Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰
A ciência continua ausente das discussões centrais da campanha eleitoral brasileira, segundo avaliação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Enquanto o cenário político e denúncias recentes monopolizam as atenções no país, desafios cruciais a curto prazo — como a transição energética e o envelhecimento populacional — acabam relegados a um segundo plano na disputa eleitoral atual.
Francilene Garcia, presidenta da SBPC e pesquisadora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), aponta que a sociedade foi empurrada para uma falsa dicotomia. Para a especialista, o debate público atual obriga o país a escolher entre fiscalizar as instituições ou planejar o futuro estratégico, quando ambas as frentes deveriam caminhar juntas na mesma agenda nacional.
O impacto da crise no debate político
Historicamente, áreas como inovação e pesquisa já enfrentam pouca atenção durante o período de campanha. No entanto, o cenário atual agravou essa lacuna. Questões vitais, a exemplo do aproveitamento de minerais críticos, mudanças climáticas e a prevenção contra futuras crises sanitárias, simplesmente não encontram espaço relevante entre as propostas apresentadas pelas candidaturas ao pleito.
A entidade científica lançou o Observatório das Eleições para tentar inserir mais de cem propostas de políticas públicas no centro das conversas. Contudo, o engajamento político tem sido baixo. Nenhum candidato ao Executivo estadual e apenas um pequeno grupo de postulantes federais assumiram compromissos formais com a pauta científica defendida pela instituição até o momento.
Desafios futuros ignorados
Além do financiamento para a pesquisa e educação, a agenda da SBPC destaca a urgência de debater os impactos das alterações climáticas na agroindústria e nos biomas brasileiros. A preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) para eventuais novas pandemias e os reflexos do avanço da inteligência artificial também exigem planejamento imediato por parte do poder público.
A falta de foco em temas estruturantes acende um alerta na comunidade acadêmica. Sem políticas de longo prazo voltadas para a autonomia tecnológica e demográfica, o Brasil corre o risco de comprometer sua soberania nas próximas décadas, mantendo-se estagnado diante das transformações globais.

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se