O cantor, apresentador e ativista racial Netinho de Paula utilizou suas redes sociais para denunciar publicamente um grave caso de racismo sofrido por seu neto, Arthur Signoreti, de 16 anos, em uma escola particular localizada no condomínio Alphaville Tamboré, em Santana de Parnaíba, São Paulo. A denúncia, feita por Netinho de Paula em seu perfil no Instagram, detalha os ataques perpetrados por uma colega de turma e exige uma postura firme do Colégio Tom Jobim e das autoridades educacionais para combater a discriminação.
Em seu desabafo, José de Paula Neto, conhecido como Netinho de Paula, enfatizou sua identidade não apenas como figura pública, mas como avô e ativista racial. Ele relatou que Arthur, estudante do Colégio Tom Jobim, foi alvo de ataques covardes por uma colega através de uma rede social.
O incidente envolveu comentários como "O Arthur nasceu!!" e "Ela tem bigode", acompanhados de uma figurinha pejorativa. Para o artista, tais atos representam "racismo recreativo", uma prática que perpetua estereótipos, desumaniza e causa profunda dor, especialmente a um jovem que celebra a herança de um relacionamento inter-racial e a riqueza da cultura negra.
Arthur Signoreti tem demonstrado tristeza e desmotivação desde o início dos ataques, sentindo-se profundamente exposto. Netinho de Paula ressaltou que, em um ambiente escolar com poucos alunos negros, a ausência de posicionamento da escola e a omissão social agravam ainda mais o sofrimento do adolescente.
O ativista exige que os responsáveis pelos ataques se manifestem e que haja uma intervenção imediata da direção do Colégio Tom Jobim e da Secretaria Municipal de Educação de Santana do Parnaíba. Ele cobrou uma postura firme e pública, além de um acolhimento psicológico para Arthur.
Netinho de Paula também solicitou o registro formal do caso na ata da escola, a notificação da aluna agressora e seus responsáveis, e a comunicação aos órgãos competentes para a devida apuração dos fatos, reforçando que o crime de racismo é inafiançável e imprescritível no Brasil.
Além das punições, Netinho de Paula defende a importância da educação. Ele exigiu a implementação urgente de um projeto antirracista permanente na escola, que inclua a valorização da cultura afro-brasileira e a capacitação contínua de todo o corpo docente.
A figurinha mencionada na denúncia, supostamente compartilhada pela colega de Arthur, retrata uma ultrassonografia de um bebê em gestação, onde a imagem no monitor é de um urubu, evidenciando o teor depreciativo do ataque.
Netinho de Paula também apelou aos órgãos da sociedade civil de Santana do Parnaíba para que acompanhem o caso e fomentem o debate sobre a intolerância racial no ambiente escolar. Em uma mensagem emocionante ao neto, ele afirmou: "Meu querido, você não está sozinho. A tristeza que você sente é legítima, mas ela não pode te paralisar. Sua identidade é motivo de orgulho. Você é a prova viva de que o amor vence barreiras. O erro é de quem praticou o racismo, nunca seu."
A denúncia de Netinho de Paula rapidamente ganhou o apoio de diversas personalidades. A cantora Simony classificou o ato como "um absurdo", enquanto o pagodeiro Vavá incentivou Arthur a não se abalar.
O ator Taiguara Nazareth expressou sua indignação, e Dudu Nobre manifestou solidariedade, destacando a gravidade do racismo em uma sociedade que ele descreve como "doente, despreparada e racista". Ele reforçou seu apoio a Arthur, que, segundo ele, "com certeza, vai crescer com mais força e vontade de vencer".

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se