A estudante de turismo Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, de 18 anos, relatou nesta quinta-feira (28) ter sido vítima de agressões físicas e psicológicas por parte do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho. Os depoimentos ocorreram no quarto dia do julgamento referente à morte do menino Henry Borel, onde Jairinho é réu. A jovem detalhou episódios de socos na cabeça e afogamento em piscina, ocorridos quando ela tinha entre 3 e 7 anos.
Kaylane é filha de Natasha de Oliveira Machado, ex-namorada de Jairinho. O relacionamento entre sua mãe e o então vereador durou até Kaylane completar cerca de 7 anos. Segundo a estudante, as agressões se intensificaram no final desse período. Ela descreveu como Jairinho a agredia fisicamente, batendo em sua cabeça e torcendo seus braços.
O depoimento da testemunha foi realizado sem a presença de Dr. Jairinho no plenário, a pedido da própria Kaylane. Monique Medeiros, mãe de Henry e também ré no processo, esteve presente durante o testemunho. Kaylane esclareceu que, embora não tenha morado com o casal, passava tempo com eles e também sozinha com o ex-vereador.
Afogamento em piscina
Durante o depoimento, Kaylane relatou que costumava ir com a mãe e Jairinho a um local que ela acredita ser um motel. Lá, ela foi submetida a episódios de afogamento em uma piscina. A estudante descreveu como Jairinho a afundava com o pé na barriga até que ela tocasse o fundo, soltava-a para que respirasse e repetia o ato.
A jovem afirmou que não apresentava marcas visíveis das agressões e que Jairinho a instruía a não contar à mãe sobre os incidentes, alegando que isso a deixaria triste. Em uma ocasião, quando machucou o braço direito, ela foi orientada por ele a dizer que a lesão ocorreu durante aulas de jiu-jitsu.
Sentimento de culpa e encorajamento
Kaylane também compartilhou que ouvia de Jairinho que ela atrapalhava a vida do casal, e que seria melhor se ela não existisse. Ela desenvolveu medo dele, chegando a vomitar ao ver o carro dele se aproximando. Cerca de um ano após o fim do relacionamento, ela finalmente contou à mãe e à avó sobre as violências sofridas, após assistir a um programa de TV sobre um caso similar.
Ao saber da repercussão do caso Henry Borel, Kaylane sentiu um "gatilho" que a fez relembrar os traumas e a levou a sentir culpa por não ter revelado antes. Esse sentimento a motivou a incentivar sua mãe a procurar Leniel Borel, pai de Henry, para colaborar com o caso e evitar que outras crianças passem por situações semelhantes.
Depoimento da mãe
Natasha Machado, mãe de Kaylane, confirmou que Jairinho foi seu primeiro relacionamento após a separação de seu ex-marido. Ela corroborou que não notava marcas de lesões na filha e que cortou o contato com Jairinho ao saber das agressões. Natasha e Kaylane decidiram juntas procurar Leniel Borel, e o advogado que representa a família no processo contra Jairinho foi indicado pelo pai de Henry.
Natasha também relatou suspeitar que era dopada por Jairinho. Em uma ocasião, ela simulou ter tomado um comprimido e flagrou o ex-vereador erguendo Kaylane da cama durante a madrugada, o que ele negou. Embora não tenha sofrido violência física direta, Natasha relatou ter vivenciado violência psicológica após o término, incluindo a disseminação de uma foto íntima sua, que ela acredita ter sido feita por Jairinho.
Retorno do advogado de defesa e outros depoimentos
O julgamento contou com a presença de Fabiano Lopes, defensor de Jairinho, que havia se ausentado devido a um infarto. Sua ausência inicial foi usada pelo réu em uma tentativa de adiar o júri. Lopes afirmou a necessidade de sua presença para ouvir testemunhas relacionadas a outros processos de agressão contra seu cliente.
Além de Natasha e Kaylane, a ex-namorada Débora Mello Saraiva, cujo filho teria sofrido fratura no fêmur em uma agressão de Jairinho, também era esperada para depor. O início dos depoimentos foi atrasado devido a um mal-estar de um dos jurados.
O caso Henry Borel
Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro e a Polícia Civil, a morte de Henry Borel foi causada por agressões cometidas por Jairinho, então vereador. Monique Medeiros é acusada de omissão e de conhecimento prévio dos atos de violência. Jairinho responde por homicídio qualificado, tortura e fraude processual, entre outros crimes. Monique responde por sete crimes, incluindo homicídio e tortura.

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