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Sábado, 01 de Agosto 2026
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Setores produtivos defendem negociação coletiva para reduzir jornada de trabalho a 36 horas

Proposta apresentada em audiência na Câmara dos Deputados sugere flexibilidade em vez de alteração constitucional para jornada de 36 horas.

Setores produtivos defendem negociação coletiva para reduzir jornada de trabalho a 36 horas
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
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Representantes de diversos setores produtivos, incluindo indústria, comércio, transporte, agropecuária, saúde e educação, defenderam nesta segunda-feira (18) a adoção da negociação coletiva como principal ferramenta para a redução da jornada de trabalho no Brasil, em vez de uma modificação na Constituição Federal. A sugestão visa limitar a carga horária semanal a 36 horas, mantendo a flexibilidade necessária para as particularidades de cada área.

O debate ocorreu durante audiência pública na Câmara dos Deputados, promovida pela comissão especial encarregada de analisar duas propostas de emenda à Constituição (PECs) que visam estabelecer a jornada de 36 horas semanais e extinguir a escala de trabalho 6x1. A proposta de negociação coletiva busca evitar impactos negativos em custos operacionais e empregos.

Alexandre Furlan, diretor da Confederação Nacional da Indústria (CNI), destacou a importância de permitir que o incremento das horas subtraídas seja definido por meio de acordos coletivos. Ele argumentou que diferentes setores possuem realidades distintas, o que pode gerar dificuldades se uma regra única for imposta pela Constituição.

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A comissão especial analisa a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que propõe a redução gradual da jornada de 44 para 36 horas ao longo de dez anos. Outra proposta em pauta é a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (Psol-SP), que prevê uma semana de trabalho de quatro dias, com limite de 36 horas, e um período de transição de um ano.

Furlan ressaltou que a redução da jornada sem corte salarial poderia elevar os custos de produção e, consequentemente, os preços para o consumidor. Ele defendeu que a diminuição sustentável da carga horária deve ser resultado de ganhos de produtividade.

Flexibilidade nas escalas de trabalho

Luciana Rodrigues, representando a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, apontou que setores como comércio e serviços, que operam continuamente e com demandas variáveis, necessitam de escalas flexíveis. Ela exemplificou que muitos estabelecimentos já operam com uma média de 39 horas semanais, alcançada por meio de negociações coletivas.

O presidente da Confederação Nacional do Transporte, Vander Costa, alertou que a redução da jornada exigiria a contratação de mais de 250 mil profissionais no setor de transporte, o que seria um desafio em um cenário de pleno emprego. Ele sugeriu uma transição mais lenta, com a redução de uma hora por ano durante quatro anos.

Rodrigo Mello, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, criticou as propostas por desconsiderarem as especificidades do campo, onde atividades ligadas a seres vivos não podem ser interrompidas. Ele argumentou que o aumento de produtividade não pode ser imposto por lei, mas sim resultado de planejamento e condições adequadas.

Debate sobre a escala 6x1

O deputado Reginaldo Lopes rebateu a defesa exclusiva de negociações coletivas, afirmando que o modelo atual não protegeu trabalhadores vulneráveis. Ele garantiu que as convenções coletivas continuarão válidas para definir formatos de escalas, mas dentro de um limite máximo de 40 horas semanais.

O presidente da Câmara, Arthur Lira, anunciou um acordo com o governo para reduzir a jornada para 40 horas semanais com dois dias de descanso, sem redução salarial. Situações específicas seriam tratadas por meio do Projeto de Lei 1838/26 e em convenções trabalhistas.

O presidente da comissão especial, Alencar Santana (PT-SP), reconheceu o apoio majoritário à extinção da escala 6x1, buscando equilibrar direitos trabalhistas e a economia. Ele defendeu que os novos formatos de escala sejam definidos por acordos coletivos, garantindo que os trabalhadores tenham uma nova escala, mesmo que as atividades funcionem de segunda a segunda.

A comissão planeja realizar mais dois debates públicos, e o relatório inicial do deputado Leo Prates (Republicanos-BA) será apresentado nesta quarta-feira (20). A votação do texto final está prevista para 26 de maio.

Genildo de Albuquerque Neto, representando a CNSaúde, propôs uma transição gradual para o setor de saúde, com flexibilizações como escalas de 12x36 horas e compensação de horas, a fim de evitar impactos no atendimento.

Elizabeth Guedes, representando estabelecimentos privados de ensino, expressou preocupação com a dificuldade de cumprir os 200 dias letivos exigidos por lei com a redução de jornada, especialmente para escolas que utilizam os sábados. Ela criticou a falta de planejamento objetivo nas propostas de redução salarial.

FONTE/CRÉDITOS: Portal Ativa Notícias

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