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Quinta-feira, 06 de Agosto 2026
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Brasil planeja diversificar parceiros comerciais após anúncio de taxações dos EUA

O presidente Lula reafirma a soberania nacional e a busca por respeito mútuo na redefinição da política externa brasileira.

Brasil planeja diversificar parceiros comerciais após anúncio de taxações dos EUA
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Nesta quarta-feira (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, em reunião ministerial no Palácio do Planalto, que o Brasil intensificará a busca por novos **parceiros comerciais** e reavaliará sua **política externa**. A medida visa mitigar os impactos das recentes **taxações dos EUA** sobre produtos brasileiros, que foram anunciadas em meio a uma investigação sobre supostas práticas desleais.

Dirigindo-se aos ministros de Estado, Lula enfatizou a autonomia brasileira. "Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro", declarou o presidente, reforçando que "o Brasil é dono do seu nariz" e um "país democrático e soberano".

Ele complementou sua fala, afirmando que o país "não adotará mais a política do vira-lata diante das grandes potências". Lula ressaltou que, embora o Brasil não se considere superior ou inferior a qualquer nação, buscará respeito mútuo em todas as suas relações internacionais.

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As declarações do presidente surgem após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) ter sugerido, na segunda-feira (1º), a imposição de uma taxação de 25% sobre uma parcela das importações brasileiras. Este relatório do USTR é o desfecho de uma investigação iniciada há um ano, ainda sob a administração de Donald Trump, que acusa o Brasil de "práticas desleais" no intercâmbio comercial com os EUA.

Para justificar tais medidas, a USTR argumenta que o sistema de pagamentos instantâneos Pix estaria prejudicando "injustamente" empresas estadunidenses do setor de pagamentos eletrônicos, incluindo operadoras de cartões de crédito como MasterCard e Visa, além do Whatsapp Pay.

Em resposta a este cenário, Lula anunciou sua participação na reunião do G7, que ocorrerá em junho na França, algo que inicialmente não estava em sua agenda. O Brasil comparecerá como convidado do anfitrião, o presidente francês Emmanuel Macron, juntando-se aos líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.

O presidente explicou sua decisão: "Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições". Ele reiterou sua defesa pelo fortalecimento das Nações Unidas e pela reforma do Conselho de Segurança da ONU, argumentando que "não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU".

Impacto e negociações

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a proposta de decisão tarifária dos Estados Unidos representa uma ameaça direta a 21% do volume total das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.

Tanto o governo brasileiro quanto as empresas potencialmente afetadas têm até 15 de julho para apresentar suas manifestações sobre o relatório final da USTR. Após essa data, os EUA poderão implementar as "medidas corretivas" contra o Brasil.

Lula classificou a postura estadunidense como "insensata", especialmente porque, segundo ele, havia uma negociação em andamento entre os dois países. Ele recordou que, em maio, havia acordado com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para a conclusão de um pacto sobre a questão comercial.

Durante o encontro na Casa Branca, o presidente brasileiro apresentou documentos que, segundo ele, demonstravam uma relação comercial favorável aos EUA, com um superávit acumulado de US$ 415 bilhões para os Estados Unidos nos últimos 15 anos.

Lula expressou sua surpresa com a decisão, afirmando: "Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles".

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

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