Aguarde, carregando...

Sábado, 01 de Agosto 2026
Notícias/Política

Deputados aprovam criação de fundo de R$ 5 bilhões voltado a minerais críticos

Nova legislação estabelece comitê técnico para classificar recursos minerais essenciais ao desenvolvimento do Brasil.

Deputados aprovam criação de fundo de R$ 5 bilhões voltado a minerais críticos
© Lula Marques/Agência Brasil.
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Em votação simbólica realizada nesta quarta-feira (6), a Câmara dos Deputados deu aval ao texto-base do Projeto de Lei (PL) 2780/24. A medida institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e determina a composição de um colegiado encarregado de catalogar quais substâncias minerais são vitais para o interesse nacional.

A proposta também introduz mecanismos de fomento estatal e assegura celeridade nos processos de licenciamento ambiental para empreendimentos do setor.

O texto aprovado é um substitutivo elaborado pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP). No momento, os parlamentares se dedicam à análise de sugestões de alteração em pontos específicos da matéria.

Publicidade

Leia Também:

O novo comitê operará sob a estrutura do Conselho Especial de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE), que atua como órgão consultivo da Presidência da República na definição de diretrizes para a mineração brasileira.

Conforme o texto, caberá a esse grupo técnico a tarefa de avaliar e validar mudanças na titularidade ou no controle societário de mineradoras que explorem jazidas consideradas estratégicas.

Fundo

O projeto autoriza a criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam), que contará inicialmente com R$ 2 bilhões em recursos da União para avalizar operações de crédito no setor. O teto de recursos do fundo pode atingir a marca de R$ 5 bilhões.

O suporte financeiro será restrito a iniciativas enquadradas como prioritárias dentro da nova política, conforme critérios estabelecidos pelo CMCE.

As chamadas terras raras englobam 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de tecnologias avançadas, como componentes de defesa, veículos elétricos, smartphones e geradores eólicos, embora sua extração seja complexa devido à baixa concentração na natureza.

Soberania

Durante o processo legislativo, a preservação da autonomia nacional sobre a extração e o processamento desses insumos foi um dos temas centrais de divergência entre os deputados.

Atualmente, o Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, com 21 milhões de toneladas, ficando atrás apenas da China. No entanto, o potencial real pode ser ainda maior, já que apenas um quarto do território nacional passou por mapeamento geológico.

A parlamentar Jandira Feghali (PCdoB-RJ) argumentou que a proposta carece de mecanismos que garantam o desenvolvimento industrial interno, sugerindo que uma empresa pública deveria assegurar o beneficiamento local do minério.

Ela ressaltou que a soberania e os interesses do país deveriam estar mais explícitos no texto legal, apontando a ausência de normas rígidas sobre a entrada de investidores internacionais na exploração desses recursos.

Segundo a deputada, a legislação precisa delimitar claramente a influência do capital estrangeiro em setores que são fundamentais para o crescimento econômico brasileiro neste século.

Ela reiterou que a redação atual não fixa limites percentuais para a participação de empresas de fora do país.

O cenário atual conta com apenas uma unidade de extração de terras raras ativa, a Serra Verde, localizada em Goiás. Recentemente, a operação foi adquirida pela companhia norte-americana USA Rare Earth por um valor estimado em US$ 2,8 bilhões.

A transação gerou reações no Congresso, com o Psol acionando a Procuradoria-Geral da República (PGR) para tentar reverter o negócio. O Ministério do Desenvolvimento também manifestou preocupação, alegando que decisões estaduais sobre o tema interferem em prerrogativas federais.

Em contrapartida, Arnaldo Jardim sustentou que o PL fortalece a soberania ao incentivar que o processamento mineral ocorra em solo brasileiro.

O relator explicou que o projeto busca desestimular a venda de minério bruto, visando transformar o Brasil em um polo de inovação tecnológica em vez de um mero fornecedor de insumos básicos.

De acordo com Jardim, a proposta cria um ambiente jurídico seguro para que o país aproveite as demandas globais geradas pela transição para fontes de energia limpa.

Por fim, o relator incorporou ao texto a obrigatoriedade de consultas prévias e informadas a comunidades tradicionais e indígenas que possam ser impactadas por novos projetos de mineração, respeitando as diretrizes da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR