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Quarta-feira, 22 de Julho 2026
Notícias/Saúde

Unicef alerta: milhões de crianças permanecem sem vacinação essencial no primeiro ano de vida

Dados globais divulgados nesta quarta-feira (15) pelo fundo indicam que 15% dos bebês apresentam cobertura vacinal inadequada, elevando o risco de surtos de doenças.

Unicef alerta: milhões de crianças permanecem sem vacinação essencial no primeiro ano de vida
© Rovena Rosa/Agência Brasil
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O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revelou, em um levantamento divulgado nesta quarta-feira (15), que a **cobertura vacinal** completa para a primeira infância ainda é uma realidade distante para 15% dos **bebês** em todo o mundo. Este cenário preocupante significa que milhões de **crianças** permanecem desprotegidas contra doenças preveníveis, com 13,5 milhões delas não recebendo nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida.

O estudo aponta que, no período mais recente avaliado, **13,5 milhões de crianças** foram classificadas como "zero-dose", ou seja, não receberam nenhuma vacina durante seu primeiro ano de vida. Além disso, outras **7,3 milhões** não completaram o ciclo básico de imunização, que inclui as três doses da vacina DTP (difteria, tétano e coqueluche).

Apesar dos desafios, o levantamento "Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional" indica um ligeiro progresso. No ano passado, 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da DTP, um aumento de 750 mil em comparação com 2024, mostrando uma recuperação pós-pandemia.

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Contudo, o Unicef adverte que a persistência do elevado número de **crianças zero-dose** é alarmante. Esse patamar, similar ao registrado em 2009 e inferior ao período pré-pandemia de Covid-19, eleva significativamente o risco de novos surtos de doenças preveníveis.

Um ponto crítico destacado pelo programa de vacinas do Unicef é a interrupção do ciclo de imunização, especialmente antes da segunda dose da vacina contra o sarampo. Enquanto 84% das crianças recebem a primeira dose (MCV1), apenas 77% completam a segunda (MCV2).

Este cenário é preocupante, pois o limite de segurança para a imunização contra o sarampo é de 95%. No último período registrado, mais de **411 mil casos de sarampo** foram notificados globalmente, com surtos afetando 57 países.

Análise do cenário global

O relatório, baseado em dados fornecidos por 195 governos, revela que 100 países conseguiram manter uma cobertura de pelo menos 90% com as três doses da vacina DTP desde 2019. No entanto, houve pouco progresso na expansão desse grupo de nações.

Dentre as nações que estavam abaixo da meta em 2019, 30 demonstraram melhoria nas taxas nos últimos seis anos. Contudo, **65 países permaneceram estagnados ou viram suas taxas retrocederem**, um grupo que inclui 13 nações frágeis, impactadas por conflitos ou em situação de vulnerabilidade.

Catherine Russell, diretora executiva do Unicef, reconhece os esforços: "Governos e profissionais de saúde auxiliaram na recuperação das taxas globais de vacinação após a acentuada queda durante a pandemia de Covid-19". Ela, entretanto, ressalta a persistência do problema: "Milhões de crianças vulneráveis seguem desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza".

As ameaças contínuas geram grande instabilidade na cobertura vacinal entre as nações. O estudo evidencia que mais da metade das **crianças zero-dose** reside em contextos frágeis ou afetados por conflitos, embora essas regiões representem apenas um terço da população infantil global.

"Nesses cenários, os programas de imunização frequentemente enfrentam desafios relacionados à instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico", detalha o levantamento da Unicef.

A diminuição da cobertura vacinal em países de renda média e alta representa outro desafio. Este declínio é atribuído a mudanças no compromisso político, problemas estruturais e ao aumento da **hesitação vacinal**.

A África do Sul, por exemplo, viu seu índice de cobertura da DTP1 cair 20 pontos percentuais desde 2019, mantendo a tendência de queda. Já a Bósnia e Herzegovina registrou uma redução de 23 pontos percentuais no último ano, apesar de ter tido o maior aumento da cobertura da MCV1 na região em 2024. Ambos os países estão em regiões estáveis e com outros indicadores de saúde em melhora.

O cenário da vacinação no Brasil

Em contraste com as tendências negativas observadas em algumas nações, o **Brasil** tem demonstrado progresso. O país registra uma melhora constante na cobertura vacinal e uma redução significativa no número de **crianças zero-dose**, atualmente estimadas em **50 mil**. A qualidade e a integração dos dados públicos também melhoraram. Contudo, o ciclo completo da vacina tríplice bacteriana (DTP-3) ainda apresenta índices baixos, com cobertura na faixa de 86%.

No entanto, os dados nacionais recebem uma crítica particular: a ausência de levantamentos independentes sobre o tema nos últimos cinco anos. Esta prática é recomendada pela OMS e pelo Unicef para assegurar a fidedignidade das informações.

"Os níveis históricos de imunização observados nos países de menor renda demonstram o que pode ser alcançado quando todas as partes colaboram em busca de um objetivo comum", declarou a Dra. Sania Nishtar, CEO da Gavi, programa de vacinação da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Nishtar enfatiza que o principal desafio será sustentar esse progresso em meio a restrições orçamentárias, incertezas geopolíticas e o aumento de surtos, enquanto se intensificam os esforços para imunizar as crianças que ainda estão à margem.

O estudo alerta que os alicerces desse progresso estão sob intensa pressão. Recentemente, houve cortes de financiamento, notadamente pelo governo dos Estados Unidos, e um enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento. Os dados mostram que apenas 18 pesquisas nacionais de imunização foram realizadas e submetidas neste ciclo, um número significativamente menor em comparação com 50 em 2024 e uma média de 33 anuais entre 2015 e 2019.

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

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