Aguarde, carregando...

Quinta-feira, 13 de Agosto 2026
Notícias/Economia

Galípolo detalha manobras do Banco Master que alertaram o Banco Central

Em audiência na CAE, Gabriel Galípolo explicou como a criação de novas carteiras de investimento pelo Banco Master, durante sua crise de liquidez, sinalizou irregularidades à autoridade monetária.

Galípolo detalha manobras do Banco Master que alertaram o Banco Central
© Lula Marques/Agência Brasil.
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, revelou nesta terça-feira (19), durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que a formação de novas carteiras de investimentos pelo Banco Master para captação de recursos, em plena crise de liquidez da instituição do banqueiro Daniel Vorcaro, foi o principal fator que acendeu o alerta no Banco Central sobre possíveis irregularidades na gestão do banco. Essa estratégia, considerada atípica, indicou à autoridade monetária que algo estava fundamentalmente equivocado.

Galípolo aproveitou para esclarecer que a liquidez bancária se refere à capacidade de uma instituição financeira dispor de recursos imediatos para honrar seus compromissos de curto prazo.

"Um banco em situação de dificuldade de liquidez não forma novas carteiras; ao contrário, tende a vendê-las para obter capital. A questão que imediatamente chamou a atenção do BC foi justamente a venda de carteiras recém-criadas", detalhou Galípolo aos senadores, sublinhando a inconsistência da prática.

Publicidade

Leia Também:

O presidente do BC aproveitou a ocasião para reafirmar a postura proativa da autoridade monetária no acompanhamento do caso do Banco Master, que enfrenta acusações de fraudes bilionárias no sistema financeiro nacional.

Segundo Galípolo, em novembro de 2024, um termo de compromisso foi firmado com o Banco Master, concedendo à instituição um prazo de seis meses para promover ajustes em sua governança, capital e, crucialmente, em sua liquidez.

Após a assinatura do termo, o Banco Master iniciou a captação de recursos no mercado, inicialmente com as garantias do Fundo de Garantia de Créditos (FGC). Contudo, a instituição logo enfrentou restrições para continuar operando via FGC e, posteriormente, suas tentativas de levantar fundos por meio de fundos de investimento também falharam.

"Nesse ponto, o banco intensificou os processos de venda de carteiras que já vinha realizando desde 2023, notadamente para o BRB", explicou Galípolo, indicando uma aceleração na busca por liquidez.

As transações de venda de carteiras de investimentos do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), uma instituição pública vinculada ao Governo do Distrito Federal (GDF), estão sob investigação da Polícia Federal. Há suspeitas de fraude envolvendo aproximadamente R$ 12,2 bilhões em créditos negociados. Uma tentativa do BRB de adquirir o Banco Master também foi feita, mas a operação não obteve a aprovação do Banco Central.

A partir de janeiro de 2025, em face da persistência dos problemas de liquidez do Banco Master e da sua iniciativa de formar novas carteiras de investimentos, o Banco Central estabeleceu um grupo de trabalho dedicado à análise dessas operações. A liquidação extrajudicial do Banco Master foi decretada dez meses depois, em 18 de novembro de 2025, logo após a recusa da proposta de aquisição pela BRB.

Previamente à liquidação, o Banco Master apresentou uma alternativa que, supostamente, envolveria investidores árabes. No entanto, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou não ter tido conhecimento sobre a identidade desses investidores.

"Após a rejeição da compra pelo BRB, o banco protocolou um segundo pedido junto ao FGC e ao Banco Central, propondo uma saída organizada do mercado", relatou Galípolo. Ele acrescentou que o Banco Master reconhecia sua inviabilidade e propunha uma autoliquidação, transferindo-se para os mencionados investidores árabes, dos quais, segundo Galípolo, ele "jamais teve conhecimento".

Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

Risco sistêmico

Gabriel Galípolo reiterou sua posição de que a liquidação do Banco Master não representava um risco sistêmico para o mercado financeiro, capaz de desencadear uma crise bancária generalizada.

"Trata-se de um banco que não oferece risco sistêmico, representando menos de 0,5% do total do sistema bancário", afirmou Galípolo. Ele ponderou que o foco da atenção pública parece estar mais voltado para a destinação dos recursos que estavam sob gestão do Banco Master.

Galípolo também ponderou que a medida de liquidação de um banco não deve ser interpretada como uma punição aos seus gestores, uma vez que o público, incluindo os correntistas, acaba sendo prejudicado.

"Punir uma instituição que foi vítima de má gestão é um equívoco, pois isso equivaleria a penalizar duplamente as vítimas, como os próprios correntistas", explicou Galípolo. Ele concluiu que "liquidar uma instituição não tem como objetivo punir os gestores, mas sim agir quando a instituição atinge um ponto crítico e específico de inviabilidade".

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR