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Domingo, 09 de Agosto 2026
Notícias/Política

Câmara debate fortalecimento de ouvidorias externas das defensorias públicas

Especialistas e parlamentares destacam a relevância do controle social e a urgência de melhorias orçamentárias e estruturais para esses órgãos

Câmara debate fortalecimento de ouvidorias externas das defensorias públicas
Kayo Magalhães/Câmara dos deputados
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A necessidade de fortalecer as ouvidorias externas das defensorias públicas brasileiras foi o ponto central de uma audiência recente na Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados. Especialistas e parlamentares ressaltaram a importância desses órgãos como ferramentas essenciais de controle social, transparência e participação cidadã, apesar de enfrentarem sérios desafios relacionados à falta de orçamento e estrutura adequada.

As ouvidorias externas, essenciais para o controle social, atuam como mecanismos de transparência e garantem a participação ativa da sociedade civil. Seus membros não fazem parte da carreira da Defensoria Pública, sendo selecionados a partir de uma lista tríplice que envolve a contribuição de entidades representativas da comunidade.

As defensorias públicas, instituídas pela Constituição de 1988, representam um pilar fundamental do sistema de justiça brasileiro. Essas instituições estatais asseguram assistência jurídica integral e gratuita àqueles que não dispõem de meios financeiros para contratar um advogado, atuando na defesa de direitos individuais, coletivos e na promoção dos direitos humanos.

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Apesar de sua relevância inegável, as ouvidorias enfrentam um cenário de precariedade. Maria Aparecida Lucca Caovilla, presidente do Conselho Nacional de Ouvidorias Externas das Defensorias Públicas do Brasil, ressaltou a carência de orçamento, sede própria e recursos humanos adequados para a atuação desses órgãos.

Caovilla detalhou o modelo brasileiro, onde as ouvidorias gerais externas são compostas por lideranças comunitárias e ativistas de direitos humanos, indicados por movimentos sociais. "Esses representantes vêm para as ouvidorias para atuar em nome da sociedade e do povo em situação de vulnerabilidade social", explicou.

Ela ainda lamentou a grande disparidade na atuação das ouvidorias estaduais. "Embora cada uma desenvolva seu trabalho, a falta de estrutura compromete a efetividade que almejamos para esses importantes canais de comunicação", pontuou.

Cenário atual das ouvidorias

Atualmente, o Brasil conta com 20 ouvidorias externas em pleno funcionamento. Este número abrange as defensorias públicas de 18 estados, além das instituições do Distrito Federal e da União.

A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS), proponente da audiência, enfatizou que a ouvidoria externa na Defensoria Pública representa uma forma singular de controle social. Ela destacou que seus titulares, eleitos por movimentos sociais populares, não pertencem à carreira da instituição, o que mitiga o elemento corporativo. "É o único órgão do sistema judicial que possui esse tipo de controle externo, o que é de extrema importância", frisou.

Para Luciana Grando Bregolin Dytz, presidente da Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos Federais, a ausência de ouvidorias em todo o sistema de justiça perpetua um caráter elitista. Ela defende a universalização desses órgãos para garantir uma justiça mais acessível e democrática.

Ainda persistem lacunas significativas na cobertura das ouvidorias externas. Estados como Espírito Santo, Sergipe, Alagoas, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte ainda não possuem esses órgãos em suas defensorias públicas. Contudo, a Defensoria Pública da União já dispõe de uma Ouvidoria-Geral que integra representantes da sociedade civil.

Desafios na Defensoria Pública: a falta de defensores

Luciana Dytz também abordou a carência de defensores públicos, um problema que impacta diretamente a capacidade de atendimento. Ela recordou que a Emenda Constitucional 80 exige que União, estados e Distrito Federal assegurem a presença desses profissionais em todas as unidades jurisdicionais, de modo proporcional à demanda e à população. No entanto, essa determinação está longe de ser cumprida; a Defensoria Pública da União, por exemplo, atua em apenas 78 das 276 subseções judiciárias federais.

Proposta legislativa para autonomia financeira

Em busca de uma solução para a questão orçamentária, Maria Aparecida Lucca Caovilla expressou seu apoio a um projeto de lei em tramitação no Senado (PLP 138/26). A proposta visa alterar a Lei de Responsabilidade Fiscal, permitindo que até 2% da receita corrente líquida das unidades federativas seja destinada ao orçamento das defensorias públicas, garantindo-lhes maior autonomia financeira.

Além de reforçar a autonomia, o projeto busca proteger o sistema de assistência jurídica gratuita de contingenciamentos orçamentários severos. Para avançar, a iniciativa necessita da aprovação dos senadores antes de seguir para a análise da Câmara dos Deputados.

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

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