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Segunda-feira, 14 de Setembro 2026
Política

Ciência e tecnologia ficam de fora das discussões na campanha eleitoral

A SBPC alerta que escândalos políticos monopolizam o debate e ignoram desafios estratégicos vitais para o futuro do país.

Ciência e tecnologia ficam de fora das discussões na campanha eleitoral
© Valter Campanato/Agência Brasil
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A ciência continua ausente das discussões centrais da campanha eleitoral brasileira, segundo avaliação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Enquanto o cenário político e denúncias recentes monopolizam as atenções no país, desafios cruciais a curto prazo — como a transição energética e o envelhecimento populacional — acabam relegados a um segundo plano na disputa eleitoral atual.

Francilene Garcia, presidenta da SBPC e pesquisadora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), aponta que a sociedade foi empurrada para uma falsa dicotomia. Para a especialista, o debate público atual obriga o país a escolher entre fiscalizar as instituições ou planejar o futuro estratégico, quando ambas as frentes deveriam caminhar juntas na mesma agenda nacional.

O impacto da crise no debate político

Historicamente, áreas como inovação e pesquisa já enfrentam pouca atenção durante o período de campanha. No entanto, o cenário atual agravou essa lacuna. Questões vitais, a exemplo do aproveitamento de minerais críticos, mudanças climáticas e a prevenção contra futuras crises sanitárias, simplesmente não encontram espaço relevante entre as propostas apresentadas pelas candidaturas ao pleito.

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A entidade científica lançou o Observatório das Eleições para tentar inserir mais de cem propostas de políticas públicas no centro das conversas. Contudo, o engajamento político tem sido baixo. Nenhum candidato ao Executivo estadual e apenas um pequeno grupo de postulantes federais assumiram compromissos formais com a pauta científica defendida pela instituição até o momento.

Desafios futuros ignorados

Além do financiamento para a pesquisa e educação, a agenda da SBPC destaca a urgência de debater os impactos das alterações climáticas na agroindústria e nos biomas brasileiros. A preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) para eventuais novas pandemias e os reflexos do avanço da inteligência artificial também exigem planejamento imediato por parte do poder público.

A falta de foco em temas estruturantes acende um alerta na comunidade acadêmica. Sem políticas de longo prazo voltadas para a autonomia tecnológica e demográfica, o Brasil corre o risco de comprometer sua soberania nas próximas décadas, mantendo-se estagnado diante das transformações globais.

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

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