Brasileiros em diversas regiões do país podem observar, entre esta quarta (17) e quinta-feira (18), o alinhamento de planetas como Vênus, Júpiter e Mercúrio com a Lua. O fenômeno astronômico chama a atenção pela rara proximidade visual entre os corpos celestes, permitindo a contemplação direta sem a necessidade de instrumentos técnicos.
A visualização do evento dispensa o uso de telescópios ou binóculos, exigindo apenas que o observador esteja em um local com o horizonte livre e céu limpo. Embora os planetas permaneçam visíveis nos próximos dias, o satélite natural da Terra altera sua posição orbital a cada noite.
A observação de Mercúrio, Vênus e Júpiter a olho nu ganhou destaque recentemente pela harmonia estética e pela vizinhança aparente que esses astros estabeleceram com o disco lunar.
De acordo com Josina Nascimento, pesquisadora do Observatório Nacional, a regularidade desses encontros espaciais é comum, mas a composição visual atual é o que confere o caráter de excepcionalidade ao momento.
“O registro de quarta-feira foi particularmente raro pela proximidade aparente entre os astros e pela Lua apresentar-se em um crescente muito fino, quase tocando Vênus”, detalhou a especialista sobre a beleza da cena.
A astrônoma ressalta que Vênus mantém seu posto como o corpo mais brilhante do céu noturno, seguido por Júpiter, permanecendo visível no poente após o pôr do sol até meados de novembro.
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A mecânica por trás do fenômeno reside no fato de que os planetas visíveis e a Terra orbitam o Sol em planos muito similares. A órbita lunar possui uma inclinação de apenas 5 graus em comparação ao plano terrestre.
Essa coincidência geométrica faz com que esses corpos celestes percorram a eclíptica, que é a trajetória aparente que o Sol descreve na abóbada celeste ao longo do ano.
“Eles estarão invariavelmente situados nesse caminho da eclíptica, que coincide com a faixa onde localizamos as constelações do zodíaco”, esclareceu a representante do Observatório Nacional.
Josina explica que aproximações entre ao menos dois planetas ocorrem em ciclos de 13 a 15 meses. Além disso, mensalmente, o satélite natural cruza o caminho de todos os planetas do sistema solar.
"É fundamental acompanhar o céu diariamente para notar o deslocamento lunar pelas constelações zodiacais e sua interação com os planetas vizinhos”, recomendou a astrônoma.
Transmissão ao vivo
O Observatório Nacional realizará uma live no YouTube no próximo sábado (20) para quem não conseguiu ver o fenômeno ou deseja conferir imagens capturadas por profissionais.
A iniciativa integra o projeto O céu em sua casa: observação remota, que celebra seis anos de atividades com a exibição de registros enviados por colaboradores de todo o Brasil.
Além deste evento, o órgão divulga regularmente informações sobre chuvas de meteoros e eclipses em seus canais oficiais e no site institucional.

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