Empresas que recolhem tributos na capital fluminense têm até o dia 31 de agosto para solicitar a participação no programa de incentivo fiscal de ISS no Rio. A iniciativa, amparada pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei nº 5.553/2013), permite direcionar até 20% do imposto devido para financiamento de ações sociais e artísticas na cidade, sem qualquer custo adicional para os cofres das companhias participantes.
A adesão ao programa é totalmente gratuita e pode ser efetuada por meio do Edital do Contribuinte Incentivador, disponível no canal oficial da Prefeitura. O mecanismo possibilita que os tributos já previstos no planejamento financeiro corporativo sejam convertidos em investimentos diretos no desenvolvimento local.
Podem se habilitar as empresas que cumprem os seguintes critérios definidos pela legislação municipal:
- Ter efetuado o recolhimento regular do tributo no município no ano de 2025;
- Apresentar situação fiscal regularizada para o exercício de 2026;
- Não estar enquadrada no regime de tributação do Simples Nacional.
Impacto social e benefícios diretos para os contribuintes
Para o exercício de 2027, o teto global fixado pela Prefeitura do Rio de Janeiro para o incentivo à cultura atinge R$ 91,8 milhões. Após o processo de habilitação ser concluído, as organizações escolhem quais projetos previamente aprovados pela Secretaria Municipal de Cultura receberão os repasses dos recursos.
Além do impacto direto nas comunidades beneficiadas, as empresas participantes recebem contrapartidas formais previstas em lei. Entre as vantagens oferecidas estão a exposição institucional da marca nos materiais de divulgação e o direito a até 10% do produto cultural resultante do projeto financiado.
Transformação comunitária e estímulo à cidadania
Mesmo após mais de uma década de vigência, o mecanismo de renúncia fiscal ainda é pouco explorado por parte do empresariado carioca. Representantes do terceiro setor ressaltam que a ampliação do conhecimento sobre a lei é crucial para alavancar programas educacionais e de inclusão social na capital.
"Existe um grande potencial de transformação quando empresas compreendem que podem direcionar parte de um imposto que já seria recolhido para iniciativas que beneficiam diretamente a população. É uma oportunidade de alinhar responsabilidade social e investimento no desenvolvimento da cidade", afirma Maíra Pimentel, diretora-geral da Fundação Darcy Vargas.
Entre as propostas aptas para captação estão os projetos Cais para a Cidadania e Papo de Futuro, desenvolvidos pela Fundação Darcy Vargas. O primeiro atua no fortalecimento da cidadania cultural em escolas públicas da Região Portuária, enquanto o segundo promove a aproximação de jovens com as economias criativas por meio de oficinas e atividades de formação profissional.
"Projetos como o Cais para a Cidadania e o Papo de Futuro mostram como a Lei Municipal de Incentivo à Cultura pode ampliar oportunidades para crianças e jovens, fortalecer vínculos com os territórios e estimular a participação cidadã", complementa Maíra Pimentel.
Localizada no bairro da Gamboa, na região histórica da Pequena África, a Fundação Darcy Vargas destaca-se por ter zerado a evasão escolar em sua unidade de ensino, além de manter programas focados na inclusão produtiva de famílias de baixa renda no município.

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