ele reiterou que a causa da morte foi uma “hemorragia interna resultante de lesão hepática por ação contundente”.

Além do laudo inicial, o perito participou de seis complementações e chegou a visitar o apartamento onde as agressões teriam ocorrido. Tauil afirmou que, durante a vistoria no local, não identificou nenhum móvel que pudesse ter provocado a lesão fatal em Henry.

A versão inicial apresentada pelo casal Jairinho e Monique era de que o menino havia tropeçado e caído da cama.

Tauil também respondeu a questionamentos da defesa sobre inconsistências no laudo cadavérico, como o hospital de origem do corpo incorreto e a cor dos olhos do menino descrita como azul em vez de castanha. O perito justificou que se tratavam de lapsos.

Durante a exibição de imagens do corpo de Henry, Monique Medeiros se retirou do plenário. Ela já havia feito o mesmo na última sexta-feira (29), quando outro perito, Luiz Carlos Leal Prestes, depunha, e imagens similares eram mostradas.

Outros testemunhos relevantes

Desde a última segunda-feira (25), diversas testemunhas foram ouvidas, incluindo aquelas convocadas pelo juízo, pela acusação e pelas defesas de Monique e Jairinho, que atualmente apresentam estratégias distintas.

O pai de Henry, Leniel Borel, atua como assistente de acusação e depôs como testemunha contra o ex-casal, defendendo que Monique também é responsável pela morte do filho.

Duas ex-namoradas de Jairinho e a filha de uma delas relataram ao júri que o ex-vereador agrediu seus respectivos filhos quando eram crianças.

Em contraste, o engenheiro Bryan Medeiros da Costa Silva, irmão de Monique, fez uma descrição afetuosa da irmã e do ambiente familiar.

Um dos depoimentos mais aguardados foi o da babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira. Ela confirmou ter alertado a mãe da criança sobre suspeitas de agressões por parte de Jairinho e afirmou ter sido orientada por Monique a apagar mensagens trocadas entre as duas após a morte do menino.

Das 27 testemunhas inicialmente arroladas, quatro foram dispensadas. Jairinho dispensou o psiquiatra Hewdy Lobo Ribeiro e a assessora Cristiane Izidoro. O Coronel Jairo, pai do réu e figura política no Rio de Janeiro, foi ouvido.

Além de Tauil, o médico Jeferson Evangelista Correa, assistente técnico da defesa, ainda será ouvido.

Réus devem ser ouvidos na terça-feira

A expectativa dos advogados envolvidos no julgamento é que a fase de depoimentos das testemunhas seja concluída ainda nesta segunda-feira, reservando a terça-feira (2) para os depoimentos dos dois acusados.

A defesa de Jairinho obteve uma decisão liminar que garante que o ex-vereador seja ouvido após Monique. Para os advogados do ex-parlamentar, essa ordem de depoimento é “indispensável para garantir a plenitude de defesa, permitindo que Jairo tenha conhecimento prévio das acusações que lhe serão dirigidas em juízo”.

A defesa de Monique, por sua vez, afirma que ela está preparada para depor a qualquer momento.

Os advogados deverão apresentar suas defesas na quarta-feira (3), e a sentença é esperada para a passagem de quarta para quinta-feira (4), data do feriado de Corpus Christi no Rio de Janeiro.

Conselho de Sentença e o processo

Desde o início do júri, o Conselho de Sentença, composto por sete jurados (cinco homens e duas mulheres neste julgamento), acompanha as sessões ininterruptamente. Durante os intervalos, eles são obrigados a permanecer no tribunal, sem poder conversar entre si ou com terceiros sobre o caso, e ficam afastados de redes sociais e noticiários.

No período noturno, os jurados permanecem sob vigilância em um alojamento no Tribunal de Justiça do Rio. As testemunhas não precisam de confinamento, mas foram orientadas pela juíza a não conceder entrevistas.

O júri é presidido pela magistrada Elizabeth Machado Louro. O destino dos réus é definido pelo voto sigiloso dos jurados, por maioria simples. Em caso de condenação, cabe à juíza a dosimetria, ou seja, a definição do tamanho da pena.

Testemunhas já ouvidas pelo júri:

  • Delegado Edson Damasceno
  • Delegada Ana Carolina Medeiros
  • Psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro
  • Médica Maria Cristina de Souza
  • Kaylane de Oliveira - filha de ex-namorada do réu
  • Natasha de Oliveira - ex-namorada do réu
  • Débora de Oliveira – ex-namorada do réu
  • Leila Rosângela de Souza Mattos – empregada dos réus
  • Tereza Cristina dos Santos – cabeleireira
  • Paloma dos Santos – manicure
  • Perito Luiz Carlos Leal Prestes
  • Perito Luiz Airton Saavedra
  • Leniel Borel
  • Irmão de Monique – Bryan Medeiros
  • Colega de trabalho de Monique – Ari Mamed
  • Funcionária do condomínio onde os réus moravam - Márcia Eduarda Vieira
  • Babá de Henry - Thayná de Oliveira Ferreira
  • Coronel Jairo, pai de Jairinho
  • Atual mulher de Jairinho – Fernanda Abdul Figueiredo
  • Miriam Santos Rebelo Costa – que teve um relacionamento com Leniel
FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

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