A Olimpíada Brasileira de Africanidades e Povos Originários (Obapo), que promove o letramento étnico-racial em instituições de ensino públicas e privadas, encerra o período de inscrições nesta próxima sexta-feira, dia 8. Estudantes do 2º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio estão aptos a participar.
As duas edições anteriores do evento, realizadas no ano passado, contaram com a participação de mais de 33 mil alunos em todo o Brasil. Nesta edição, o volume triplicou, superando a marca de 100 mil inscritos.
Conforme o regulamento, tanto escolas quanto alunos que desejam competir individualmente podem se registrar através do portal da Obapo. No caso de participação individual, é indispensável o acompanhamento de um responsável com idade igual ou superior a 21 anos. Para a modalidade “Escola”, não há limite de estudantes. Alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) também são bem-vindos, realizando provas compatíveis com o seu nível de escolaridade.
Faltando dois dias para o término do prazo, os valores de inscrição, essenciais para cobrir os custos administrativos e pedagógicos do projeto, são de R$ 440 para escolas da rede pública e R$ 880 para as particulares. A taxa para estudantes que optam pela participação individual é de R$ 65.
Conteúdo programático
Os participantes das séries iniciais e mais jovens serão avaliados em conhecimentos sobre temas como brincadeiras, expressões artísticas de origem indígena, afro-brasileira e africana, e os modos de vida dos povos originários.
Para os estudantes de séries mais avançadas, espera-se a compreensão de tópicos como o perfil étnico-racial da população brasileira, a transmissão de saberes pela oralidade, segregação étnico-racial, racismo ambiental, preconceito linguístico, darwinismo social, a repressão a grupos minorizados e conceitos como colonialidade, descolonização e decolonialidade.
Todo o conteúdo abordado segue rigorosamente as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
As avaliações serão aplicadas em todas as escolas de 13 a 29 de maio, exclusivamente pela internet, sob a supervisão de um funcionário da instituição.
A organização da Obapo prevê a possibilidade de aplicação presencial, com provas impressas, apenas em situações excepcionais. Para solicitar essa exceção, a escola deverá entrar em contato e consultar a organização.
Érica Rodrigues, coordenadora pedagógica da Obapo e mestre em geografia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), revelou que 70% das inscrições vêm de escolas públicas, com uma distribuição equilibrada entre as redes municipal e estadual. Institutos federais também representam uma parcela significativa de adesão.
Alcance e engajamento
A região Nordeste do Brasil se destaca com a maior participação na olimpíada, seguida de perto pelo Sudeste. Até o momento, todas as unidades federativas se engajaram no projeto, com exceção do Acre.
O sucesso da olimpíada tem gerado parcerias importantes, incluindo acordos com secretarias municipais de educação. Um exemplo notável é Oeiras, no Piauí, onde, nas edições anteriores, todas as escolas da cidade participaram da Obapo, conforme destacou Rodrigues.
Representatividade e pertencimento
Érica Rodrigues também expressa satisfação com o entusiasmo demonstrado por crianças e adolescentes indígenas e quilombolas. Sua participação evidencia o orgulho de suas origens e o sentimento de pertencimento que o projeto proporciona.
“É, para a gente, uma honra muito grande estar nesses territórios, abordar esses temas e perceber que esses alunos reconhecem dentro da Obapo sua própria identidade, enquanto parte da identidade e do presente do Brasil”, afirmou.
Iniciativas e desafios
Especialistas têm desenvolvido materiais e recursos para educadores que buscam referências para disseminar conhecimentos contra-hegemônicos e que questionam a branquitude em sala de aula. Um desses recursos é resultado de uma colaboração entre Porticus pela Cidade Escola Aprendiz, Roda Educativa, Ação Educativa e 25 outras organizações e movimentos sociais.
Lançada em novembro de 2024, a publicação aborda uma educação integral no ensino fundamental, alinhada aos princípios antirracistas.
Além de despertar o interesse pelos temas, o projeto aprofunda as discussões e oferece uma via para enfrentar coletivamente as desigualdades presentes na educação, um campo que é determinante para o futuro de qualquer indivíduo.
O Instituto Alana, ao abordar a Lei 11.645/2008, cita a frase de Eduardo Galeano: “até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador”, ressaltando a importância da representatividade na narrativa histórica.
Um levantamento do Todos Pela Educação revela as significativas barreiras que estudantes racializados precisam superar para ter acesso à educação básica de qualidade.
Por exemplo, embora a presença de estudantes indígenas nas escolas tenha aumentado entre 2014 e 2024, as instituições localizadas em seus territórios frequentemente carecem de infraestrutura básica. Apenas cerca de 2% possuem rede de esgoto, 12,9% contam com coleta de lixo, pouco mais da metade dispõe de banheiros (62,5%) e energia elétrica (57,8%). Esses dados evidenciam que o caminho para a educação não é igual para todos.
Informações adicionais, incluindo sugestões de livros e outros materiais, estão disponíveis no site da Obapo.

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