O cenário político no Rio de Janeiro foi marcado, no final de janeiro de 2026, por uma complexa discussão em torno da linha sucessória do governo estadual. Com a viagem internacional do governador Cláudio Castro (PL) e a ausência do vice-governador, a possibilidade de Guilherme Delaroli (PL), presidente em exercício da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), assumir o comando do estado gerou intenso debate jurídico e político.
A crise na sucessão se intensificou com a renúncia do vice-governador Thiago Pampolha em 2025, que assumiu uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Para agravar o quadro, o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), foi afastado do cargo e detido pela Polícia Federal em 3 de dezembro de 2025 por decisão judicial, abrindo espaço para Delaroli assumir a presidência interina da Casa.
Com a viagem de Cláudio Castro à Europa, prevista para 28 de janeiro a 7 ou 8 de fevereiro de 2026, a Constituição Estadual aponta o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) como o próximo na linha sucessória. Em um primeiro momento, havia um "acordo" para que Delaroli assumisse o Palácio Guanabara caso o presidente do TJRJ, desembargador Ricardo Couto, também se ausentasse.
Impasse e Resolução Legal
No entanto, a legalidade desse arranjo foi questionada por especialistas, pois um presidente interino da Alerj não possui, em algumas interpretações, a mesma prerrogativa de sucessão de um presidente eleito em caso de vacância definitiva, o que levaria a uma eleição indireta. Diante da repercussão e da necessidade de preservar o protocolo oficial, o Tribunal de Justiça do Rio confirmou em 29 de janeiro de 2026 que o desembargador Ricardo Couto adiou sua própria viagem internacional e assumiria o governo interinamente.
A decisão do TJRJ garantiu que a linha sucessória constitucional fosse respeitada, com o presidente do Judiciário fluminense no comando interino do Executivo até o retorno do governador Cláudio Castro. Esse movimento evitou a assunção de um político em cargo interino da Alerj ao governo do estado sem a clareza de previsão legal para tal em um cenário de ausências múltiplas.
Apesar da resolução, a situação evidenciou a fragilidade da cadeia de comando em momentos de ausência das principais figuras do Executivo e Legislativo, gerando debates sobre a necessidade de maior clareza nas normas de sucessão em casos atípicos. Guilherme Delaroli, por sua vez, continuou à frente da Alerj em exercício.
Perfil de Guilherme Delaroli
Guilherme Jandre Delaroli, nascido em 1º de dezembro de 1975 em Maricá, é um político filiado ao Partido Liberal (PL). Militar da reserva da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), foi eleito deputado estadual em 2022 como o sexto mais votado do Rio. Ele assumiu a presidência em exercício da Alerj em 3 de dezembro de 2025, após o afastamento de Rodrigo Bacellar.
Ele é irmão de Marcelo Delaroli, prefeito de Itaboraí, e filho de José Delaroli, ex-vereador por quatro mandatos em Maricá. Suas principais bandeiras políticas incluem infraestrutura, geração de emprego e renda, transporte e saúde.

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se