A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados realizou, nesta terça-feira (30), um debate focado na criação de um observatório dedicado ao acompanhamento da Agenda Prioritária para o Enfrentamento do HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais, HTLV, Sífilis e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) em Mulheres Vulnerabilizadas no Brasil.
A proposta, apresentada pela deputada Erika Kokay (PT-DF), tem como objetivo monitorar a implementação da agenda por meio de indicadores específicos. A intenção é que o observatório sirva como ferramenta para orientar políticas públicas, adaptando-as às realidades regionais.
Erika Kokay ressaltou a importância do observatório, que seria apoiado por emenda parlamentar, para fiscalizar a execução da agenda e direcionar ações conforme as necessidades de cada localidade.
Inclusão de recorte de gênero
Adicionalmente, a deputada informou que buscará a inclusão do recorte de gênero no programa Brasil Saudável. Este programa é voltado ao combate de problemas sociais e ambientais que impactam a saúde de indivíduos em maior vulnerabilidade social.
Uma das metas estabelecidas na agenda é aumentar em três vezes, até 2027, o número de mulheres que utilizam métodos preventivos contra essas infecções.
Pâmela Gaspar, coordenadora do tema no Ministério da Saúde, destacou o desafio de assegurar os recursos necessários para a efetivação da agenda. Ela enfatizou a necessidade de priorizar os fundos existentes e buscar novos investimentos direcionados à saúde da mulher.
Dados apresentados por Gaspar indicam que mulheres são desproporcionalmente afetadas por infecções como HIV/aids, tuberculose, hepatites virais, HTLV e sífilis. O impacto é ainda mais acentuado entre mulheres negras, pardas e residentes das regiões Norte e Nordeste.
Como exemplo, foi mencionado que 61% das mulheres negras poderiam ter evitado a sífilis caso tivessem acesso aos mesmos programas de prevenção disponíveis para mulheres brancas.
Carência de dados e pesquisas
Silvia Aloia, representante do Movimento Nacional das Cidadãs Positivas, apontou a carência de pesquisas sobre mulheres que vivem com HIV há muitos anos. Ela citou problemas como a lipodistrofia, uma condição de distribuição anormal de gordura corporal, que afeta essas mulheres.
Durante o debate, Carla Almeida, do Coletivo Feminista de Luta Contra a Aids Gabriela Leite, também trouxe à tona a questão da exclusão de mulheres em pesquisas sobre novas tecnologias de prevenção e tratamento de ISTs.

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se