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O delegado da Polícia Civil, Bernardo Leal Annes Dias, de 45 anos, baleado durante a Operação Contenção em 28 de outubro nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, concedeu uma entrevista emocionante relembrando os momentos de terror, o resgate sob fogo intenso, a amputação da perna e a sua milagrosa sobrevivência. Ele recebeu alta hospitalar em 13 de dezembro após 47 dias de internação.
Leal foi atingido por um tiro de fuzil na perna direita, na altura da coxa, resultando em uma fratura no fêmur e rompimento da artéria e da veia femoral. Esta lesão provocou uma hemorragia severa e imediata, colocando sua vida em risco iminente, com os médicos estimando apenas 3% de chance de sobrevivência.
O Resgate Sob Tiros e a Decepção com o Inimigo
O resgate do delegado foi dramático e durou mais de uma hora e quinze minutos, sob intenso tiroteio. Colegas de farda improvisaram torniquetes, o carregaram nas costas e chegaram a utilizar uma moto para retirá-lo da área de confronto. Imagens de equipes policiais mostram a determinação dos agentes, que até quebraram paredes de casas para criar uma rota de fuga.
Em seu relato, Bernardo Leal revelou um detalhe estarrecedor: o criminoso que o feriu utilizou uma "senha e contrassenha" da corporação para se passar por policial antes de efetuar o disparo. "Como o confronto estava muito intenso, então durante os ataques, eles ouviram a senha e a contrassenha. Quando deu a contrassenha, fiquei mais tranquilo, corri para o lado. Quando corri para a direita, ele atirou na minha perna", afirmou o delegado.
A Luta pela Vida e a Amputação
No trajeto até o Hospital Getúlio Vargas, Leal desmaiou diversas vezes. No hospital, seu quadro era crítico, exigindo 30 bolsas de sangue – volume suficiente para trocar todo o sangue do corpo três vezes. Ele passou por nove cirurgias, e devido à gravidade do ferimento e à falta de vascularização, teve a perna direita amputada.
Apesar do desafio da amputação, o delegado mantém uma postura de gratidão. "Primeiro, feliz de estar vivo. Desde o início não existiu lamentação, só gratidão. Os médicos diziam que era um milagre", afirmou Bernardo Leal em entrevista ao Fantástico, da TV Globo.
Apoio Governamental e Reabilitação
Após receber alta hospitalar em 13 de dezembro, o delegado iniciou a fase de reabilitação. O Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio do governador Cláudio Castro, anunciou que arcará integralmente com os custos da prótese e de todo o tratamento contínuo, incluindo home care 24 horas e acompanhamento especializado. A prótese está avaliada em cerca de 500 mil reais e precisará ser substituída a cada cinco anos.
Bernardo Leal, que atuava como delegado-assistente da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), expressou o desejo de retomar suas funções na Polícia Civil, embora sem retornar às operações de rua por enquanto. Sua história de superação e resiliência comoveu colegas, familiares e a sociedade.

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