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Sábado, 01 de Agosto 2026
Notícias/Política

Estudo aponta aumento da desinformação sobre o projeto de lei da misoginia nas redes sociais

Se aprovado na Câmara sem modificações, o texto incorporará a "condição de mulher" na Lei 7.716/1989, que trata de crimes de preconceito.

Estudo aponta aumento da desinformação sobre o projeto de lei da misoginia nas redes sociais
© Paulo Pinto/Agência Brasil
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O Projeto de Lei da Misoginia (PL 896/2023) tem sido alvo de uma intensa campanha de desinformação nas plataformas digitais, conforme revelado por uma pesquisa do Observatório Lupa. O levantamento atribui a coordenação dessa ofensiva a políticos de direita e destaca a proliferação de informações distorcidas, teorias da conspiração e materiais gerados por inteligência artificial, todos com o objetivo de desacreditar a proposta aprovada pelo Senado em março.

A pesquisa, conduzida entre 24 de março e 30 de abril de 2026, analisou um vasto volume de dados, incluindo mais de 289 mil publicações no X (antigo Twitter), 6,3 mil no Facebook, 2,9 mil no Instagram e mil no Threads, todos relacionados ao tema.

Com base nessa extensa coleta, o observatório conseguiu mapear "picos de desinformação, tendências narrativas e padrões de comportamento" nas redes. O PL 896/2023, que tramita no Congresso Nacional, propõe a definição de misoginia como "a conduta que exterioriza ódio ou aversão às mulheres".

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Se o projeto for aprovado pela Câmara dos Deputados sem modificações, a legislação vigente (Lei 7.716/1989, conhecida como Lei do Racismo) será alterada para incluir a "condição de mulher", estabelecendo penas de dois a cinco anos de reclusão, além de multa, para atos classificados como misóginos.

A Lupa identificou que o ápice do engajamento na campanha de desinformação foi registrado em 25 de março, logo após a aprovação da proposta no Senado, impulsionado significativamente por um vídeo divulgado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

O deputado, em sua publicação, erroneamente vinculou ao Projeto de Lei da Misoginia partes de outra proposta, o PL 4224/2024, de autoria da senadora Ana Paula Lobato, que abordava a Política Nacional de Combate à Misoginia, mas que não integrava o texto aprovado no Senado.

Conforme o levantamento, o conteúdo original obteve impressionantes 751 mil visualizações em apenas um dia. Mais tarde, o vídeo foi removido e postado novamente, desta vez sem a seção que fazia referência ao outro projeto de lei.

O estudo também ressalta que uma das narrativas mais difundidas nas plataformas digitais sugeria que a proposta legislativa cercearia a liberdade de expressão e poderia servir como instrumento para "perseguir a direita".

Outra informação falsa que circulou amplamente alegava que questionar uma mulher sobre a síndrome pré-menstrual (TPM) poderia resultar em prisão.

O relatório aponta que as publicações com maior viralidade acerca do PL da Misoginia têm se valido, em grande parte, do medo como principal impulsionador do engajamento.

Pesquisadores também indicaram que conteúdos inverídicos insinuavam que a proposta legislativa resultaria em "demissões em massa" de mulheres ou criminalizaria passagens bíblicas. A investigação revelou, ainda, a utilização de inteligência artificial para produzir vídeos falsos sobre as supostas implicações do projeto. Um exemplo notável incluía postagens que afirmavam que empresários já estariam dispensando funcionárias para se precaver contra eventuais processos decorrentes da futura lei.

Entre as personalidades mais influentes na disseminação desses conteúdos, o estudo menciona, além de Nikolas Ferreira, o senador Flávio Bolsonaro (PL), o vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL), o analista político Caio Coppola e a influenciadora Babi Mendes. O documento também sublinha a ascensão de termos ligados à cultura misógina "redpill", que apresenta o projeto como uma ameaça à população masculina.

Ademais, foram notadas menções frequentes, com um tom irônico, a aplicativos de transporte, insinuando receio de acusações infundadas em interações diárias.

Os pesquisadores argumentam que as publicações desconsideram um aspecto fundamental do projeto: a misoginia, conforme o escopo da proposta, refere-se a condutas discriminatórias que provoquem "constrangimento, humilhação, medo ou exposição indevida" por motivo de gênero.

"Ao desconsiderar esse contexto crucial, as postagens distorcem o debate público e amplificam a desinformação", conclui o levantamento.

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

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