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Quarta-feira, 05 de Agosto 2026
Notícias/Justiça

Celular da babá Thayná revelou agressões contra Henry Borel

O delegado Edson Henrique Damasceno detalhou como prints de mensagens foram essenciais para desmascarar a farsa sobre a morte do menino no julgamento.

Celular da babá Thayná revelou agressões contra Henry Borel
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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Durante o segundo dia do julgamento no 2º Tribunal do Júri, no Rio de Janeiro, o delegado Edson Henrique Damasceno, responsável pela investigação da morte de Henry Borel, de 4 anos, em março de 2021, afirmou nesta terça-feira (26) que a análise dos prints de mensagens do celular da babá Thayná de Oliveira Ferreira foi decisiva para expor as agressões sofridas pela criança e desvendar a verdade por trás do caso.

Damasceno, que à época era titular da 16ª Delegacia Policial (DP) na Barra da Tijuca, bairro onde residiam Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e Monique Medeiros da Costa e Silva, acusados pela morte de Henry, enfatizou a importância da prova. “Se não tivessem esses prints, a mentira iria seguir”, declarou durante o júri.

Dr. Jairinho, então vereador no Rio de Janeiro e padrasto de Henry, era casado com Monique Medeiros, mãe do menino. Henry Borel faleceu na madrugada de 8 de março de 2021, apresentando múltiplas lesões pelo corpo.

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A revelação das lesões

Inicialmente, o caso foi reportado à delegacia como um acidente doméstico. Contudo, o delegado Henrique Damasceno relatou que as primeiras informações do laudo cadavérico, que indicavam “lesões sérias”, direcionaram a investigação para uma nova linha.

Ele enumerou as lesões encontradas no corpo da criança: “Lesões no rim, pulmão, cabeça, fígado, equimose (mancha roxa) no corpo”.

Em seus depoimentos, o casal Jairinho e Monique descrevia uma relação familiar harmoniosa e atribuía as lesões a uma queda da cama. No entanto, uma reprodução simulada realizada na residência do casal demonstrou que as lesões eram incompatíveis com um acidente doméstico.

“Ele foi vítima de lesões que culminaram na morte. É um laudo assinado por oito peritos”, afirmou o delegado, reforçando a gravidade das evidências.

O papel crucial do celular da babá

O delegado esclareceu que a convicção de que Henry sofreu agressões se consolidou após o acesso aos prints de mensagens extraídas do celular da babá Thayná de Oliveira Ferreira.

A análise das conversas de Thayná com Monique e com seu namorado revelou relatos de outras agressões de Jairinho contra o menino de 4 anos, contradizendo o depoimento inicial da babá na delegacia.

“Ficou demonstrado que o menino já sofria violência na casa”, destacou Damasceno.

Em uma das conversas entre a babá e a mãe, foi relatado que Henry ficou trancado em um quarto com Jairinho e, ao sair, mancava e reclamava de dor na cabeça. O delegado acrescentou que a babá pediu para Monique retornar para casa, mas a mãe só voltou cerca de duas horas e meia depois, pois estava em um salão de beleza.

Em 13 de fevereiro, antes da morte, Henry foi levado por Monique a um hospital com queixas de dores e mancar. “A mãe relatou que o Henry tinha caído da cama, mesma versão que [o casal] deu para a morte no depoimento, que tropeçou e caiu da cama”, lembrou Damasceno.

A ciência de Monique sobre as agressões

Para o delegado, as mensagens confirmam que Monique tinha plena ciência das agressões sofridas pelo filho. Outros diálogos também indicam que Monique não mantinha uma posição de submissão a Jairinho.

“Monique batia de frente com Jairo. Ela dizia que iria prejudicá-lo severamente caso ele não pagasse as coisas dela. Ninguém era subjugado naquele cenário”, constatou.

As mensagens também levaram à constatação de que pessoas próximas a Henry, como a babá, a avó e a empregada doméstica, foram “treinadas a mentir” pelo escritório de advocacia que inicialmente defendeu o casal. Além disso, Monique teria orientado a babá a apagar mensagens do celular.

Para recuperar o conteúdo apagado, a perícia utilizou o Cellebrite, um software israelense de uso exclusivo de autoridades, capaz de extrair e recuperar dados de aplicativos como WhatsApp.

Durante os relatos no Tribunal do Júri, Jairinho manteve uma expressão séria, conversando ocasionalmente com seus advogados. Monique, por vezes, foi vista de cabeça baixa, apoiando-a com as mãos.

Pressão sobre o IML e influência de Jairinho

Em seu depoimento, o delegado confirmou que Dr. Jairinho pressionou o Hospital Barra D'Or, para onde Henry foi levado, para que atestasse a morte da criança sem a necessidade de encaminhar o corpo ao Instituto Médico Legal (IML) para perícia.

Damasceno relatou que o menino chegou à unidade em parada cardiorrespiratória e, apesar das tentativas de ressuscitação, não resistiu. Ele explicou que, sem a perícia do IML, o corpo poderia ter sido sepultado sem a coleta de provas essenciais.

Um alto executivo da Rede D'Or confirmou ter recebido pedidos insistentes e ameaças de Jairinho para que o hospital agilizasse o atestado de óbito. “Ou vocês agilizam ou eu agilizo”, teria dito Jairinho, segundo o delegado.

Questionado pela acusação, o delegado mencionou a influência de Jairinho, que era vereador e filho do policial militar conhecido como Coronel Jairo, com histórico de mandatos de deputado estadual no Rio de Janeiro.

Outras vítimas

Ao responder a um questionamento da acusação, o delegado da 16ª DP mencionou ter tomado conhecimento de casos de duas ex-companheiras de Jairinho que procuraram a polícia para relatar agressões contra seus filhos. Uma menina teria sido afogada por Jairinho, que “teria enfiado a cabeça dela embaixo d’água”, e outro menino sofreu uma fratura no fêmur devido a uma agressão.

Após o depoimento de Enrique Damasceno, estão previstos os testemunhos de outras testemunhas de acusação e defesa. A decisão do júri será tomada por sete jurados, e a expectativa é que o julgamento dure cerca de cinco dias.

Renúncia de advogado e o andamento do júri

Durante a sessão desta terça-feira, Sérgio Figueiredo, um dos advogados de Jairinho, anunciou sua renúncia à participação no caso. Segundo ele, a decisão foi um repúdio à negativa do Tribunal do Júri em adiar novamente o julgamento, considerando que o advogado líder da equipe, Fabiano Tadeu Lopes, sofreu um infarto e está hospitalizado.

Na abertura do julgamento, na segunda-feira (25), Jairinho tentou adiar a sessão, mas recuou após ser ameaçado de transferência para o presídio de Bangu 1, uma unidade mais rigorosa do que Bangu 8, onde está atualmente.

O desdobramento do caso Henry

De acordo com a denúncia, na madrugada de 8 de março de 2021, Dr. Jairinho espancou Henry Borel até a morte, enquanto a mãe, Monique Medeiros, foi omissa em sua responsabilidade, resultando no homicídio. O Ministério Público aponta que, em outras três ocasiões em fevereiro de 2021, Jairo já havia submetido o menino a sofrimento físico e mental com o uso de violência.

Jairo é acusado de seis crimes, incluindo homicídio qualificado por meio cruel que impossibilitou a defesa da vítima, três torturas praticadas contra a criança, fraude processual e coação no curso do processo. Monique responde por sete crimes, entre eles homicídio por omissão qualificado e omissão.

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

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