O risco de disseminação mundial do atual surto de ebola é considerado baixo pela Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo declarou o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, nesta segunda-feira (27), durante agenda oficial no Rio de Janeiro.
Apesar da ameaça reduzida em escala global, a emergência sanitária na África Central permanece crítica. Desde a declaração oficial da epidemia, em maio deste ano, mais de 3 mil infecções foram confirmadas, resultando em cerca de 1,4 mil vítimas fatais concentradas na República Democrática do Congo (RDC) e com registros na vizinha Uganda.
De acordo com o líder da OMS, o vírus é transmitido por contato direto e não pelo ar, o que diferencia a infecção do coronavírus. Essa característica biológica reduz drasticamente as chances de uma contaminação internacional em massa.
A história mostra que, nos últimos 50 anos desde a descoberta do agente infeccioso, foram contabilizados apenas 30 episódios fora do continente africano. Contudo, Ghebreyesus ressaltou que a ameaça para os países vizinhos ao foco epidemiológico continua elevada.
As ações de contenção na RDC enfrentam barreiras complexas decorrentes da instabilidade política no leste congolês. Conflitos armados na região provocaram o deslocamento forçado de milhões de habitantes para acampamentos temporários, agravando a vulnerabilidade local.
Homenagem na Fiocruz
Durante a visita ao Brasil, o dirigente participou de uma cerimônia na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Na ocasião, o presidente da instituição, Mario Moreira, entregou a Ghebreyesus o título de doutor honoris causa em reconhecimento à sua atuação na saúde pública mundial.
Ao agradecer a honraria, o diretor-geral destacou o papel estratégico da Fiocruz na promoção da equidade sanitária e na cooperação entre nações do Sul global, classificando a fundação como um farol de esperança científica para a América Latina.
Primeiro africano a chefiar a OMS desde 2017, Tedros Adhanom possui vasta trajetória acadêmica e política. Nascido na Eritreia, ele é biólogo com mestrado em imunologia e doutorado em saúde comunitária no Reino Unido, tendo atuado também como ministro da Saúde e das Relações Exteriores da Etiópia.

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