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Quarta-feira, 05 de Agosto 2026
Notícias/Justiça

Justiça do Rio condena Jairinho pela morte de Henry Borel e concede perdão a Monique Medeiros

Dr. Jairinho recebe pena de mais de 43 anos por homicídio qualificado de Henry Borel, enquanto Monique Medeiros obtém perdão judicial.

Justiça do Rio condena Jairinho pela morte de Henry Borel e concede perdão a Monique Medeiros
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte do menino Henry Borel Medeiros, de 4 anos, ocorrida em 8 de março de 2021, em decisão proferida pelo II Tribunal do Júri do Rio na madrugada desta quinta-feira (4).

No mesmo julgamento, Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe de Henry, teve a acusação de homicídio desclassificada para culposo e recebeu perdão judicial.

O processo judicial, que se estendeu por 11 dias, marcou o Judiciário fluminense como o mais longo de sua história. A leitura da sentença pela juíza Elizabeth Machado Louro, que presidiu a sessão, ocorreu à 1h43 da madrugada, finalizando o julgamento iniciado em 25 de maio.

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Ao fundamentar a condenação de Dr. Jairinho, a magistrada Elizabeth Machado Louro enfatizou a "violência desproporcional" e a "covardia desmesurada" contra uma criança de apenas 4 anos, descrita como doce e bondosa.

A juíza pontuou que o ex-vereador possui uma "personalidade insidiosa", capaz de simular gentileza para ocultar uma natureza "truculenta e de extrema periculosidade".

A condenação de Dr. Jairinho abrangeu homicídio qualificado, com agravantes de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além do aumento de pena por Henry ser menor de 14 anos.

Ele também foi sentenciado pelos crimes de tortura e coação no curso do processo. A pena será cumprida inicialmente em regime fechado, e o ex-vereador foi condenado a pagar R$ 400 mil em indenização por danos morais a Leniel Borel, pai de Henry.

Decisão sobre Monique Medeiros

A decisão referente a Monique Medeiros, mãe de Henry, foi acompanhada por um discurso enfático da juíza Elizabeth Louro sobre o papel da mulher na sociedade.

O Conselho de Sentença optou por desclassificar a acusação de homicídio intencional para homicídio culposo — sem intenção de matar — e a condenou pelo crime de tortura por omissão.

Ao conceder o perdão judicial a Monique, a juíza Elizabeth Louro argumentou que a ré já havia enfrentado um castigo severo o suficiente.

A magistrada fez críticas à "reação desproporcional da sociedade", caracterizando-a como discriminatória e produto de uma cultura que impõe a imagem da "mãe perfeita".

Louro mencionou o "massacre nas redes sociais" e as agressões que Monique sofreu durante o período de cárcere, afirmando que a mãe de Henry foi alvo de uma perseguição "implacável" contra sua honra.

Monique Medeiros foi sentenciada a 1 ano e 4 meses de detenção pela tortura por omissão. Contudo, devido ao período de prisão preventiva já cumprido, sua pena foi considerada encerrada.

A sentença finaliza um capítulo doloroso que começou na madrugada de 8 de março de 2021, data em que Henry Borel faleceu devido a uma laceração hepática, resultado de ação contundente, no apartamento que compartilhava com o casal.

Enquanto Dr. Jairinho retorna ao sistema prisional para cumprir sua longa pena, a Justiça avaliou que o sofrimento de Monique Medeiros, pela perda de seu único filho e pela exposição pública massiva, já ultrapassou o limite da punibilidade para sua negligência.

Reação do pai de Henry Borel

Leniel Borel, pai de Henry, divulgou uma nota à imprensa expressando sua intenção de recorrer da decisão que beneficiou Monique Medeiros.

"Nós vamos continuar lutando para anular essa absolvição da Monique. Eu já falei com meu advogado, e vou pedir ao Ministério Público que recorra da decisão", declarou Leniel Borel, demonstrando sua insatisfação.

O advogado de Leniel, Cristiano Medina da Rocha, que atuou como assistente de acusação, afirmou que o Conselho de Sentença havia reconhecido o mesmo crime para ambos os réus.

"Os jurados votaram de forma idêntica e a juíza [Elizabeth Louro], criando uma situação, fez a votação novamente. Isso que nos deixa indignados", criticou Cristiano Medina da Rocha, confirmando que irá recorrer da absolvição de Monique Medeiros.

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

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